
Não adianta tentar mascarar ou alegar razões que não refletem a realidade dos fatos. Neste final de semana do Natal, as cidades de Marília e Bauru viveram um clima de luto e revolta que se soma a outras famílias no Brasil afora.
Os dados mais recentes confirmam que os registros de feminicídio no Brasil atingiram níveis recordes. Somente em 2024, o país contabilizou 1.492 vítimas, o maior número desde a tipificação do crime em 2015.
Cerca de 64% dos crimes ocorreram dentro da residência da vítima, e o descumprimento de medidas protetivas atingiu quase 20% dos casos, evidenciando falhas no sistema de proteção.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam um aumento de 26% no número de tentativas de feminicídio em 2024. De janeiro a setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres sofreram esse tipo de crime. Outras 1.075 morreram vítimas de feminicídio.

A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, diz que é preciso dar acolhimento às vítimas e investir na educação das novas gerações:
“Não é só garantir que ela acesse uma delegacia de polícia para ter uma medida protetiva de urgência. É garantir que ela tenha acesso a, por exemplo, programas de emprego, geração de renda. Começar a trabalhar isso também desde a primeira infância com os meninos e as meninas no ambiente escolar, é uma forma de a gente evitar que essas crianças, as nossas crianças de hoje, não sejam nem agressores amanhã nem vítimas da violência”.
A luta pela dignidade das mulheres e igualdade de gênero passa pela criação de uma cultura jurídica emancipatória e de reconhecimento de direitos de todas as mulheres e meninas.” A conclusão é da advogada Luciane Mezarobba, que atua em Curitiba e atualmente atende exclusivamente mulheres.
A exemplo de nossa região, dois casos de violência contra a mulher, na capital paulista, tiveram grande repercussão na última semana. No dia 29, uma mulher de 31 anos teve as pernas severamente mutiladas após ser atropelada e arrastada, por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. Na segunda-feira (1º), um homem atirou, usando duas armas, contra sua ex-companheira na pastelaria em que ela trabalhava.

Mulher é morta a tiros na frente do filho em Bauru; ex-marido é suspeito
Uma mulher de 34 anos foi morta a tiros na tarde desta sexta-feira (26), na Rua São Gonçalo, na Vila Universitária, em Bauru (SP). Segundo testemunhas, um homem atirou contra a vítima na presença do filho dos dois, de 8 anos, e fugiu do local levando o menor. Ele foi preso horas após o crime.
A vítima foi identificada como Marcelly Thomaz Pinto. O ex-companheiro dela, Adriano Nascimento, é apontado pela polícia como o principal suspeito do crime. De acordo com as informações apuradas, Marcelly possuía uma medida protetiva em vigor contra ele.
A Polícia Militar foi acionada e esteve no local para atender a ocorrência. A área foi isolada para o trabalho da perícia, que foi chamada para realizar os procedimentos técnicos. A criança foi localizada durante a tarde com parentes da família. O suspeito foi preso e levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru (SP).

Segundo um parente da vítima, Marcelly manteve um relacionamento de cerca de oito anos com Adriano e teria sofrido agressões anteriores.
“Infelizmente ela já estava com uma medida protetiva porque ela foi agredida. Ele quebrou o maxilar dela, e no dia a polícia esteve presente e falou que não foi flagrante, sendo que flagrante são nas primeiras 24 horas e está ali o resultado. Ele a matou, levou a criança embora e sumiu por aí. A gente não tem o que descrever. É luto, a gente sofre”, lamenta Ítalo Prado Leite, primo da vítima.
Ainda conforme o relato, o homem não aceitava o fim do relacionamento e perseguia a ex-companheira, que chegou a mudar de endereço diversas vezes por medo. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Em Marília, após ter ocultado o corpo, companheiro confessa ter matado bombeira civil e enfermeira, encontrada morta em área rural de Vera Cruz
Em Marília, o caso que chocou as mulheres, em geral. O corpo da mesma de 43 anos foi encontrado na quinta-feira (25) em uma área rural da vizinha cidade de Vera Cruz (SP). A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, pois o companheiro dela confessou o crime e ocultação de cadáver.
Segundo a Polícia Civil, a família registrou um boletim de ocorrência após o desaparecimento de Vanessa da Silva Carvalho, ocorrido na terça-feira (23). De acordo com o relato, ela teria sido agredida pelo companheiro dentro de casa e, em seguida, forçada a sair do imóvel.

Ainda conforme informações repassadas pela família à polícia, o homem afirmou que levaria a mulher ao hospital na noite de terça-feira. No entanto, horas depois, ele teria dito aos familiares que “fez besteira” e ameaçado tirar a própria vida.
Na manhã de quinta-feira (25), equipes policiais realizaram buscas e localizaram o corpo da vítima. O Instituto de Criminalística esteve no local, e o exame necroscópico deve apontar a causa da morte. O homem foi preso por feminicídio e o mesmo confessou ter desferido nove golpes de canivete no pescoço, a despindo posteriormente e jogando em uma vala.
DIRETO DO PLANTÃO POLICIAL


