
Taxa básica de juros atinge o maior patamar em quase 20 anos; objetivo do Banco Central é controlar a inflação, mas a medida afeta diretamente investimentos e o crédito no país.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira (18) taxa Selic a 15% ao ano. A decisão unânime confirma a sinalização de uma política monetária mais dura e duradoura, com juros elevados por um “tempo suficientemente prolongado”, segundo o BC. Trata-se da Selic mais alta desde julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Lula (PT).
Esta é a sétima alta seguida no índice. Foi a quarta reunião do colegiado sob o comando de Gabriel Galípolo, INDICADO DE LULA e sucessor de Roberto Campos Neto. Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil fecha esta quarta-feira com a segunda maior taxa real de juros no mundo, segundo um monitoramento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence.
🔎 A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para todas as demais taxas — desde financiamentos e empréstimos até os rendimentos de aplicações financeiras.
Quando a Selic sobe, os empréstimos e créditos ficam mais caros, o que desestimula o consumo e o investimento das empresas. Com menos dinheiro circulando, a tendência é de que os preços — inclusive de alimentos, combustíveis e serviços — subam menos, ajudando no controle da inflação.
Ou seja, a Selic influencia tanto o retorno de quem investe quanto o custo de vida de quem consome. Um aumento como o atual impacta diretamente o bolso dos brasileiros — seja no supermercado, no financiamento do carro, ou na rentabilidade da poupança.
Veja abaixo como essa nova alta impacta seu bolso.
Poupança ainda perde para outros investimentos
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Com a Selic a 15%, a regra de rendimento da poupança não muda: ela segue pagando 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano — como é o caso. Na prática, isso significa um rendimento anual de aproximadamente 8,17% ao ano, muito abaixo da inflação projetada e de outros investimentos.
Mesmo com a taxa de juros nas alturas, a caderneta continua sendo uma opção menos vantajosa em termos de rentabilidade. Ela só se destaca pela liquidez imediata e isenção de Imposto de Renda, o que pode ser atrativo para quem busca facilidade e segurança, não retorno alto.
CDB mais atrativo
Com a alta da Selic, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) se tornam mais atrativos. Isso porque muitos deles são atrelados ao CDI — taxa que acompanha de perto a Selic. Em um cenário de juros a 15%, CDBs que pagam 100% do CDI podem render até 12,70% ao ano.
Vale lembrar que existem CDBs de liquidez diária — bons para reserva de emergência — e outros com vencimentos mais longos, que exigem que o dinheiro fique aplicado até a data final. É importante comparar as taxas oferecidas por diferentes bancos antes de investir.

Tesouro Direto: segurança com retorno acima da inflação
O Tesouro Direto também ganha destaque com a Selic em alta, especialmente os títulos Tesouro Selic e Tesouro IPCA+. O primeiro acompanha a taxa básica de juros e é indicado para quem busca baixo risco e liquidez, ideal inclusive para reserva de emergência. Com a Selic a 15%, ele rende próximo disso ao ano, com desconto de IR conforme o prazo.
Já o Tesouro IPCA+ garante rentabilidade real acima da inflação, com vencimentos variados. Com o cenário de juros elevados, esses papéis têm oferecido taxas acima de IPCA + 6%, o que representa retorno expressivo, especialmente para objetivos de médio e longo prazo, como aposentadoria ou educação dos filhos.
Além da rentabilidade, os títulos do Tesouro têm o diferencial da segurança: são garantidos pelo governo federal, com risco muito baixo. Para quem está preocupado com instabilidades econômicas, trata-se de uma alternativa sólida para proteger o patrimônio.
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