
O aumento da solteirice reflete uma mudança cultural e demográfica profunda: o Brasil já reúne cerca de 81 milhões de pessoas solteiras, superando o número de casados. Essa tendência é impulsionada pela busca por independência financeira, valorização da saúde mental e novas prioridades de estilo de vida.
Desde 2022, o ditado “melhor sozinho do que mal acompanhado” prevaleceu no lugar do “até que a morte nos separe” e a quantidade de solteiros superou a dos casados (63 milhões), segundo o Censo do IBGE.
Esse aumento expressivo — que é observado no Brasil e no mundo —, no entanto, não significa necessariamente uma sociedade mais cética acerca de
compromissos afetivos.

Uma pesquisa realizada pelo app de relacionamentos Happn apontou que 27% dos 2 mil brasileiros consultados pretendem focar na vida amorosa em 2026. E, dentro desse recorte, 62% procuram por relacionamento sério.
Dados divulgados pela Happn demonstram que, no Brasil, 38% dos solteiros expressam uma “esperança renovada” no amor, embora 58% digam preferir se manter realistas.
Ainda segundo a empresa, os solteiros já cansaram da “cultura da ficada” e dos sinais confusos, optando por se reconectar com uma forma de romance mais sincera. Esta tendência é sobre reinventar o futuro dos relacionamentos com um romantismo lúcido, priorizando a sinceridade em vez da perfeição.
Uma das principais razões para isso, de acordo com o aplicativo, é a cultura pop, com o ressurgimento das comédias românticas e os reality shows de namoro se tornando laboratórios sociais que os solteiros adoram acompanhar.
Já para o Tinder, os jovens solteiros chegarão a 2026 mais abertos do que nunca: escolherão a honestidade, se reconhecerão emocionalmente disponíveis e deixarão para trás os sinais contraditórios. O drama sai de cena, dando lugar à transparência nas intenções e à redescoberta da leveza de se conectar.
De acordo com o aplicativo, a maioria dos usuários considera que o elemento mais urgente nos encontros hoje é a abertura emocional: 64% acreditam que estar disponível afetivamente faz toda a diferença. Para 60%, deixar claro o que se busca — seja algo sério, casual ou apenas conhecer gente nova — é essencial para evitar ruídos.
Esse foco na autenticidade se reflete em outro dado: 73% dizem reconhecer o interesse por alguém quando percebem que conseguem ser totalmente eles mesmos ao lado da pessoa.
A tecnologia também entra em cena nessa nova dinâmica. Nada menos que 76% afirmam que recorreriam à inteligência artificial para melhorar sua experiência nos apps. As funcionalidades preferidas? Ideias criativas para encontros (39%), ajuda para escolher as melhores fotos (28%) e sugestões de frases para a bio (28%).

Enquanto isso, o Gleeden realizou um estudo entre usuários do Brasil e da Espanha e encontrou resultados muito próximos entre os dois países. A maioria, 64%, ainda não vê a inteligência artificial como um espaço mais fácil para expressar emoções do que uma conversa humana, evidenciando cautela em atribuir profundidade afetiva a esse tipo de interação.
Ainda assim, há uma parcela significativa que demonstra abertura para experimentar esse tipo de troca: 36% dos brasileiros e 36% dos espanhóis escolheram respostas intermediárias, como “sim”, “às vezes” ou “muito raramente”. Esses números revelam uma curiosidade crescente sobre o papel da IA nas confidências e na vida sentimental.
Namoros com “patrocínio” crescem no Brasil e atraem milhões de solteiros
O aumento do número de solteiros no Brasil tem impulsionado novas formas de relacionamento, entre elas os chamados relacionamentos com benefícios ou de “patrocínio”, baseados em acordos claros, alinhamento de expectativas e objetivos em comum. Dados recentes mostram que esse modelo vem ganhando espaço em diferentes regiões do país, especialmente entre pessoas que buscam conexões consideradas mais práticas e transparentes.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil reúne atualmente cerca de 81 milhões de solteiros, número superior aos aproximadamente 63 milhões de casados. O movimento acompanha uma tendência global. De acordo com a consultoria Euromonitor International, os solteiros já superam os casados na América do Norte e na Europa, e a expectativa é de que esse grupo cresça mais de 20% em todo o mundo até 2040.
Nesse contexto, cresce o interesse por formatos de relacionamento que priorizam autonomia e definição prévia de expectativas. Um dos modelos que tem ganhado visibilidade é a hipergamia, caracterizada pela busca de parceiros que possam proporcionar compatibilidade de estilo de vida, estabilidade e objetivos alinhados.
“Hoje, muitas mulheres analisam diferentes aspectos antes de iniciar um relacionamento. Não se trata apenas de afinidade emocional, mas também de qualidade de vida, segurança e perspectivas para o futuro”, afirma Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio.

Estados lideram interesse por relacionamentos mais objetivos
Levantamento realizado pelo MeuPatrocínio aponta que São Paulo concentra o maior número de usuários cadastrados na plataforma, com mais de 5 milhões de perfis ativos. O estado lidera o ranking nacional, refletindo o perfil de uma população urbana que valoriza praticidade e experiências alinhadas ao seu estilo de vida.
Na sequência aparece o Rio de Janeiro, com mais de 2 milhões de usuários. Segundo a plataforma, o estado registra crescimento consistente de pessoas que associam relacionamentos à busca por estabilidade emocional, financeira e bem-estar.
Santa Catarina também se destaca no levantamento, com quase 1 milhão de usuários e um dos maiores índices de novos cadastros. O crescimento é atribuído a um público interessado em relações com menos burocracia e maior clareza quanto às expectativas.
Mudanças de comportamento impulsionam tendência
Especialistas apontam que o avanço desses modelos está relacionado às transformações no comportamento afetivo da sociedade. Entre os fatores estão o desgaste com relacionamentos considerados tradicionais, o aumento da valorização da saúde mental e a busca por relações mais transparentes.
“A nova geração demonstra maior preocupação com responsabilidade emocional e comunicação clara. Isso tem levado muitas pessoas a optarem por modelos de relacionamento mais diretos e alinhados aos seus objetivos pessoais”, explica Bittencourt.
Segundo ele, homens mais maduros também têm buscado esse tipo de conexão após experiências anteriores consideradas desgastantes. “Muitos procuram relações mais leves, sem jogos emocionais, enquanto valorizam a companhia de mulheres independentes e determinadas”, conclui.


