
Na última sessão camarária, um pequeno embate passou desapercebido pelo povo, mas não pelas lentes do NOSSO JORNAL, que ouviu atentamente os posicionamentos dos vereadores envolvidos sobre o tema, MARÍLIA, CAPITAL NACIONAL DO ALIMENTO. A PERGUNTA QUE FICOU NO AR FOI; QUAL ALIMENTO?
Tudo começou quando do anúncio feito pelo vereador Galdino da Unimar sobre uma notícia enviada pelo deputado Ricardo Alves de Sousa, popular Ricardo Parente, que lhe teria informado via aplicativo de mensagem que o mesmo seria relator do pedido feito pela câmara municipal de Marília, pela vereadora Rossana Camacho e o nobre edil, considerando a cidade como capital nacional do alimento e da ciência e inovação.
O informe acabou gerando um debate de ideias, com direito a réplica e tréplica envolvendo o vereador Agente Federal Fefin e a vereadora autora da solicitação, Delegada Rossana Camacho. O nobre edil se posicionou contrário afirmando que a cidade fabricava alimentos proibidos e a nobre legisladora defendeu-se utilizando como argumento principal o alimento inicial, o leite materno e o banco de leite.
Vale lembrar que a maioria das cidades de médio possui um banco de leite. Tem cidades que não possuem banco de leite, mas possuem postos de coleta de leite humano. O Brasil como um todo é considerado a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo, sendo uma referência internacional de qualidade para a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas vamos se aprofundar no assunto;
A alimentação está entre um dos principais pilares da saúde. Os alimentos são a maior e melhor fonte de nutrientes essenciais para o bom funcionamento do corpo e, consequentemente, contribuem para uma maior qualidade de vida e bem-estar. Por esse motivo é tão importante ter uma alimentação adequada e saudável. É a partir desse hábito que começa a prevenção de doenças como: hipertensão arterial, diabetes, obesidade, câncer, entre outras.
Uma alimentação adequada e saudável, com base nas recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira , produzido pelo Ministério da Saúde, orienta que se dê sempre preferência aos alimentos in natura ou minimamente processados e às preparações culinárias no lugar dos alimentos ultraprocessados. Sendo que os alimentos in natura ou minimamente processados, em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, devem ser a base da alimentação.
Os alimentos in natura ou minimamente processados podem ser incluídos nas três principais refeições do dia: café da manhã, almoço e jantar. Com relação ao café da manhã, a variedade é grande, incluindo o consumo de preparações à base de cereais ou de tubérculos e o consumo de ovos. As combinações devem refletir a variedade e preferências regionais exemplificadas como a inclusão do cuscuz e da tapioca. Conheça algumas opções de cardápio:

Já no almoço e no jantar, o Guia Alimentar para a População Brasileira incentiva que a combinação de arroz e feijão esteja sempre presente. Os legumes e as verduras podem ser inseridos no cardápio na maior variedade possível, incluindo a preparação de diversas formas aumentar e diversificar o consumo desses alimentos (crus em saladas ou em preparações cozidas ou refogadas) e as frutas podem entrar nas saladas ou como sobremesa.


Além de beneficiar a saúde, você sabia que optar pela comida de verdade também garante impactos positivos em outros aspectos? O consumo de arroz, feijão, milho, mandioca, batata e vários tipos de legumes, verduras e frutas tem como consequência natural o estímulo da agricultura familiar e da economia local.
COMO PODEMOS VER, NÃO HÁ SEGUNDO ORIENTAÇÕES DO PRÓPRIO MINISTÉRIO DA SAÚDE, INDICATIVOS DE DOCES, BOLACHAS, BISCOITOS E BALAS E SORVETES.
Sobre o Guia Alimentar do Ministério da Saúde
O Guia Alimentar para a População Brasileira é um instrumento para apoiar e incentivar práticas alimentares saudáveis no âmbito individual e coletivo. Foi feito para todos os brasileiros e brasileiras! Ele reúne um conjunto de informações e recomendações sobre alimentação que contribuem para a promoção da saúde de pessoas, famílias e comunidades e da sociedade como um todo, hoje e no futuro. Acesse agora para consultar todas as orientações e garantir mais saúde e qualidade de vida.
Médicos e órgãos de saúde são unânimes sobre a importância de se “alimentar bem”, mas, afinal, o que é alimentação saudável? Em um mundo cada vez mais corrido, a tendência é fazermos escolhas nem sempre saudáveis, muitas vezes, sem nos darmos conta disso, mas é preciso mudar para ter mais qualidade de vida.
Bem, vamos começar pelo simples. Um dos aspectos primordiais da alimentação saudável é a ingestão de verduras, legumes e frutas. Conforme recomendação da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 do IBGE, o ideal seria uma frequência de pelo menos 25 vezes por semana, mas não é só isso.

