Estrutura clandestina na zona rural, às margens da Rodovia Limeira–Artur Nogueira, era usada para manipulação, armazenamento e distribuição de combustíveis adulterados

Uma operação realizada pela Polícia Civil em Limeira desmantelou, na última terça-feira (19), uma estrutura clandestina usada para adulteração de combustíveis. No local, foram apreendidos cerca de 293 mil litros de combustíveis e derivados, além da prisão em flagrante de quatro homens.

A ação foi conduzida por equipes do 3º Distrito Policial (DP) de Limeira, com apoio da Delegacia de Polícia de Iracemápolis (SP), após investigação que apontou que o imóvel vinha sendo utilizado como ponto clandestino de manipulação, armazenamento e distribuição de combustíveis em larga escala.

No interior do imóvel, foi abordado um motorista de 67 anos, que acabara de chegar com o conjunto veicular. Ele também admitiu que utilizava notas fiscais incompatíveis com o produto que transportava.

Durante as diligências, os policiais também encontraram um motorista de 55 anos dormindo no barracão enquanto aguardava o carregamento de combustível.

Na sequência, um homem de 38 anos chegou em um Mercedes-Benz C180. No porta-malas do veículo, os policiais encontraram diversas amostras de combustíveis acondicionadas para análise laboratorial.

O nome de Lins apareceu diretamente nas investigações após o depoimento de um dos motoristas presos, de 55 anos. Ele confessou que, há aproximadamente dois meses, realizava viagens sem documentação fiscal para descarregar o combustível adulterado em diversas cidades, entre elas Lins, Marília, Ribeirão Preto e Governador Valadares.

Estrutura para manipulação de combustíveis

Ainda conforme o boletim, o barracão possuía uma estrutura montada para preparação e alteração de combustíveis. Os policiais localizaram tanques subterrâneos, caminhões carregados, bombas de sucção, corantes químicos, kits de testes e grande quantidade de lacres usados para simular a integridade das cargas.

Durante depoimento, o jovem de 26 anos afirmou que era responsável pela logística e pela preparação técnica dos combustíveis, realizando misturas com gasolina, álcool anidro, nafta e outros derivados para ajustar características como densidade, combustibilidade e emissão de fumaça. Segundo ele, o trabalho incluía testes químicos e empíricos antes da liberação do produto para distribuição.

Ainda de acordo com o depoimento, ele recebia cerca de R$ 10 mil por mês para coordenar a operação e disse atuar no local havia entre dois e três anos. O investigado relatou que trabalhava para um empresário, apontado como proprietário da estrutura e de postos de combustíveis nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Até o momento, não foi divulgado quais postos de combustíveis teriam recebido a carga adulterada nas cidades citadas. O caso segue sendo investigado pelas autoridades.

Motoristas relataram transporte sem documentação fiscal

O motorista de 55 anos declarou que trabalhava no transporte de combustíveis desde 2017 e que, nos últimos dois meses, passou a realizar viagens com cargas sem documentação fiscal. Segundo ele, foram feitas entregas para cidades como Marília (SP), Ribeirão Preto (SP), Lins (SP), Governador Valadares (MG) e também para o Espírito Santo.

Já o motorista de 67 anos informou que havia sido apresentado ao grupo pelo colega e que realizava viagens remuneradas para transporte de gasolina e etanol. Ele afirmou que tinha conhecimento de irregularidades nas notas fiscais e que, em algumas situações, a documentação não correspondia ao produto transportado.

O homem de 38 anos optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Celulares e veículos apreendidos

Além dos 293 mil litros de combustíveis, a Polícia Civil apreendeu caminhões-tratores, semirreboques, automóveis, três bombas de sucção, corantes, lacres, instrumentos de análise química e aparelhos celulares. Os veículos foram removidos para o pátio da empresa União Resgate e permanecem à disposição da Justiça.

A perícia técnica foi acionada para analisar o imóvel e os combustíveis apreendidos. Conforme o boletim, uma análise preliminar dos celulares indicou conversas entre os investigados e o empresário citado como suposto líder do esquema.

Prisão em flagrante

Após a formalização do caso, os quatro homens — de 26, 38, 55 e 67 anos — permaneceram à disposição da Justiça e foram encaminhados para audiência de custódia.

Eles foram autuados por associação criminosa, prevista no artigo 288 do Código Penal, e por crime contra a ordem econômica, com base no artigo 1º da Lei nº 8.176/1991, que trata de atividades relacionadas à produção e comercialização irregular de combustíveis.

PERGUNTA QUE SE FAZ É; Qual foi a última vez que o PROCON realizou uma ação conjunta para fiscalizar a qualidade dos combustíveis em alguns postos de Marília ???

DIRETO DO PLANTÃO DE POLICIA

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