Com o objetivo de promover acolhimento, saúde e bem-estar, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Mulher (Semul), em parceria com a Secretaria da Saúde (SES), desenvolve um projeto inédito e pioneiro no município, o Movimento Mulher Plena 40+, criado para promover acolhimento, informação, cuidado e qualidade de vida às mulheres entre 40 e 59 anos que vivenciam o climatério e a menopausa.

A iniciativa busca oferecer informação, orientação e cuidados qualificados para essa fase da vida, por meio de uma equipe multidisciplinar composta por ginecologista, psicóloga, enfermeira, nutricionista, profissional de educação física, entre outros, proporcionando atendimento humanizado e ações voltadas à promoção da saúde, prevenção de agravos e melhoria da qualidade de vida.

Todas as atividades são gratuitas e têm como propósito ampliar o conhecimento das participantes sobre as mudanças físicas, hormonais e emocionais características do climatério e da menopausa, incentivando o autocuidado, a adoção de hábitos saudáveis e o fortalecimento da saúde física e emocional.

Como parte das ações desenvolvidas pelo projeto, as participantes contarão com acompanhamento médico especializado em climatério e menopausa, voltado à avaliação das alterações hormonais características dessa fase da vida. Esse acompanhamento poderá incluir, quando necessário, a solicitação de exames complementares e, mediante indicação clínica e avaliação médica individualizada, a terapia de reposição hormonal, proporcionando um cuidado integral, individualizado e baseado nas necessidades de cada mulher.

O Movimento Mulher Plena 40+ representa um importante avanço nas políticas públicas voltadas à saúde da mulher, fortalecendo a integração entre as Secretarias da Mulher e da Saúde e reafirmando o compromisso da Prefeitura de Sorocaba com a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida das mulheres sorocabanas.

Sorocaba passa a distribuir coletores de papanicolau para as próprias mulheres colherem o material

Sorocaba se tornou a primeira cidade do estado de São Paulo a adotar o rastreamento do câncer de colo de útero via SUS por meio de testes moleculares para o vírus HPV, o que inclui a estratégia de autocoleta realizada pelas próprias pacientes.

Diferente do método tradicional do Papanicolau, que coleta células do colo do útero em um exame físico invasivo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a nova tecnologia implementada pela prefeitura foca no rastreamento genético do vírus.

Como funciona o sistema

  • Dispositivo de autocoleta: As mulheres recebem um coletor especial (similar a um cotonete ou aplicador de absorvente interno) para colher a amostra vaginal sozinhas, com total privacidade, sem necessidade do espéculo ginecológico (“bico de pato”) no momento da coleta.
  • Análise por biologia molecular: O material colhido é enviado ao laboratório para um teste de DNA/PCR que identifica a presença de subtipos de HPV de alto risco antes mesmo que as lesões ou feridas apareçam no útero.
  • Acesso ampliado: A estratégia prioriza pacientes atendidas em estruturas como o Ônibus Rosa e o Centro Municipal de Atendimento Especializado (CMAE), focando principalmente em mulheres que enfrentam barreiras de acesso, dor ou resistência ao exame tradicional.
  • Periodicidade estendida: Caso o exame molecular dê negativo para o vírus, a paciente ganha maior espaçamento de tempo seguro entre os rastreios, ao contrário do Papanicolau tradicional que exige repetição anual.

A medida segue as diretrizes do Ministério da Saúde voltadas à modernização do rastreio do câncer uterino no Brasil. Vale ressaltar que a autocoleta molecular funciona como uma triagem poderosa de detecção do vírus, mas não substitui as consultas médicas ginecológicas regulares para avaliação geral da saúde da mulher.

Autocoleta: o rastreamento do futuro?

O câncer do colo do útero ainda é um grande desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Apesar da disponibilidade do exame de Papanicolau, a adesão ainda é insuficiente, levando a diagnósticos tardios e maior mortalidade.

 A autocoleta de material cervicovaginal para teste de HPV de alto risco oncogênico desponta como uma alternativa inovadora e promissora.

Evidências científicas

  • A sensibilidade da autocoleta para detecção de HPV de alto risco é semelhante à coleta realizada por profissional de saúde.
  • Há discreta redução na especificidade, mas sem impacto clínico relevante.
  • A aceitabilidade é muito alta, especialmente em mulheres que nunca participaram do rastreamento.
  • Estudos mostram que o envio de kits para uso domiciliar aumenta significativamente a adesão.

As Diretrizes Brasileiras de 2025 l atualizaram suas Diretrizes de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, incorporando o teste primário de DNA-HPV no SUS.

A autocoleta foi oficialmente reconhecida como ferramenta complementar, indicada principalmente para mulheres com barreiras de acesso ou resistência ao exame tradicional.

Implicações para a prática médica

A autocoleta não substitui a consulta ginecológica, mas amplia a cobertura de rastreamento. O papel do ginecologista é essencial para:

  • Orientar as pacientes sobre a técnica, seus benefícios e limitações.
  • Garantir seguimento adequado dos casos positivos (colposcopia, citologia, exames complementares).
  • Integrar a autocoleta em fluxos organizados de rastreamento, assegurando qualidade diagnóstica.

Principais vantagens

  • Maior aceitação pelas pacientes.
  • Simplicidade do procedimento (inclusive em domicílio).
  • Potencial para aumentar a cobertura de rastreamento e reduzir mortalidade.

Pontos de atenção

  • Resultados positivos exigem investigação adicional.
  • A consulta ginecológica segue indispensável para cuidado integral.
  • A implementação deve ocorrer em programas organizados, com protocolos bem definidos.

Conclusão

A autocoleta representa um marco no rastreamento do câncer do colo do útero. Ao facilitar o acesso e ampliar a adesão, aproxima o Brasil das metas globais da OMS e reforça o papel estratégico do ginecologista como protagonista na prevenção.

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