O que é alimentação saudável
A alimentação saudável consiste no cardápio ou na dieta que prioriza os grupos alimentares que fazem bem para a saúde do ser humano, sendo:
- frutas;
- verduras;
- legumes;
- leguminosas;
- sementes;
- cereais integrais;
- proteínas magras;
- gorduras boas (Insaturadas).
Ao mesmo tempo, devemos minimizar o consumo de alimentos relacionados a doenças como diabetes, hipertensão, complicações cardiovasculares. Alguns desses alimentos são:
- aqueles açucarados artificialmente;
- ricos em sódio;
- gorduras saturadas;
- frituras;
- carnes processadas;
- alimentos industrializados;
- refrigerantes;
- fast food.
AQUELA QUE ESTÁ SENDO CONSIDERADA A GRANDE CONQUISTA, nada mais é do que um reconhecimento pelas indústrias da cidade que fabricam alimentos proibidos até na rede municipal de ensino. São os chamados alimentos ultraprocessados.
De uma forma rápida podemos dizer que os alimentos ultraprocessados são produtos industriais feitos com substâncias artificiais ou extraídas de alimentos, como emulsificante, corante, aromatizante, açúcar e gordura hidrogenada. Esses alimentos geralmente são saborosos, práticos e têm baixo custo.
Alguns exemplos de alimentos ultraprocessados são macarrão instantâneo, cereais matinais, molhos prontos, iogurtes adoçados, refrigerantes, biscoitos, refeições do tipo fast food, bebidas energéticas e salgadinhos de pacote.
Por geralmente serem pobres em nutrientes essenciais e ricos em calorias, açúcar, gordura e aditivos químicos, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode favorecer o surgimento de situações como deficiências nutricionais, obesidade e diabetes tipo 2.
In natura, processados, ultraprocessados: conheça os tipos de alimentos

Saiba como são classificados os tipos de alimentos e mire naqueles que podem contribuir para uma boa nutrição. Mesmo comendo fora, é possível fazer boas escolhas na hora de montar o prato.
Alimentos in natura
A escolha mais saudável na montagem do cardápio. São aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais para o consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração. Entram nesta categoria folhas, frutas, verduras, legumes, ovos, carnes e peixes.
Alimentos minimamente processados
Outra opção saudável para montar o seu prato. São aqueles submetidos a algum processo, mas que não envolvam agregação de substâncias ao alimento original, como limpeza, moagem e pasteurização. Dois exemplos de alimentos minimamente processados estão sempre presentes na mesa do brasileiro: o arroz e o feijão. Lentilhas, cogumelos, frutas secas, sucos de frutas sem adição de açúcar, castanhas e nozes sem sal, farinhas de mandioca, de milho, de tapioca ou de trigo, e massas frescas também entram nesta categoria.
Alimentos processados
São aqueles fabricados pela indústria com a adição de sal, açúcar ou outro produto que torne o alimento mais durável, palatável e atraente. São os casos das conservas em salmoura (cenoura, pepino, ervilhas, palmito), compotas de frutas, carnes salgadas e defumadas, sardinha e atum em latinha, queijos feitos com leite, sal e coalho, e pães feitos de farinha, fermento e sal. Por terem adição de sal, gordura e açúcar, podem fazer parte do prato desde que em pequenas quantidades e como parte de uma refeição baseada em alimentos in natura e minimamente processados.
Alimentos ultraprocessados
São formulações industriais, em geral, com pouco ou nenhum alimento inteiro. Esse tipo de alimento sempre contém aditivo, como é o caso das salsichas, biscoitos, geleias, sorvetes, chocolates, molhos, misturas para bolo, barras energéticas, sopas, macarrão e temperos instantâneos, salgadinhos chips, refrigerantes, produtos congelados e prontos para aquecimento como massas, pizzas, hambúrgueres e frango empanado.
Conheça algumas denominações semelhantes e específicas

