
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse à coluna “não” haver chances de a sigla trocar seu candidato ao Palácio do Planalto em 2026, após a divulgação de um áudio de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Na avaliação de Valdemar, o episódio não deve provocar um grande desgaste eleitoral ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Foi clara a justificativa dele”, disse o chefão do PL à coluna de Igor Gadelha.
Nos bastidores, porém, outras lideranças do PL reconhecem que o vazamento do áudio, confirmado pelo próprio Flávio em nota à imprensa, deve trazer danos políticos ao atual pré-candidato do PL.

A divulgação do áudio gerou forte repercussão no meio político e alimentou especulações sobre um possível troca de Flávio pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidata do PL à Presidência em 2026.
O áudio de Flávio a Vorcaro foi revelado pelo site The Intercept Brasil. Na gravação, o senador cobra do banqueiro o pagamento de patrocínio ao filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A cobrança de Flávio a Vorcaro divulgada pelo site teria ocorrido em 16 de novembro de 2025, um dia antes de o banqueiro ser preso pela primeira vez e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado.
Após áudio, Bolsonaro diz a Flávio que Michelle não é opção: ‘Nenhuma possibilidade’

‘Não existe nenhuma possibilidade de Michelle Bolsonaro ser candidata à Presidência’, avisou senador
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu o aval de Jair Bolsonaro logo após a divulgação de mensagens enviadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador negociou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, diretamente com o ex-banqueiro, preso pela Polícia Federal (PF), para financiar um filme sobre o ex-presidente. As informações sobre a conversa com o pai foram passadas por Flávio ao blog de Jussara Soares, da CNN Brasil.
“Estive com meu pai à tarde nesta quarta. Antecipei a ele que iriam explorar, de forma pejorativa e mentirosa, a questão do filme sobre a vida dele. Ele me disse para ficar firme, pois não havia absolutamente nada de errado com o filme e que nada melhor do que a verdade para esclarecer os fatos. Errado seria usar dinheiro público para isso, como faz o PT em prol de seu projeto de poder. Disse ainda que não existe nenhuma possibilidade de Michelle Bolsonaro ser candidata à Presidência, como alguns veículos de comunicação começaram a ventilar”, relatou.
Segundo o parlamentar, o ex-presidente o orientou a manter a postura firme e aproveitou para descartar qualquer possibilidade de Michelle Bolsonaro entrar na disputa pela Presidência.

Durante uma visita à residência do pai na última quarta-feira (13) — onde Jair cumpre prisão domiciliar por condenações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado —, Flávio alertou sobre o uso político que adversários fariam do caso do financiamento de um filme biográfico. Em seu relato, o senador afirmou que o ex-presidente defendeu a transparência do projeto, criticando o uso de verba pública para fins partidários, algo que atribuiu à gestão petista.
A controvérsia ganhou força após o site Intercept Brasil revelar que Flávio teria negociado um patrocínio de aproximadamente R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção de “Dark Horse”. Como resposta, o senador convocou sua equipe de campanha e esclareceu que o contato com o banqueiro ocorreu apenas em 2024, quando Bolsonaro já não ocupava a Presidência.
Flávio Bolsonaro reiterou a necessidade de uma CPI para investigar o Banco Master e enfatizou que sua atuação se limitou à busca por investimentos privados para o filme, sem qualquer utilização de recursos estatais ou da Lei Rouanet. Ele concluiu afirmando que não houve troca de favores ou intermediação de negócios governamentais, defendendo a legalidade de sua conduta como filho em busca de patrocínio para a história do próprio pai.
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