A questão de uma semana atrás, uma notícia tomava conta de alguns veículos de comunicação da cidade e no Brasil. Para a surpresa de muitos, a cidade de Marília aparece com maior Índice de Demanda (ID) por serviços de acompanhantes, segundo levantamento divulgado pela Fatal Model.

O estudo, realizado em novembro de 2025, analisou municípios com mais de 100 mil habitantes, medindo tanto a procura pelos serviços quanto o valor médio cobrado por hora. A CIDADE DOS ANJOS LÁ ESTAVA.

Marília lidera o ranking nacional com 656 pontos no ID, seguida por Linhares, no Espírito Santo, com 558 pontos; Divinópolis, em Minas, com 534; Araguaína, no Tocantins, com 532; e Governador Valadares, também em Minas, com 521 pontos. Todas as cidades do top 5 apresentam valor médio por hora de R$ 250.

O número resulta da relação entre usuários que tentam contratar serviços na plataforma e a quantidade de profissionais cadastradas na cidade. O desempenho coloca o município à frente de grandes centros urbanos, onde o excesso de oferta reduz o indicador.

QUARTO IDEAL, ESTRUTURA MERCADO

Outro dado revelado pela Fatal Model envolve a oferta de espaços cadastrados no Quarto Ideal, plataforma voltada a locações diárias para atendimentos. Entre os 50 municípios com maior ID, apenas dois ainda não possuem imóveis disponíveis. Pouso Alegre (MG) lidera com 16 espaços, seguida por Cascavel (PR) e Jaraguá do Sul (SC). Em Marília algumas casas são locadas para esta finalidade, mas a maioria opta pelo serviço realizado em motéis e hotéis.

Passado o primeiro impacto da notícia que chocou principalmente os mais conservadores, o NOSSO JORNAL foi para o ”sacrifício” e agendou, digamos, uma visita para conhecer o dia a dia destas acompanhantes de luxo.

”Quando eu trabalhava no call center, ganhava R$ 1,5 mil por mês. Agora eu devo tirar, em média, R$ 5 mil por semana. Paranaense, Suzane (nome fictício), 29 anos, trabalhava como atendente e adorava a rotina que tinha. O salário de R$ 1,5 mil pagava as contas e ela não pensava em abandonar o emprego, mas foi dispensada em janeiro de 2023”.

Se candidatou a outras vagas, vendeu lanches e trufas de chocolate nas ruas do centro de Marília, mas as contas não fechavam mais e a situação foi ficando aflitiva. Um dia, conversando com a mãe sobre uma prima que fazia programa, teve a ideia de fazer também.

“Procurei no jornal e na internet como é que fazia, como era ir pra noite. Conversei com uma pessoa do ramo, e ele me explicou como era trabalhar com isso. Quando cheguei no local, ele só disse onde eu tinha que trocar de roupa e onde eu tinha que ficar para esperar os clientes. Eu fiquei meio assustada, porque só esperava ir para conhecer, mas acabei fazendo o meu primeiro atendimento naquela noite e foi bem interessante. Foi assim que comecei.”

Não teria nem metade do que eu tenho hoje se não fosse a Luana
(nome fictício). Nascida em Promissão, a mesma de 30 anos, era casada e trabalhava como técnica de enfermagem e instrumentadora cirúrgica. Mas, sob a aparente normalidade, ela vivia um relacionamento marcado por abusos psicológicos.

“Ele criticava tudo o que eu fazia e dizia que eu não precisava fazer faculdade. E não se preocupava com o meu prazer também. Fiquei na relação porque fui criada numa família com pai, mamãe e filhinho em que era feio se separar, então tentei manter ao máximo. Só me separei quando meu filho começou a ter problemas psicológicos, vendo o meu casamento, que eu não estava feliz, e começou a apresentar problemas de agressividade. Vi que tudo isso estava prejudicando o meu filho e decidi me separar.”.

