
Não é terapia, mas é terapêutico. A plantoterapia, como o próprio nome já sugere, é um exemplo destas ações diárias ou hobbies capazes de proporcionar bem-estar e impactos positivos na saúde. A prática consiste em cultivar plantas em casa e, entre seus benefícios, estão o estímulo da criatividade, a melhora da coordenação motora e o efeito motivador e relaxante.
Seja em canteiros ou vasos, seja flores, ervas ou hortaliças, estar rodeado de plantas no dia a dia não é sinônimo somente de um lar mais bonito. O contato físico com elas e o foco necessário nos cuidados demonstram o potencial que essa prática proporciona de romper as tensões. Diversos experimentos e testes neurológicos já realizados indicam que, durante essa atividade, a frequência de ondas neurais costuma diminuir, favorecendo a calma e a concentração. Além disso, análises de sangue e urina mostraram redução no nível de cortisol – o hormônio do estresse – e na pressão arterial.
Um levantamento feito por pesquisadores ingleses, em cima de 8.896 artigos publicados entre 1990 e 2019, concluiu que desfrutar do verde durante a rotina tem um efeito mental restaurador, o que reduz a exposição a quadros de estresse, ansiedade e depressão.
Sabendo de todos esses benefícios, é fácil compreender o porquê a jardinagem dentro dos lares teve um “boom” durante a pandemia de Covid-19. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o mercado de plantas cresceu 10% em 2020 e 15% em 2021.
Essa biofilia, ou seja, o desejo humano nativo de buscar conexões com a natureza, foi intensificada de forma relativamente recente, mas há tempos vem firmando raízes nos lares de milhares de pessoas no país – o que se deve, principalmente, à melhoria na qualidade das espécies, à maior diversidade de opções e às novidades que continuam chegando ao mercado.

O benefício de cultivar plantas é para todas as idades
Para crianças
Possibilita a redução de dificuldade sociais, emocionais e comportamentais.
Para adultos
Auxilia no bem-estar físico e no alívio de estresse.
Para idosos
Pode reduzir a incidência de depressão.
Hortoterapia ou terapia com plantas

O uso da jardinagem já é reconhecido no auxílio do tratamento de diferentes patologias e como ferramenta de promoção à saúde em diferentes estágios da vida.
A Ciência demonstra que a atividade está associada aos benefícios na saúde mental e na prevenção e controle das doenças crônicas como diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, além de tratamento para ansiedade, raiva e fadiga.
Conhecida como “hortoterapia”, a atividade busca utilizar o cultivo de plantas, jardins e hortas como terapia por meio do envolvimento ativo ou passivo.
No envolvimento passivo, pesquisadores buscam constantes evidências de que a simples observação da natureza, com intervenções dentro de casa, inclusive por imagens, pode ter efeitos positivos no humor e na saúde mental.
Alguns estudos já apontaram que a simples opção de trocar um muro de concreto por uma cerca viva seja o suficiente para trazer benefícios fisiológicos.
Ainda ponto de contemplação e tratamento, um estudo realizado por quase uma década na Pensilvânia, pelo arquiteto Roger S Ulrich, que se dedicou a entender a arquitetura e o design de saúde baseado em evidência, demonstrou que a vista da janela de um hospital voltada para um jardim pode ter efeitos positivos na melhora do paciente, diminuindo o tempo de estadia pós-cirurgia, a dor, o estresse e até os custos de saúde.
Para quem quer colocar a mão na massa, os benefícios da jardinagem ativa para a saúde mental e física também são estudados em diferentes áreas da saúde e também inclusos na rotina de clínicas de reabilitação, lares de idosos e hospitais.
O trabalho com plantas nesses ambientes traz alívio de estresse e promoção de prazer em idosos e pacientes com sintomas de sofrimento psicológico, além do efeito de exercício da cidadania, expressão de liberdade e convivência dos diferentes, essenciais para as atividades terapêuticas.
Quais benefícios traz à saúde a prática de jardinagem?

