
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um aumento de 10,18% na conta de luz da Enel. A decisão foi aceita por unanimidade na última terça-feira (30/6) e passa a valer a partir deste sábado (4/7).
Segundo a Aneel, a implementação das novas tarifas acontecerá na próxima fatura de clientes atendidos pela multinacional italiana em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo.
O movimento ocorre em meio a tensões entre Enel, governo do estado e prefeitura da Capital. Os dois entes públicos fizeram campanha pública contra a renovação do contrato da concessionária. O processo acontece na Aneel, que vê “problemas graves”. Em abril, o Ministério Público pediu intervenção na empresa. No mês anterior, a Enel acionou a Justiça para tentar suspender processo de caducidade.
Já para consumidores atendidos em baixa tensão, categoria que inclui residências, comércios e pequenas indústrias, o reajuste será de 8,97%.
Por outro lado, clientes e serviços ligados à alta tensão, como indústrias e empresas de grande porte, terão um acréscimo de 15%. No segmento residencial, a elevação será de 9,02%.
O aumento aprovado ficou mais de duas vezes acima da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A faixa deve ficar em 4,9% em 2026.
Por que a conta de luz ficou mais cara

Entre os principais fatores que causaram a tarifa estão encargos setoriais que somaram 1,03 ponto percentual ao reajuste. Isso foi impulsionado principalmente pela elevação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e dos Encargos de segurança do sistema elétrico (ESS/EER/ERCAP).
Ainda nesta linha, os custos de transmissão contribuíram com 1,34 ponto percentual. Este cenário é um reflexo do aumento da tarifa e do uso do sistema de transmissão (TUST), das receitas anuais permitidas e da ampliação da demanda contratada. Por fim, os custos de energia foram equivalentes a 0,97 ponto percentual.

A medida destaca componentes financeiros, responsáveis por adicionar 4,03 pontos percentuais ao aumento deste ano. Porém, o principal fator foi a Conta de Compensação de Valores da Parcela A (CVA), acrescentando 6,29 pontos.
O mecanismo é utilizado para compensar diferenças entre custos estimados e os efetivamente incorridos pela distribuidora com compra de energia, transmissão e encargos.Continua após a publicidade
A relatora do processo, Agnes da Costa, ainda explicou que o reajuste foi resultado de uma atualização dos custos das Parcelas A e B. De acordo com ela, a maior parte da alta decorre de custos que não permanecem com a distribuidora.
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