Existe uma quantidade quase infinita de bactérias no mundo, segundo os especialistas. Algumas podem nos fazer bem, outras são responsáveis por doenças e epidemias. Entre elas, existe um grupo chamado de superbactérias, que são resistentes a um número muito grande de medicamentos. A resistência bacteriana é considerada uma das principais ameaças à saúde global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano, cerca de 700 mil pessoas morrem por causa dessas superbactérias. A previsão é que esse número suba para 10 milhões de mortes até 2050.
A bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase) , a“superbactéria”, foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2000, depois de ter sofrido uma mutação genética, que lhe conferiu resistência a múltiplos antibióticos (aos carbapenêmicos, especialmente) e a capacidade de tornar resistentes outras bactérias. Essa característica pode estar diretamente relacionada com o uso indiscriminado ou incorreto de antibióticos.

A bactéria KPC pode ser encontrada em fezes, na água, no solo, em vegetais, cereais e frutas. A transmissão ocorre em ambiente hospitalar, através do contato com secreções do paciente infectado, desde que não sejam respeitadas normas básicas de desinfecção e higiene. A KPC pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas, enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, muitas vezes, mortal. Crianças, idosos, pessoas debilitadas, com doenças crônicas e imunidade baixa ou submetidas a longos períodos de internação hospitalar (dentro ou fora da UTI) correm risco maior de contrair esse tipo de infecção. A resistência aos antibióticos não é um fenômeno novo nem específico da espécie Klebsiella. Felizmente, esses germes multirresistentes não conseguem propagar-se fora do ambiente hospitalar.

Hoje, a KPC é resistente a cerca de 95% dos antibióticos ou antimicrobianos existentes no mercado.
É contra esta bactéria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento. O Torgena é o primeiro antibiótico específico para o combate desta bactéria. Ele é uma combinação do antibiótico ceftazidima com o avibactam, molécula que confere ao produto maior eficácia sobre a KPC e outras bactérias multirresistentes. A diretora médica do Laboratório de Microbiologia do Hospital das Clínicas da USP, Flávia Rossi, nos explicou que esta superbactéria é um problema que afeta praticamente todos os hospitais do Brasil.
“Ela vive em ambiente hospitalar e possui uma resistência muito alta. Para impedir que ela contamine os pacientes é preciso a colaboração de toda a equipe, desde a higienização das mãos e dos locais até um número suficiente de profissionais para o cuidado de cada paciente e um processo ágil de diagnóstico, capaz de identificar o mais rápido possível a presença desta bactéria” declarou. “Como a KPC é resistente aos antibióticos, é muito difícil tratar o paciente infectado, por isso a mortalidade é muito alta, principalmente entre os pacientes mais graves e os imunodeprimidos, que são aquelas pessoas que possuem um sistema imunológico debilitado, como transplantados e portadores de HIV” concluiu.

Para Flávia Rossi, o fato de a Anvisa ter aprovado o uso de um antibiótico que apresenta eficácia contra esta superbactéria vai salvar muitas vidas. “A KPC está se espalhando de forma muito agressiva e ter um medicamento eficaz contra ela significa uma nova possibilidade terapêutica” finalizou.
COMISSÃO DE INFECÇÃO
Como curiosidade conseguimos apurar que Apenas 37,50% de nossos hospitais possuem uma Comissão de Infecção ou um pessoa com atribuições definidas para o controle de infecções que, além de outras responsabilidade é o órgão responsável pela indicação dos diversos produtos químicos utilizados no hospital. Muitos de nossos hospitais (68,75%) deixam a critério do Serviço de Enfermagem a indicação dos antissépticos e desinfetantes e, para esta responsabilidade complexa, deve preparar-se para estar em condições de estabelecer os critérios técnicos para a escolha dos mesmos, realizar ou colaborar nos testes bacteriológicos e na avaliação dos produtos químicos que indica para os diversos fins no hospital.

