Toda ação gera uma reação e quando são impensadas quem paga a conta é justamente a classe trabalhadora. Mal entrou em vigor o Tarifaço de Donald Trump, e os empresários já começam a tomar medidas para amenizar os prejuízos.

Começamos com a indústria Millpar, que fabrica produtos à base de madeira, decidiu dar férias coletivas a 640 funcionários da unidade de Guarapuava, na região central do Paraná.

Todos são de setores atrelados à manufatura de produtos exportados e entraram em férias na segunda-feira (14), por um período de 15 dias. Segundo a assessoria da empresa, a medida pode ser estendida a mais trabalhadores, “dependendo do desenrolar da situação nos próximos dias”.

A assessoria destaca que a produção da Millpar é direcionada para exportação, sendo os Estados Unidos o maior mercado consumidor – e justifica que, devido ao “tarifaço” anunciado pelo presidente Donald Trump, os ajustes na produção são “medidas estratégicas para preservar a companhia e garantir o avanço sustentável de suas operações a longo prazo”.

No dia 9  de julho, Trump anunciou que, a partir de agosto, todos os produtos brasileiros exportados ao país norte-americano serão taxados em 50%. A notícia preocupou empresários de diversos setores, e gerou diversas reações. No caso da Millpar, 57,7% dos trabalhadores foram submetidos às férias coletivas.

A empresa possui, no total, 1.109 funcionários nas duas unidades, que ficam em Guarapuava e Quedas do Iguaçu. Segundo a assessoria de imprensa, a medida foi aplicada, inicialmente, apenas na unidade de Guarapuava.

Em nota, o CEO, Ettore Giacomet Basile, disse que as decisões estão sendo tomadas com base em dados concretos, visão de longo prazo e foco na sustentabilidade do negócio.

“Ressaltamos que os setores administrativos seguem operando normalmente, assegurando a continuidade das atividades e o suporte a clientes e parceiros. Nossa gestão está acompanhando de perto essa movimentação global. Todas as decisões são orientadas por estudos e avaliações do mercado, sempre com prudência e respeito às pessoas que constroem a história da Millpar”, destaca Ettore Giacomet.

A reportagem questionou a assessoria de imprensa se a empresa já sofre, de fato, os efeitos do tarifaço – como se alguma negociação com importadores foi suspensa, por exemplo -, mas não obteve resposta.

Setor madeireiro

A Millpar produz itens à base de madeira, como molduras, rodapés, forros, painéis para embalagens, componentes para escadas, janelas e móveis, entre outros.

De acordo com estimativas da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), o Paraná é um dos principais exportadores de produtos de madeira para os Estados Unidos.

O setor madeireiro gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, considerando os trabalhadores florestais e os que atuam em indústrias do segmento, aponta a associação.

A entidade também afirma que, em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 627 milhões em produtos florestais. Entre os principais, estão as molduras de madeira, como as da BrasPine, paineis compensados, madeira cerrada e diferentes tipos de celulose, por exemplo.

Indústria BrasPine do Paraná anuncia férias coletivas para 700 funcionários devido ao tarifaço

A indústria BrasPine, que trabalha com madeira, anunciou uma redução nas próprias operações e a concessão de férias coletivas para 700 funcionários da fábrica de Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná.

Os trabalhadores serão divididos em duas turmas: a primeira sai de férias no dia 28 de julho, por 30 dias, e a outra tira os 30 dias quando os primeiros retornarem.

A justificativa é a taxa de 50% que será aplicada a produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos a partir de agosto. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump em 9  de julho, Trump e também preocupa outros setores produtivos do Paraná.

A assessoria de imprensa da BrasPine explica que a indústria trabalha com três segmentos de negócio: mouldings (molduras de madeira), pellets de madeira (uma espécie de pino, feito de subprodutos, que funciona como biocombustível) e florestal (plantação de árvores para uso como matéria-prima).

Quase toda a produção de molduras da empresa é destinada à exportação. De acordo com a assessoria, grande parte vai para os Estados Unidos; por ser uma empresa de capital fechado, números não foram revelados. Os pellets também são exportados; no entanto, a maior parte da produção vai para a Europa, e a venda no mercado nacional é expressiva.

Devido à presença no mercado internacional e frente ao tarifaço de
Trump, a empresa optou por tomar algumas medidas emergenciais, “com foco na adequação da capacidade produtiva e na sustentabilidade do negócio”, como justifica.

“Entre essas ações estão a concessão de férias coletivas na unidade de Jaguariaíva (PR) e o reforço nas práticas de controle orçamentário, com priorização de investimentos essenciais e atenção rigorosa à gestão financeira. Essas decisões fazem parte de um plano operacional construído com base em análises de riscos e cenários prospectivos, e foram desenhadas justamente para possibilitar respostas rápidas e estruturadas em situações de alta volatilidade econômica”, explica.

De acordo com estimativas da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), o Paraná é um dos principais exportadores de produtos de madeira para os Estados Unidos.

O setor madeireiro gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, considerando os trabalhadores florestais e os que atuam em indústrias do segmento, aponta a associação.

A entidade também afirma que, em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 627 milhões em produtos florestais. Entre os principais, estão as molduras de madeira, como as da BrasPine, paineis compensados, madeira cerrada e diferentes tipos de celulose, por exemplo.

A BrasPine informa que possui, ao todo, cerca de 2,5 mil funcionários. São 1,2 mil em Jaguariaíva, 1,1 mil em Telêmaco Borba, também nos Campos Gerais, 150 trabalhadores florestais e mais 50 nos escritórios que a empresa possui em Curitiba e Porto Alegre.

A princípio, as férias coletivas foram anunciadas apenas para 700 trabalhadores de Jaguariaíva. Parte deles entrará em férias no dia 28 de julho, por 30 dias, e quando eles retornarem o restante sai por 30 dias.

“Nós temos nossos compromissos com os clientes, pedidos a ser produzidos, então não poderíamos parar as duas fábricas; por isso, estamos fazendo as férias em Jaguariaíva, dividindo em duas turmas. […] Ou seja, a fábrica de Telêmaco Borba, por agora, não tem impacto, e a de Jaguariaíva continua operando com quadro reduzido em função da escala de férias”, explicou a empresa .

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