Para Luana, a decisão de entrar nessa profissão, junto com a liberdade do recomeço, veio pelas dificuldades financeiras. “Com a enfermagem, eu trabalhava 12 horas por noite, todas as noites, e comecei a ficar menos com o meu filho. Não tinha dinheiro nem para a passagem do ônibus, nem pra comprar um lanche. Foi assim durante um ano, então resolvi ser acompanhante. E por minha conta, não foi nenhuma amiga que me levou”.

“Comecei numa casa de massagem ganhando R$ 50 por meia hora e R$ 100 por uma hora. Fiquei um ano lá, mas a casa foi fechada. Daí comecei a cuidar do meu corpo, comprei um carrinho bem simples na época e fui tocar a vida em site. O investimento para ser acompanhante não é pouco, não é só sair trabalhando. É um investimento bem alto tanto em estética quanto em terapia. É pesado.”.

Qual o Perfil De Cliente Que Mais Procura Acompanhante?

Uma proprietária de um Sex Shop local já havia nos confidenciado, porém, não acreditamos e acabamos de crer que é verdade. Marília é uma cidade conservadora onde o sexo é visto como crime.

O mercado de acompanhantes tem crescido não só em Marília, mas em todo o Brasil e vem chamando atenção pela diversidade do público que o consome. Graças à internet e à maior abertura social em relação ao tema, contratar acompanhantes deixou de ser visto como tabu e passou a ser tratado como algo mais natural, ligado à busca por prazer, companhia e experiências únicas, porém na terra de Bento de Abreu ainda parece coisa de outro mundo.

Mas, por trás desse movimento, surge uma pergunta recorrente: quem é o cliente que mais procura esse tipo de serviço? Embora o perfil seja variado, existem grupos que se destacam e ajudam a entender como o setor se mantém tão aquecido e em constante evolução.

Segundo relato das meninas, grande parte da clientela ainda é formada por homens de alta renda, como empresários, executivos, pessoal do meio político e profissionais liberais bem-sucedidos. Esse público costuma valorizar a exclusividade, a sofisticação e, sobretudo, a discrição. Para eles, contratar acompanhantes vai muito além do desejo físico: trata-se de ter ao lado alguém que corresponda ao seu estilo de vida, com elegância e desenvoltura para diferentes ocasiões.

Priscila (nome fictício), 27 anos, é de Presidente Prudente, explicou; ”Muitos desses homens buscam acompanhantes não apenas para encontros íntimos, mas também para acompanhá-los em jantares, viagens e eventos sociais em outras cidades. Nesse caso é um preço diferente.

Outro perfil bastante comum é o de clientes que prezam pela liberdade e pelo sigilo. Monize (nome fictício), 25 anos e mariliense, falou a respeito; ”São pessoas que não querem se envolver em relacionamentos tradicionais, mas ainda assim desejam viver momentos intensos de prazer e conexão. Para eles, os acompanhantes oferecem a combinação perfeita: cumplicidade e satisfação sem cobranças ou vínculos emocionais duradouros. Acabou, paga a conta e bye, bye. Lavou está novinha..” sorriu.

Essa busca por discrição é motivada por diferentes razões. Alguns clientes preferem manter sua vida pessoal separada das experiências íntimas; outros, simplesmente, não têm tempo ou disposição para investir em relacionamentos convencionais. Seja qual for a motivação, a contratação de acompanhantes oferece a possibilidade de viver algo marcante de forma prática, sem comprometer sua rotina ou imagem social.

Carreira

Tanto Luana quanto Suzane têm uma formação técnica profissional. A garota Suzane é atendente de call center e tem o curso de gestão de RH. Discreta dentro do possível, Luana não expõe o rosto nas redes sociais, onde tem dezenas de milhares de seguidores —no Twitter são quase 20 mil.

Priscila trancou a faculdade, mas estava no último ano de direito e Monize concluiu recentemente o curso de administração, porém ainda não exerce, pois refere ”suar” um pouco mais, segundo ela.

“Meu principal desafio é não me expor, nós já somos muito expostas. No caso das meninas que mostram o rosto, elas enfrentam críticas muito fortes da sociedade e dos familiares. São guerreiríssimas. A grande maioria das acompanhantes têm um objetivo de vida: adquirir seu carro, sua casa, seu estudo, dar o melhor para o filho. Quando eu me aposentar, quero poder seguir sem ser criticada pelo meu passado.” disse Priscila.