REALIDADE DE MARÍLIA.
Nossa reportagem manteve um contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura para se obter uma posição da SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE a respeito do assunto e, fomos informados de que; “a secretaria não tem acesso aos números, pois este fato é de responsabilidade dos hospitais e que não desenvolve nenhuma política especifica sobre o assunto, pois, não se trata de nenhum surto que desperte a necessidade de uma mobilização”. Pela SANTA CASA, a assessoria de imprensa informou que; “existe na Instituição uma comissão de infecção, mas, que não há um levantamento a respeito. Segundo a nota, a UTI é o setor com maior incidência, no entanto, é realizado um trabalho preventivo com controle, exames e campanhas educativas com o álcool gel”. Em visita ao HOSPITAL BENEFICENTE UNIMAR ( H.B.U ), fomos recepcionados pela Responsável pelo Setor de Controle de Infecção Hospitalar, enfermeira Padrão Camila Marcondes que declarou a não existência de uma flora de KPC no hospital, mas, que já teria recebido de outras instituições para tratamento no hospital.”Nos temos uma política muita séria de atendimento neste sentido e tomamos medidas rigorosas para que a bactéria não avance na instituição. Os procedimentos visam o combate a este mecanismo de resistência (KPC) e passam desde o uso correto e intensivo de produtos de limpeza adequados e aprovados pelo serviço de vigilância sanitária até o cuidado com o profissional que vai cuidar com exclusividade do paciente infectado”, explicou. Segundo Camila, existe uma conduta técnica seguida com rigor e, se caso venha a ocorrer algum registro sendo até mesmo em UTI ocorre um procedimento padrão adotado justamente para evitar a proliferação e o avanço da bactéria. “Fornecemos equipamento de proteção individual para cada profissional e todo um processo de assepsia é realizado quando o mesmo conclui seu trabalho junto ao paciente” acrescentou. “Quando o paciente vai a óbito, alta ou transferência, é norma a incineração de todo o material pertencente ao mesmo, inclusive o colchão utilizado. Com isso, nossa equipe encontrou uma forma de segurar ela, ou seja, nós não disseminados a bactéria, ele pode até vir para cá, estar no ambiente, mas, quando o paciente vai embora a minha flora não tem mais KPC”, concluiu. O Hospital Beneficente Unimar desenvolve também uma capacitação educacional com todos os funcionários de todos os setores agindo no preventivo e, os acompanhantes são orientados em todos os procedimentos dentro da instituição e, os pacientes recebidos de outras instituições são submetidos a exames prévios logo na sua admissão. Já pelo HOSPITAL DA CLINICAS, a assessoria de imprensa nos informou que foram registrados 06 casos de infecções em pacientes por KPC. No que diz respeito ao procedimento, segundo a nota, quando é realizado o isolamento deste tipo de bactéria nos pacientes, o hospital realiza isolamento deste paciente em quarto privativo. Os familiares e os profissionais que atendem estes pacientes usam equipamentos específicos (aventais, luvas – o quarto é limpo de forma que não ocorra disseminação destas bactérias para os outros pacientes da instituição. Por ser uma bactéria com perfil de alta resistência à maioria dos antibióticos, as medidas de proteção são imprescindíveis para evitar que esta bactéria se espalhe pelo hospital. Simultaneamente, a equipe multidisciplinar toma o cuidado de não constranger o paciente que possui esta bactéria, assim como seus familiares.

Sintomas
Os sintomas são os mesmos de qualquer outra infecção: febre, prostração, dores no corpo, especialmente na bexiga, quando a infecção atinge o trato urinário, e tosse nos episódios de pneumonia.

Diagnóstico
A confirmação do diagnóstico se dá por meio de um exame de laboratório que identifica a presença da bactéria em material retirado do sistema digestivo. Infelizmente, nem todos os hospitais estão suficientemente aparelhados para realizar esse exame.

Prevenção
A prevenção é fundamental no controle da infecção hospitalar. Por isso, todos os pacientes portadores da bactéria KPC, mesmo que assintomáticos, devem ser mantidos em isolamento. Lavar as mãos com bastante água e sabão e desinfetá-las com álcool em gel são medidas de extrema eficácia para evitar a propagação das bactérias. Esses recursos devem ser utilizados, tanto pelos profissionais de saúde que lidam com os doentes, como pelas visitas.
Outras formas de prevenir a propagação das bactérias incluem o uso sistemático de aventais de mangas compridas, luvas e máscaras descartáveis, sempre que houver contato direto com os pacientes, a desinfecção rotineira dos equipamentos hospitalares e a esterilização dos instrumentos médico-cirúrgicos.

Tratamento
Existem poucas classes de antibióticos que se mostram efetivas para o tratamento das infecções hospitalares pela bactéria KPC. Daí, a importância dos cuidados com a prevenção.

Recomendações

Lave as mãos com frequência, especialmente antes e depois de entrar em contato com pessoas doentes;

  • Só tome antibióticos se forem prescritos sob orientação médica;
  • Saiba que a maioria das infecções respiratórias não é causada por bactérias, mas, sim, por vírus sobre os quais os antibióticos não exercem nenhum efeito;
  • Mantenha as visitas afastadas dos pacientes infectados;
  • Higienize as mãos com álcool gel, sempre que possível;
  • Esteja atento à nova regulamentação da Anvisa sobre o uso dos antibióticos;

*Procure reduzir ao mínimo necessário as visitas e consultas nos hospitais.

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