
Segundo relato, filho do presidente ganhava R$ 300 mil mensais
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu informações de que um dos depoentes ouvidos pela Polícia Federal (PF) relatou que Fábio Luís Lula da Silva, filho de 50 anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu valores milionários de Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como Careca do INSS, e possuía uma sociedade empresarial com ele.
Segundo apuração do portal Poder360, o depoente afirma que Lulinha – como Fábio Luís é apelidado – recebeu uma quantia de 25 milhões, mas o colegiado não sabe dizer em qual moeda. Também seriam feitos pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, mas não se sabe durante qual período.
Além disso, Lulinha também fez viagens com o Careca do INSS para Portugal. A polícia ainda não sabe qual tipo de sociedade os dois tinham, mas a suspeita é de que eles tenham relação com uma empresa chamada World Cannabis, que opera no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Colômbia.
Com sede em Brasília, a empresa vende cannabis medicinal produzida em Portugal. Acredita-se que ela era usada pelo Careca do INSS para lavar dinheiro obtido ilegalmente com os descontos indevidos nos benefícios dos aposentados e pensionistas. Antônio está preso desde 12 de setembro de 2025.

As informações sobre o depoimento foram reveladas por Edson Claro à CPMI. Edson é um ex-funcionário do Careca do INSS que se diz ameaçado por ele. Ainda segundo Edson, o filho de Lula tem sido citado em situações em que ele poderia ajudar os acusados a fraudarem o INSS.
Atualmente, a PF está dividida quanto ao assunto. Uma parte acredita que a investigação tem de ser acelerada a fim de esclarecer se há de fato a participação de Lulinha em algum esquema com o Careca do INSS. Outro grupo, mais fiel ao presidente Lula, defende que é comum que no meio político pessoas afirmem ter proximidade ou influência em relação a terceiros com o objetivo de ganhar vantagens.
A CPMI tentou convocar Edson Claro para depor em outubro deste ano, mas deputados e senadores governistas conseguiram impedir. Atualmente, Lulinha vive na Espanha. Ele não respondeu às tentativas de contato do Poder360 por meio de seu ex-advogado, Marco Aurélio Carvalho.
– Não consegui falar com Fábio, talvez por causa do fuso horário. Mas acho que essa acusação é absolutamente pirotécnica e improvável. É mais uma tentativa de desgastar a imagem de Fábio Luís – declarou Carvalho.
CPMI do INSS Rejeita Convocação de Lulinha em Meio a Denúncias de Mesada de R$ 300 Mil do ‘Careca do INSS’
A CPMI do INSS rejeitou, nesta quinta-feira (4/12), a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A votação terminou em 19 votos contra e 12 a favor, impondo uma derrota à oposição e atendendo ao movimento da base governista, que atuou para barrar a ida de Lulinha ao colegiado.
A decisão ocorre no mesmo dia em que veio a público o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que afirmou à Polícia Federal que Lulinha teria recebido uma mesada mensal de R$ 300 mil e um pagamento único de R$ 25 milhões oriundos do esquema de fraudes em empréstimos consignados envolvendo aposentados e pensionistas. O filho do presidente não se manifestou sobre as acusações.
A base aliada agiu de maneira coordenada para impedir que Lulinha fosse ouvido. Parlamentares governistas classificaram a denúncia como “manobra” da oposição para “desviar o foco” da investigação.

“Votamos contra e vamos denunciar o único objetivo, que é desviar o foco da investigação”, declarou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secretaria de Comunicação. Ele ameaçou processar parlamentares que acusarem Lulinha de receber pagamentos mensais.
A oposição rebateu, afirmando que a recusa em convocar o filho do presidente reforça suspeitas.
O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) foi direto:
“Temos o dever de apurar a mesada de R$ 300 mil ao senhor Fábio Lulinha da Silva, que está foragido. O governo não quer chegar ao coração do esquema criminoso”, disse.
O pedido de convocação de Lulinha foi protocolado pelo partido Novo. No requerimento, parlamentares argumentam que há indícios financeiros que justificariam ouvir o filho do presidente. Entre eles:
- o suposto pagamento de R$ 300 mil mensais;
- o repasse de R$ 25 milhões realizado pelo “Careca do INSS”;
- possíveis conexões do esquema com pessoas próximas ao presidente Lula;
- o caso do dirigente petista Ricardo Bimbo, que teria recebido R$ 8,4 milhões de uma empresa envolvida no esquema e, no mesmo período, pago um boleto ao contador de Lulinha, investigado por lavagem de dinheiro na Operação Fim da Linha.
O requerimento foi assinado pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Eduardo Girão (Novo-CE), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ). A bancada defende que a CPMI investigue todas as conexões “sem blindagens”.
“Ouvir Lulinha é essencial para esclarecer o eventual uso de sua estrutura contábil ou ligação indireta com o esquema”, diz o texto.

O depoimento de Edson Claro, revelado pelo Poder360 e confirmado por integrantes da CPMI, descreve a atuação do “Careca do INSS” no esquema e aponta a suposta participação de Lulinha. No entanto, mesmo diante das acusações, a comissão também rejeitou anteriormente a convocação do próprio Claro, após articulação da base governista.
O PT tentou desqualificar o depoente, chamando-o de “bandido”, enquanto também votou contra sua convocação.
A revelação das denúncias e a resistência da base aliada em ouvir personagens centrais do caso ampliam a temperatura política dentro da CPMI.
DIRETO DA REDAÇÃO


