O ex-prefeito de Santo André Paulo Serra abandonou a pré-candidatura ao governo de São Paulo pelo PSDB e anunciou no último domingo (21/6) que deverá concorrer a deputado federal.

O anúncio acontece logo após Kim Kataguiri (Missão) também desistir a pré-candidatura ao governo, o que deve facilitar a vida do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pode herdar a votação de ambos. 

A decisão do ex-prefeito ocorre após tentativas de aliados do governador de convencer Serra a apoiar Tarcísio.

“Eu decidi ser pré-candidato a deputado federal para levar Santo André e o ABC para Brasília e trazer muita coisa boa para nossa região”, afirmou. “Mas depois de muita reflexão, ouvindo as pessoas, ouvindo o meu coração, eu entendi que a missão agora é outra. É algo muito maior”, completou, anunciando a pré-candidatura a deputado federal.

A saída de Serra e Kim, dois candidatos mais à direita, facilita a migração de votos para Tarcísio –o que aumenta a probabilidade de uma eventual vitória do bolsonarista no primeiro turno.

No levantamento mais recente de intenção de voto para governador, divulgado pela Paraná Pesquisas nessa sexta-feira (19/6), Paulo Serra (PSDB) aparecia com 4,6% e Kim era citado por 3% dos eleitores, atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos), 45,6%; e Fernando Haddad (PT), 34,1%.

No sábado, havia sido a vez de Kim Kataguiri fazer o anúncio da desistência. Ele disse que disputará um novo mandato na Câmara dos Deputados.

O político do Movimento Brasil Livre (MBL) também anunciou que será ministro da Reforma do Estado em um eventual governo do pré-candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão).

Segundo ele, o ministério seria uma junção de pastas como Previdência, Planejamento e Trabalho.

“Agora eu disputo a reeleição como deputado federal e coordeno a parte da equipe do Ministério da Reforma do Estado”, disse em coletiva de imprensa, ao lado de Renan.

A análise da herança dos votos

O anúncio das desistências de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) da disputa pelo governo de São Paulo acendeu o alerta na pré-campanha de Fernando Haddad (PT) sobre uma possível vitória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já no primeiro turno.

A ida de Haddad para o segundo turno é considerada pelo PT como essencial para o sucesso da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é de que é preciso garantir palanque a Lula no principal estado da federação para evitar uma vitória com ampla larga margem para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Apesar do cenário preocupante, a pré-campanha de Haddad considera as desistências como algo esperado. A leitura é de que ambas as pré-candidaturas eram frágeis e que tanto Kim como Serra querem ser deputados.

Os petistas ainda enxergam Tarcísio “jogando pesado” para evitar o segundo turno e acreditam que Paulo Serra, que é ex-prefeito de Santo André, tenha se seduzido com uma possível promessa de espaço para o PSDB no eventual segundo mandato de Tarcísio, além da ajuda do governador para a sua campanha à Câmara dos Deputados. Serra nega que tenha havido qualquer acordo do tipo.

O Metrópoles mostrou que a equipe de Tarcísio já vinha monitorando de perto o cenário da disputa em São Paulo de olho na possível vitória em primeiro turno e tratava como questão de tempo a retirada das pré-candidaturas de Kim e Serra. Este último vinha mantendo conversas com o governador para uma possível aliança já no primeiro turno.

A ideia do PSDB, capitaneada pelo presidente nacional da sigla, Aécio Neves, era manter a pré-candidatura pelo máximo de tempo possível para fortalecer a montagem da chapa tucana de deputados, bem como posicionar o partido nacionalmente. Nos bastidores, no entanto, aliados de Tarcísio já contavam que Serra retiraria a candidatura.

DIRETO DA REDAÇÃO

error: Conteúdo protegido por direitos autorais.