
O Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma data de reflexão, mobilização e fortalecimento da luta por uma sociedade verdadeiramente inclusiva, que reconheça e respeite a diversidade humana em todas as suas dimensões.
Mais do que promover a conscientização, este dia nos convoca a reafirmar o compromisso com a defesa intransigente dos direitos das pessoas autistas e de suas famílias, especialmente no acesso à educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade; à saúde; ao trabalho e à participação social plena.
A inclusão não pode ser apenas um discurso: ela precisa se materializar em políticas públicas efetivas, financiamento adequado e condições reais de atendimento.
No âmbito da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, reafirmamos a importância de garantir recursos, formação continuada para as trabalhadoras e trabalhadores da educação, equipes multiprofissionais e estruturas acessíveis, assegurando que estudantes autistas tenham respeitadas suas singularidades e potencialidades.
A luta pela inclusão das pessoas autistas está diretamente ligada à defesa do serviço público, da educação pública e dos direitos sociais. É fundamental combater todas as formas de exclusão, preconceito e invisibilização, fortalecendo uma cultura institucional baseada no respeito, na acessibilidade e na justiça social.

A psiquiatra infantojuvenil especialista em autismo Jaqueline Bifano falou sobre o tema, seus sinais, tratamento e inclusão, nesta quinta-feira (2).
A profissional começa explicando o que é o transtorno do espectro autista e o que significa a palavra “espectro” nesse contexto. “O autismo não é considerado uma doença, ele é um transtorno do neurodesenvolvimento. O cérebro funciona de uma forma diferente e isso afeta a maneira como a pessoa interage, comunica e percebe o mundo. É chamado de espectro porque as características podem se manifestar de várias formas, desde níveis mais sutis até formas mais graves e evidentes. Algumas pessoas podem ter muita dificuldade de comunicação, chegando a não falar, enquanto outras comunicam de um jeito diferente ou evitam o contato visual.”
Os sinais de autismo se apresentam precocemente, antes mesmo da criança completar um ano de idade. “Aos 12 meses, a criança já deve fazer contato visual. A criança autista muitas vezes não olha quando é chamada pelo nome, não sorri espontaneamente e não aponta para o que deseja. Aos 18 meses, ela já deveria estar balbuciando e até falando algumas palavrinhas”, aponta a especialista.
Antes mesmo do diagnóstico, é possível tratar algumas dessas características. Segundo a psiquiatra, é importante intervir o quanto antes, devido à capacidade de aprendizado e adaptação na infância. “Se há atraso na fala, encaminhamos para a fonoaudióloga; se há seletividade alimentar, atrasos motores ou hipersensibilidade auditiva, encaminhamos para terapia ocupacional. Cada criança autista é única e precisa ser avaliada individualmente”, afirma a médica.
Outra característica presente em crianças autistas é o hiperfoco. “Elas se interessam profundamente por um assunto, como elétrica ou dinossauros, e passam a entender tudo sobre aquilo, às vezes melhor do que qualquer adulto”.
A psiquiatra reforça que existe tratamento médico para autismo no Sistema Único de Saúde e reflete sobre o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. “Conscientizar não é só informar, é preciso agir. Precisamos transformar a maneira como a sociedade acolhe e inclui essas pessoas, adaptando ambientes como as escolas para que a criança consiga socializar e aprender de forma saudável”.
Neste 2 de abril, o NOSSO JORNAL reafirma seu compromisso histórico com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, somando-se às lutas das pessoas autistas, de suas famílias, educadoras e educadores e de todos aqueles que defendem os direitos humanos. AQUI A NOSSA TECLA É AZUL…
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