Ato ocorreu durante manifestações em Caracas .

O presidente do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou nesta quarta-feira (24) que assumiu a presidência do país, como parte do que chamou de luta contra a “usurpação” do cargo por parte de Nicolás Maduro, que de acordo com ele é um líder “ilegítimo”.

“Hoje, 23 de janeiro de 2019, em minha condição de presidente da Assembleia Nacional, ante Deus todo-poderoso e a Venezuela, juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente em exercício da Venezuela”, declarou Guaidó.

Ao menos cinco pessoas morreram nos protestos iniciados na noite de ontem (22) e ainda em curso no país, informaram as autoridades locais. De acordo com o Ministério Público da Venezuela, quatro pessoas morreram durante confrontos na madrugada no estado de Bolívar.

A quinta vítima é um jovem de 16 anos, identificado como Alixon Pisani, atingido por um tiro em Cata, um bairro da capital Caracas. Por sua vez, a ONG local Foro Penal Venezolano (FPV) informou que 43 pessoas foram presas nos protestos e que há relatos de “vários feridos” nas últimas 48 horas.

As manifestações foram convocadas pela oposição e pedem a derrubada do governo de Nicolás Maduro, que tomou posse em 10 de janeiro, apesar de ser considerado ilegítimo pela oposição e criticado por vários países.

A Venezuela enfrenta uma grave crise política, econômica e social, com escassez de alimentos e medicamentos, o que levou milhares de venezuelanos a imigrarem do país. A fome e a desnutrição atingem grande parte da população.

Um dos protestos ocorreu na Praça João Paulo II, em Caracas. Mas há relatos em várias partes do país de confrontos entre manifestantes e policiais, que usam gás lacrimogêneo. Além da capital, os venezuelanos saíram às ruas em Barquisimeto, Maracaibo, Barinas e San Cristobal. Ao mesmo tempo, estão ocorrendo três marchas em Caracas de simpatizantes e apoiadores de Maduro, o que eleva a tensão no local.

O governo de Maduro, por sua vez, já declarou anteriormente que não reconhece a autoridade do Parlamento no país.

O presidente Jair Bolsonaro  reconheceu nesta quarta-feira, em Davos, o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente da Venezuela. Guaidó, do partido Vontade Popular, preside a Assembleia Nacional do país e, hoje, fez juramento solene diante de uma multidão, em Caracas, durante manifestações em prol da renúncia de Nicolás Maduro.

Depois da declaração de Bolsonaro, o Ministério das Relações Exteriores formalizou a posição antecipada por Bolsonaro. “O Brasil reconhece o senhor Juan Guaidó como Presidente Encarregado da Venezuela”, informa o texto. “O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela.”

O Itamaraty assinala que Guaidó assumiu o Poder Executivo “de acordo com a Constituição”  da Venezuela, “tal como avalizado pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ)”. Na segunda-feira 21, porém, o próprio TSJ, dominado por Maduro, considerou a Assembleia Nacional “inconstitucional” como forma de neutralizar a possível iniciativa de Guaidó.

Minutos após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpreconheceu Guaidó como presidente de facto do país e convocou líderes latino-americanos a fazerem o mesmo. Pouco depois, o Brasil, por meio de nota, endossou o líder opositor como presidente interino do país.

O líder parlamentar, um engenheiro industrial de 35 anos, disse estar sustentado pela Constituição. “Irmãos e irmãs: hoje dou o passo com vocês, entendendo que estamos em ditadura”, afirmou, levando a multidão ao delírio.

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