A mais recente atualização mensal divulgada hoje (14) pelo Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, reforçou o cenário de rápida transição para um episódio de El Niño nos próximos meses com probabilidade de quase 100% do fenômeno até o fim de 2026.

O El Niño está surgindo de forma ainda mais rápida do que o previsto no Oceano Pacífico e as probabilidades indicam que ele pode se tornar historicamente forte — um raro “Super” El Niño — até o outono ou inverno.

Isso é o que aponta uma atualização recém-lançada pelo CPC (Centro de Previsão Climática) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), que afirma haver uma chance de 2 em 3 de que o pico de intensidade do El Niño seja forte ou muito forte.

O El Niño é um ciclo climático natural que ocorre quando o Oceano Pacífico tropical aquece o suficiente para desencadear mudanças nos padrões de vento em toda a atmosfera, o que gera um efeito cascata nas condições meteorológicas em todo o mundo.

Secas e ondas de calor podem prosperar em algumas regiões, aumentando o perigo de incêndios florestais e preocupações com o abastecimento de água, enquanto outras são atingidas por chuvas de inundação.

As projeções mostram que as águas de uma região estratégica do Pacífico Equatorial poderão atingir até 3°C acima da média até o fim do ano — um desvio considerado extremo pelos padrões climáticos.

Se confirmado, o fenômeno poderá se aproximar — ou até superar — os recordes históricos de 1877 e 2015, entrando na categoria dos chamados “super El Niño”.

Novos dados da NOAA indicam uma probabilidade real de que o planeta experimente um El Niño “forte” ou “muito forte” entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.

Este evento iminente está sendo comparado ao catastrófico ciclo de 1877, que desencadeou fomes e secas históricas responsáveis ​​por mais de 50 milhões de mortes em todo o mundo. Ao contrário do século XIX, no entanto, este fenômeno ocorrerá dentro de um sistema climático já superaquecido.

Especialistas observam que, como nossos oceanos e atmosfera estão significativamente mais quentes hoje, os extremos climáticos resultantes — de ondas de calor intensificadas a inundações devastadoras — podem superar qualquer coisa registrada na história moderna.

Os efeitos em cadeia de um “super” El Niño se estendem muito além do Pacífico tropical, muitas vezes desestabilizando mercados globais e infraestruturas críticas. Eventos climáticos de grande magnitude do passado, como o ciclo de 1997-1998, causaram prejuízos econômicos na ordem de dezenas de bilhões de dólares, além de elevar os preços dos alimentos e sobrecarregar o abastecimento de água.

Com as sociedades modernas já vulneráveis ​​à instabilidade política e a crises humanitárias, a chegada de uma força climática tão poderosa representa um risco enorme para a resiliência global. Pesquisadores estão monitorando atentamente os sinais de alerta à medida que o sistema se desenvolve, preparando-se para mudanças na atividade de furacões, nos riscos de incêndios florestais e na produção agrícola que podem impactar vários continentes simultaneamente.

Fonte: National Weather Service Climate Prediction Center. (2026). El Niño/Southern Oscillation (ENSO) Diagnostic Discussion. National Oceanic and Atmospheric Administration.

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