O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram a Operação Vérnix, com o objetivo de desmantelar uma complexa rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Como resultado, a advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi detida preventivamente, e uma nova ordem de prisão foi emitida contra o líder da facção, Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além de familiares.

As investigações indicam que uma empresa de transporte de cargas em Presidente Venceslau (SP) era utilizada como fachada para movimentar recursos ilícitos. Deolane teria recebido mais de R$ 1,7 milhão em transferências sem justificativa comercial ou legal, incluindo depósitos fracionados — prática conhecida como “smurfing” — realizados por Everton de Souza, o “Player”, que também foi preso.

Diante das evidências de ocultação de patrimônio e conexões internacionais, a Justiça determinou o confisco de 39 carros de luxo e o bloqueio de R$ 357,5 milhões dos investigados. Desse total, R$ 27 milhões estariam diretamente ligados a bens sem comprovação atribuídos à influenciadora. Deolane Bezerra já foi presa três vezes, conforme informações que circulam sobre o caso.

Deolane funcionava como ‘caixa’ do crime organizado, aponta a PC

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra funcionava como uma espécie de “caixa” do Primeiro Comando da Capital (PCC), apontou a investigação realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil de São Paulo (PCSP).

Por ser uma figura pública muito famosa, Deolane era usada para “esconder” os depósitos de valores ilícitos do PCC. Integrantes da organização depositavam os valores nas contas dela, o valor “se misturava” com outras atividades e, com isso, os recursos retornavam ao crime organizado.

Investigação começou em 2019

A apuração começou em 2019, quando a polícia apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois detentos. O material indicava a dinâmica interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos.

A partir dessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos, que aprofundaram gradualmente a estrutura criminosa investigada.

Ainda segundo a PC, os bilhetes indicavam repasses financeiros para diferentes contas, sendo duas delas ligadas ao nome de Deolane.

Deolane abriu 35 empresas fantasmas para lavar dinheiro do PCC, diz polícia

Presa nesta quinta-feira (21), Deolane Bezerra é investigada por abrir 35 empresas de fachada no mesmo endereço para suposta lavagem de dinheiro, segundo a Polícia Civil de São Paulo. Em coletiva, os investigadores afirmaram que a advogada é suspeita de integrar um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital.

De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais alvos da facção há pelo menos 20 anos, Deolane passou a ser investigada após a apreensão de bilhetes manuscritos dentro do sistema prisional. O material deu origem à investigação do suposto esquema milionário.

Um vídeo registrou o momento em que Deolane chegou à delegacia da Polícia Civil de São Paulo. Segundo os investigadores, ela não foi presa no aeroporto para não comprometer o cumprimento de outras prisões realizadas nesta quinta-feira (21).

Deolane deve prestar depoimento enquanto a polícia analisa o material apreendido. A expectativa é que ela seja transferida para a Penitenciária Wellington Rodrigo Segura, conhecida como Penitenciária de Presidente Prudente.

Deolane prestará depoimento após PC analisar material apreendido

A influenciadoria digital e advogada Deolane Bezerra, presa nesta quinta-feira (21), prestará depoimento apenas depois que a Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) analisar o material apreendido durante a Operação Vérnix, deflagrada em apoio com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Deolane estava há semanas em Roma, na Itália, e era considerada foragida internacional, mas retornou ao Brasil na tarde de quarta-feira (20). Ela foi presa em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.

De acordo com promotor Lincoln Gakiya, responsável pela operação no MPSP, a influenciadora ainda tinha hotel reservado até o dia 28 de maio, mas se antecipou e retornou ao Brasil.

A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e mira, ainda, Marcos Herbas Camacho (Marcola), que já está preso; Alejandro Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, irmão e sobrinhos do líder da facção, respectivamente; além de Everton de Souza, vulgo “Player”.

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