A “capital do arroz” não é um título único, mas sim uma denominação dada a diferentes cidades por motivos distintos. Uruguaiana (RS) é frequentemente chamada de “capital do arroz” por ser o município que mais produz o grão no país, segundo o IBGE. Outras cidades, como Santa Cruz do Rio Pardo (SP), são reconhecidas pela importância de sua indústria de beneficiamento, mesmo sem grandes lavouras locais, e são chamadas de “capital do arroz” estadual por lei.
Paracatu (MG) é a capital nacional do feijão. Embora Irecê (BA) já tenha sido chamada de “capital do feijão”, hoje a maior produção do país se encontra no estado do Paraná
A capital nacional do leite é Castro, no Paraná, que recebeu o título por meio da Lei Federal nº 13.584 de 2017. A cidade é reconhecida como a maior bacia leiteira do Brasil, destacando-se pela alta produção, inovação e tecnologia no setor, que incluem o cultivo de pastagens de alta qualidade e uma média de produtividade por animal significativamente maior que a média nacional.
A “capital da carne bovina” no Brasil pode se referir a diferentes aspectos: Mato Grosso é o maior estado produtor de carne, enquanto São Félix do Xingu (PA) é o município com o maior rebanho. Já Araçatuba (SP) é conhecida como a “Capital do Boi Gordo”, e Bagé (RS) é reconhecida como a capital do churrasco, um título cultural ligado à carne.
Salitre (CE) é a cidade mais conhecida como a “Capital da Mandioca”, principalmente no Nordeste, por sua forte produção e tradição com o cultivo. No entanto, a cidade de Acará (PA) é o maior produtor de mandioca do Brasil em termos de volume e produção total. Outra cidade reconhecida, mas especificamente pela produção de farinha, é Cruzeiro do Sul (AC), que foi nomeada “Capital Nacional da Farinha de Mandioca”.
A “capital do ovo” no Brasil pode se referir a duas cidades distintas: Santa Maria do Jetibá (ES), reconhecida por sua alta densidade de produção por habitante, e Bastos (SP), por ser a maior produtora nacional de ovos e sede de uma grande festa do ovo. A escolha do título depende da perspectiva, mas ambas são reconhecidas por sua forte indústria avícola.
A capital nacional do milho é Patos de Minas (MG), que ostenta esse título pelo forte vínculo histórico e cultural com o cultivo do grão. Além disso, outros municípios têm títulos específicos, como Floresta (PR), conhecida como a capital do milho safrinha, e Capela do Alto (SP), apelidada de “capital do milho verde”.
A capital da melancia no Brasil é Uruana, em Goiás, conhecida como a “Capital Brasileira da Melancia”. A cidade é a maior produtora da fruta no país, abastecendo tanto o mercado nacional quanto o internacional, e se destaca pela tecnologia de cultivo e qualidade da produção.
A capital da laranja no Brasil é Limeira, localizada no interior de São Paulo. A cidade é conhecida por seu papel pioneiro e significativo na produção e comercialização da fruta, sendo um importante polo para a citricultura nacional, que por sua vez é responsável por cerca de 80% da produção brasileira de laranja.
A “capital da banana” no Brasil pode se referir a diferentes títulos, dependendo do contexto: Antonina (PR) é a Capital Nacional da Bala de Banana. Já Corupá (SC) é conhecida como a capital da banana do estado, com o título de Capital Catarinense da Banana, e reivindica a banana mais doce do Brasil. Para a produção, o maior produtor individual é Santa Maria da Boa Vista (PE), que lidera a produção nacional de banana.
Não existe uma única “capital do café” no Brasil, mas várias cidades recebem esse título devido à sua forte produção ou história cafeeira. Três Pontas (MG) é o maior produtor nacional, enquanto Londrina (PR) é conhecida como “capital do café” desde as décadas passadas devido à intensa produção da época, e Taquaritinga do Norte (PE) também é chamada de “capital do café”. Belo Horizonte (MG) é chamada de “capital mundial do café” em eventos recentes devido à relevância de Minas Gerais, o principal estado produtor.
- Três Pontas (MG): É o maior produtor de café do país.
- Londrina (PR): Ganhou o título “capital do café” nas décadas de 1960 e 1970, quando o Paraná respondia por cerca de 50% da produção nacional.
- Taquaritinga do Norte (PE): É popularmente conhecida como a “capital do café”.
- Belo Horizonte (MG): Recentemente, tem sido promovida como a “capital mundial do café” em eventos, devido à produção expressiva do estado de Minas Gerais, responsável por cerca de 50% do café brasileiro.
- Outras cidades: Várias cidades em diferentes estados, como Monte Sanyo de Minas (MG) e Cacoal (RO), também são conhecidas regionalmente como “capitais do café” ou “terra do café” por suas lavouras.
A capital nacional do doce no Brasil é Pelotas, no Rio Grande do Sul. A cidade recebeu o título oficialmente em 2024, devido à sua rica e centenária tradição na produção de doces finos e coloniais.
A capital do sorvete no Brasil é Itápolis, localizada no interior de São Paulo. A cidade conquistou esse título por sua forte tradição na fabricação de sorvetes artesanais, impulsionada pela colonização de italianos da região do Vêneto, conhecida como o berço dos sorveteiros.
A capital estadual do biscoito no Brasil é Vitória da Conquista, na Bahia, reconhecida oficialmente pela Assembleia Legislativa da Bahia devido à sua forte tradição e alta produção do doce. A cidade é conhecida tanto por seus biscoitos e sequilhos quanto por seu clima agradável e a produção de café.
A “capital da bolacha no Brasil” pode ser considerada tanto Marília, como a “Terra da Bolacha” por sua grande produção artesanal, quanto São Martinho (SC), que defende o título de “Capital Nacional da Bolacha Decorada Artesanalmente”. Outras cidades, como Vitória da Conquista (BA), também possuem o título de “Capital Estadual do Biscoito”, demonstrando que há diferentes “capitais” regionais.
Como podemos notar no encerramento desta importante matéria para a reflexão dos políticos de Marília, as cidades com título, assim o conquistaram por mérito de produções específicas.
O grande detalhe é, não encontramos nenhuma com o mérito para produção de alimentos ultraprocessados, com exceção a Florianópolis (SC) que é a capital brasileira com o maior CONSUMO de alimentos ultraprocessados, atingindo 30,5% das calorias totais, segundo um estudo da USP.
Em resumo, um título muito amplo para uma representatividade que não condiz com a realidade. A CAPITAL NACIONAL DA BOLACHA talvez seria a mais adequada. Respeitamos as opiniões contrárias, mas esta é a nossa opinião.
DIRETO DA REDAÇÃO


