O aumento da demanda e a oferta restrita de ovos têm causado uma alta significativa nos preços da proteína no mercado brasileiro. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o preço dos ovos de galinha subiu até 40% no atacado nesta semana. A associação alertou que este reajuste pode afetar o consumo, que já enfrenta uma inflação generalizada dos alimentos.

Marcio Milan, vice-presidente da Abras, destacou que o setor está monitorando a situação e que, apesar de as empresas já estarem programando o abastecimento para a demanda sazonal da Quaresma, a escassez e os aumentos sucessivos de preços geram preocupações nos supermercados. “Além disso, os consumidores têm recorrendo mais aos ovos de galinha devido à alta das outras proteínas”, comentou Milan.

Outro fator que tem impactado o bolso do consumidor é a redução do tamanho dos ovos. Uma nova classificação aprovada pelo Ministério da Agricultura diminuiu o peso médio do produto em quase 10 gramas por unidade, prejudicando o custo-benefício para quem opta pelo alimento mais acessível diante da alta das carnes.

Em termos de comparação internacional, os Estados Unidos também enfrentam um aumento drástico no preço dos ovos. No país, a gripe aviária matou milhões de galinhas, fazendo os preços subirem mais de 15% em janeiro, o maior avanço desde 2015, segundo dados do US Bureau of Labor Statistics. A escassez levou algumas famílias a adotarem a criação de galinhas em casa para garantir o abastecimento do produto.

O fenômeno global reflete uma tendência de alta nos preços de diversas proteínas, como acém, patinho e filé-mignon, que, no Brasil, tiveram aumentos superiores a 20%. No entanto, mesmo com o aumento dos preços dos ovos, a alta no Brasil foi de apenas 0,89% neste ano. O impacto na inflação e no consumo, porém, já começa a ser sentido, com a população sendo forçada a repensar suas escolhas alimentares diante da alta dos preços.

No ano passado, houve crescimento no número de galinhas poedeiras e na oferta de ovos. De acordo com dados do IBGE, de junho a setembro, o aumento de galinhas foi de 1,4%. Dos ovos, de 3%.

Com o bife mais caro, muita gente buscou a fonte de proteína nos ovos. Outro motivo pelo aumento no preço pode ter sido o aumento no poder de compra do brasileiro, que cresceu nos últimos meses, o que elevou a demanda. 

Além disso, o custo de produção por causa da ração também impactou no preço dos ovos. As altas temperaturas e o aumento de 22% na exportação em janeiro, comparado ao mesmo período do ano passado, também foi influenciou. 

Os Estados Unidos aumentaram a compra dos ovos brasileiros em um terço, cerca de 33%. Por lá, o setor precisou abater milhões de aves por causa da gripe aviária, que atingiu as granjas produtoras. 

Em meio a esse cenário, a partir de março, os ovos vendidos ao consumidor terão que conter, na casca, informações como data de validade e registro do produtor. 

Independentemente do preço, o ovo tem aumentado a presença na mesa. Na média, cada brasileiro consumiu 242 unidades em 2023. No passado, o consumo, por pessoa, subiu para 269 ovos. 

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