A pesquisa foi publicada na revista The Health, na edição de janeiro de 2023. Segundo os autores, alguns pequenos estudos já apontavam que as pessoas que trabalham no jardim tendem a comer mais frutas e vegetais, além de terem um peso mais saudável.
Mas apenas três eram estudos controlados, e nenhum sobre a jardinagem comunitária. A partir desse novo trabalho, os cientistas acreditam ter evidências concretas de que a prática em grupo pode auxiliar na prevenção do câncer, de doenças crônicas e de distúrbios de saúde mental.
“A atividade da jardinagem traz uma série de benefícios à saúde mental, ajuda a desenvolver habilidades pessoais, novos aprendizados, melhora o desenvolvimento cognitivo. Resgata a autonomia das pessoas, auxilia na resolução de problemas e na tomada de decisão.”
“Quando você faz isso em grupo você acrescenta o aspecto da socialização por poder fazer um trabalho compartilhado, coletivo, e isso aumenta a interação entre as pessoas”, destacou Eliseth Leão, pesquisadora do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein.
A especialista, que também é líder do grupo de Pesquisa e-Natureza — Estudos Interdisciplinares sobre a Conexão com a Natureza, Saúde, e Bem-Estar, complementa:
“Esse estudo é robusto e busca estabelecer de forma clara uma relação de causa e efeito entre a jardinagem e um estilo de vida mais saudável, especialmente ligado à alimentação. A maior importância desse resultado é reforçar a possibilidade da prática e a partir dessa evidência suscitar uma discussão para a implementação disso para um maior número de pessoas”, afirmou.
Evidências cientificas

Para chegar aos resultados, os pesquisadores recrutaram 291 adultos, com média de 41 anos, que não trabalhavam com jardinagem.
Metade do grupo recebeu a intervenção: uma horta comunitária gratuita, algumas sementes e mudas, além de um curso introdutório sobre jardinagem. A outra metade ficou no grupo controle, ou seja, não passou a ter contato com a atividade.
Ambos os grupos forneciam informações periódicas sobre a sua ingestão nutricional, sobre a saúde mental e faziam medições corporais. Após o período de intervenção, o grupo da jardinagem estava ingerindo em média 1,4 gramas a mais de fibras por dia (um aumento de 7%) em comparação com o grupo controle.
O consumo de fibras tem vários efeitos sobre a saúde: elas melhoram o trânsito intestinal, aumentam a sensação de saciedade, ajudam a diminuir a absorção de açúcares e gorduras e atuam no sistema imunológico.
Inclusive, a longo prazo, o hábito também é beneficial em redução de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até mesmo câncer de intestino. Conforme o estudo, é recomendada uma ingestão de 25 a 38 gramas por dia de fibras e ambos os grupos consumiam menos do que isso.
“Seria importante acompanhar esse grupo por mais tempo para ver se essa quantidade de ingesta
de fibras se mantém, se diminui ou se aumenta ainda mais para produzir de fato os benefícios para a saúde”, diz Leão.
Mais exercícios, menos estresse

Além do aumento do consumo de fibras, o grupo da jardinagem também acrescentou cerca de 42 minutos em prática de atividades físicas por semana, — sendo que o recomendado pelas sociedades médicas é fazer pelo menos 150 minutos semanalmente. Os autores apontam que visitando a horta de duas a três vezes na semana, 28% dessa recomendação era atingida.
Os participantes do grupo da jardinagem também relataram redução dos sintomas de ansiedade e estresse, além de terem aumentado a interação social, já que estavam em contato com outras pessoas ao ar livre.
Além disso, quem mora em cidades grandes, longe de possíveis locais onde possa ser instalada uma horta comunitária, não precisa desistir do processo.
Leão ressalta que o cultivo em vasos de algumas plantas comestíveis não convencionais (como ora-pro-nobis e taioba, por exemplo), além de uma série de temperos e pequenas hortaliças, por si só faz com que as pessoas pratiquem jardinagem, mexam com a terra e desenvolvam essa relação afetiva com as plantas.
“O simples fato de se mexer com a terra durante a jardinagem estimula o sistema imunológico também pelo contato com a série de bactérias que existem na terra e altera a microbiota intestinal. Isso também ajuda a reduzir o risco de doenças”, frisa a especialista.
Além disso, é uma atividade física que pode ajudar a melhorar a flexibilidade, a força e a resistência.
As tarefas envolvidas, como cavar, plantar e cuidar, podem ajudar a melhorar a saúde cardiovascular e respiratória. A jardinagem também pode ser uma atividade social, permitindo que as pessoas se conectem com outras pessoas que possuem o mesmo interesse. Os jardins comunitários, por exemplo, são uma ótima maneira de se conhecer novas pessoas em sua comunidade.
Por fim, ter plantas em casa pode ser uma maneira fácil e acessível de obter alguns dos benefícios da jardinagem. Um vasinho de alecrim ou lavanda, por exemplo, pode ser colocado na janela da cozinha ou no quarto e pode ajudar a melhorar o humor e a qualidade do sono.
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