“Há uma desvalorização da nossa profissão perante a sociedade e o governo. A gente não é vista como profissional. Somos vistas pela maioria das pessoas como marginais. Valorização é, por exemplo, conseguir declarar o imposto sem precisar ficar mentindo, sem precisar inventar o que a gente faz. Ter que falar que eu trabalho como cuidadora de idosos se eu quiser abrir um CNPJ, porque a profissão é reconhecida, mas não é regulamentada. Se a gente tivesse uma valorização em relação a isso ia ser benéfico para gente e para o país também”, expõe Suzane.

No Brasil, a atividade é uma ocupação profissional reconhecida pelo Ministério do Trabalho desde 2002 e não possui restrições legais enquanto praticada por adultos. A atividade, entretanto, não é regulamentada. O que significa, por exemplo, que não existe um conselho que fiscalize e ampare os profissionais.

Na conversa descontraída de final de tarde desta terça-feira chuvosa de movimento fraco, Luana, Priscila, Monize e Suzane abriram o jogo sobre o que rola em quatro paredes que ninguém imagina. CONFIRA;

  • “O maior fetiche dos homens é a inversão de papéis na cama. Eles gostam de ser penetrados, principalmente os mais velhos.”
  • “Quando atendo casais, o maior fetiche do homem é ver a mulher deles com outra mulher. O homem tem um fetiche louco por duas mulheres se pegando, transando com vontade e com gosto. Isso tem muito na cidade, embora ninguém perceba. A mulher quer ter prazer também, quer que consigam achar o ponto dela. Geralmente o objetivo dos casais que me procuram é esse, não é chuva dourada (xixi no sexo) ou um monte de malabarismo.”
  • “Sobre sexo, os homens acreditam que toda mulher sente prazer de uma mesma forma, num ‘ponto X’, né? Mas tem mulheres que gostam que sugue, tem mulheres que gostam que lamba, tem mulheres que preferem uma pressão mais forte, outras não… Cada mulher tem uma forma de gozar, assim como eles.”
  • “A acompanhante sempre tem que se cuidar. Manter unha, bronzeado, cabelo, academia. No meu corpo eu tenho lipo e silicone. É botox, é ácido hialurônico… Todo procedimento estético que vou descobrindo, eu faço. Com isso, gasto por ano, em média, R$ 20 mil.”
  • “Os homens procuram uma acompanhante pelo sexo, mas muitos deles são carentes. Não querem terminar o relacionamento, não são ouvidos em casa, não conseguem transar com suas esposas depois de um tempo e da rotina do dia a dia. Então, em primeiro lugar, eu nunca critico o meu cliente por estar traindo ou não, apenas consolo.”.
  • “Às vezes o cara chega ao orgasmo em cinco minutos, e ele agendou uma hora. Você vai fazer o que depois? Não vai ficar olhando para cara do cliente. Eu converso, invento assuntos mirabolantes, faço massagem, danço. Geralmente eles são muito maleáveis. Quando você vê, o tempo já passou. Esse mito de que eles vão lá para conversar não é mentira, é verdade.”.

Pelo que se percebe, um dos fenômenos mais interessantes dos últimos anos é a presença cada vez maior de mulheres no mercado de acompanhantes. Com mais independência financeira e mais espaço conquistado na sociedade, muitas passaram a se sentir livres para buscar prazer e companhia sem medo de julgamentos. Essa mudança quebra antigos paradigmas e mostra como o setor está se diversificando.

Essas mulheres procuram, principalmente, acompanhantes masculinos que possam oferecer não apenas intimidade, mas também experiências de conexão e cumplicidade. Muitas buscam companhia para viagens, encontros casuais ou até mesmo para sair da rotina. O crescimento desse público reflete uma sociedade mais aberta, na qual elas estão seguras em explorar seus desejos de forma consciente e livre.

