O aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel nas distribuidoras começa a valer em todo o país a partir deste sábado (15/3), em meio à alta do petróleo no mercado internacional e à preocupação com os impactos da escalada do combustível sobre a inflação e os custos de transporte no Brasil.

A elevação ocorre após semanas de forte volatilidade nos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pela possibilidade de interrupções no fluxo da commodity no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

No Brasil, o diesel tem peso relevante na economia por ser o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas. Com cerca de 60% da logística nacional dependente de rodovias, mudanças no preço do combustível tendem a se espalhar rapidamente por diversos setores produtivos.

Especialistas apontam que a alta do diesel pode pressionar o custo do frete e acabar sendo repassada ao preço final de produtos, principalmente alimentos, bens industriais e mercadorias de consumo básico.

Setor alerta que aumento de até 30% no diesel pode refletir nas prateleiras em até 20 dias por causa do transporte de mercadorias.

A recente alta no preço do diesel acendeu um alerta no setor supermercadista. Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), o impacto ainda não chegou às prateleiras, mas pode aparecer nas próximas semanas. O setor trabalha com estoques que variam, em média, entre 20 e 30 dias.

A preocupação ocorre em meio ao cenário de instabilidade internacional e à dependência do transporte rodoviário no Brasil para o abastecimento de alimentos e outros produtos.

Impacto

De acordo com a Apas, o aumento do diesel afeta diretamente toda a cadeia de abastecimento que leva produtos aos supermercados. “Sabemos que o país não é um país sobre trilhos e sim sobre rodas. Toda essa malha rodoviária sofre o reflexo do diesel.”

Alguns fornecedores de commodities, como o arroz, já estão refazendo cálculos por causa da incerteza no custo do transporte.

Apesar disso, os supermercados ainda não repassaram os aumentos aos consumidores, pois utilizam os estoques para segurar a inflação no curto prazo.

Estoques

O setor trabalha com estoques reguladores que ajudam a evitar reajustes imediatos nas prateleiras. No entanto, esse mecanismo tem limite, principalmente por se tratar de alimentos perecíveis.

Itens como arroz e feijão não podem permanecer armazenados por períodos muito longos, o que reduz a capacidade de formação de grandes estoques.

Por isso, caso o aumento no custo do diesel se mantenha, o reflexo pode aparecer nos preços dos produtos em um prazo estimado de 15 a 20 dias.

Pequenos mercados

Supermercados de menor porte podem sentir os efeitos do aumento de custos com mais rapidez. Isso ocorre porque esses estabelecimentos costumam trabalhar com estoques menores e reposição mais frequente.

Por outro lado, essa dinâmica também permite que os preços sejam ajustados mais rapidamente em caso de queda de custos.

O setor segue monitorando a situação e espera que a instabilidade internacional que influencia o preço do combustível seja reduzida, evitando um impacto maior no bolso do consumidor.

Impacto na inflação

A alta do diesel também levanta preocupações sobre os efeitos sobre a inflação. Isso porque o combustível faz parte do grupo de preços administrados que influenciam diretamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país.

Além do impacto direto nos combustíveis, o diesel tem forte efeito indireto sobre os preços, já que o transporte de cargas Brasil afora depende majoritariamente de rodovias.

Com isso, aumentos no combustível podem gerar um efeito em cadeia sobre a economia, pressionando custos logísticos e elevando o preço de produtos ao consumidor final.

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