A Meta desativou remotamente as câmeras de 0,1% dos óculos inteligentes vendidos, informou a empresa em primeira mão ao Tecnoblog. Segundo a companhia, a medida foi tomada após identificar aparelhos adulterados. Neles, os usuários tentaram desativar o LED que indica quando a câmera está fotografando ou gravando vídeo.

Os óculos inteligentes Ray-Ban Meta têm um LED frontal que avisa quando a câmera está ativa — e a Meta não permite desativá-lo por configurações. Alguns usuários tentaram cobrir ou destruir fisicamente o indicador para gravar sem que ninguém percebesse.

A resposta da empresa foi direta: câmeras desativadas remotamente. E uma atualização recente fechou outra brecha que permitia esconder o LED durante uma gravação já iniciada.

“Estimamos que menos de 0,1% das unidades vendidas tiveram a câmera adulterada para tentar desativar a luz de LED, e desligamos essas câmeras”, afirmou a Meta ao Tecnoblog. A empresa, no entanto, não informou como identifica essas modificações.

Com cerca de 7 milhões de unidades vendidas, a escala da medida levanta questões importantes sobre privacidade, controle do produto e os limites do que o fabricante pode fazer remotamente no seu dispositivo.

O LED é um dos principais mecanismos criados para avisar pessoas próximas de que a câmera está gravando. Ainda assim, alguns usuários tentam burlá-lo.

Nas redes sociais, multiplicaram-se vídeos de pessoas usando os óculos inteligentes para abordar desconhecidos, fazer pegadinhas ou registrar situações constrangedoras sem consentimento. Grande parte dos vídeos que circulam gravados em primeira pessoa são feitos com óculos inteligentes da Meta.

No Brasil, a Meta comercializa os óculos inteligentes das linhas Ray-Ban Meta e Oakley Meta, que combinam câmera, alto-falantes, microfones e recursos de inteligência artificial. Os modelos são vendidos com preços a partir de R$ 3.299.

O Oakley Meta HSTN chegou ao mercado brasileiro com preço sugerido de R$ 3.459. A terceira geração dos Meta Glasses também já foi homologada para venda no país, mas ainda não tem data de lançamento confirmada.

Países avaliam regras para óculos inteligentes

Órgãos reguladores ao redor do mundo tentam lidar com a tecnologia. Aqui no Brasil, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) acionou o Ministério Público Federal para pedir uma investigação sobre os riscos desses dispositivos.

Na Noruega, autoridades avaliam restringir ou até mesmo proibir óculos inteligentes com câmeras diante das preocupações com privacidade. “Precisamos impedir que esse equipamento seja usado para monitorar outras pessoas em locais públicos”, afirmou a ministra da digitalização Karianne Tung.

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