Diferença entre Job de luxo e acompanhante

“Job de luxo” é uma gíria que, embora literalmente signifique “trabalho de luxo”, evoluiu nas redes sociais para se referir, na maioria das vezes, a acompanhantes de alto padrão ou prostituição de luxo, envolvendo serviços sofisticados para clientes ricos. 

O termo surgiu inicialmente em publicidade para projetos, mas popularizou-se com influenciadoras que usavam a frase “sou do job” para justificar ganhos altos, e agora se associa a mulheres que oferecem companhia, discrição e experiências caras para eventos, viagens e lazer.  

Dia da Acompanhante: é sobre dignidade, reconhecimento e segurança

Nem todo mundo sabe, mas o dia 2 de junho carrega um significado importante: é o Dia Internacional da Trabalhadora Sexual, também conhecido como o Dia da Acompanhante ou, em muitos lugares, “Puta Day”.

A data surgiu em 1975, em Lyon, na França, quando mais de cem profissionais do sexo ocuparam uma igreja a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França, para chamar a atenção para a violência naturalizada contra elas e suas famílias. A partir do ano seguinte, a data passou a ser reconhecida em todo o mundo para protestar contra a violência e o preconceito que enfrentavam. Foi um ato de coragem, que marcou o início de um movimento global por respeito e dignidade.

Décadas depois, o cenário ainda pede atenção, mas também mostra avanços. No Brasil, segundo dados da UNAIDS — programa das Nações Unidas com a função de criar soluções e ajudar nações no combate à AIDS —, são mais de 1,4 milhão de acompanhantes. Para imaginar esse número: daria para lotar o Maracanã 25 vezes.

E isso não é apenas um dado estatístico, são pessoas reais, com histórias, compromissos e responsabilidades. Uma pesquisa encomendada pela plataforma Fatal Model mostra que 69% das trabalhadoras do sexo são chefes de família e que 58% delas sustentam outras pessoas além de si mesmas. Ou seja, a realidade ainda é de desafios.

Dados da Rede Brasileira de Prostitutas com a Fiocruz revelam que cerca de 85% das acompanhantes já sofreram algum tipo de violência física, psicológica ou digital ao longo da carreira. Esse número assusta e só reforça o quanto essa profissão ainda precisa ser vista com mais empatia e menos julgamento.

DICA PARA CURIOSOS: Como Escolher um Serviço de Acompanhantes de Luxo

Ao buscar acompanhantes em Marília, é essencial escolher agências ou profissionais que possuam boas recomendações e uma reputação sólida no mercado. A confiabilidade é fundamental para garantir que você estará contratando um serviço de qualidade, seguro e discreto.

  • Pesquise Reputação e Avaliações Verificar a reputação da agência ou do profissional é o primeiro passo. Pesquise avaliações e feedbacks de clientes anteriores para garantir que o serviço oferecido seja confiável. Agências respeitadas costumam ter sites profissionais, com descrições claras dos serviços prestados e fotos reais dos acompanhantes.
  • Discrição e Confidencialidade A discrição é um dos fatores mais importantes ao contratar um acompanhante de luxo. Muitas vezes, esses serviços são requisitados por pessoas que ocupam posições de destaque ou que simplesmente prezam pela privacidade. Verifique se a agência ou o profissional escolhido oferece garantias de confidencialidade em relação aos encontros.
  • Entenda os Termos e Condições Antes de fechar um acordo, é essencial entender todos os termos e condições do serviço, como a duração do encontro, o que está incluído no valor acordado e qualquer outro detalhe específico. Agências sérias fornecem contratos claros, o que evita mal-entendidos e assegura que ambos os lados compreendem os limites e expectativas.
  • Certifique-se de Que Tudo Está Dentro da Legalidade Certifique-se de que o serviço contratado está dentro da legalidade. No Brasil, por exemplo, é legal contratar um acompanhante para companhia, desde que não haja envolvimento em atividades ilegais, como exploração sexual. Contratar um serviço de luxo significa, acima de tudo, ter uma experiência elegante e segura, sem infringir nenhuma norma.

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