
Críticas – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais em que diz ter sido “apunhalada” e humilhada por Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato à Presidência nas eleições de outubro.
Segundo ela, a situação ocorreu após evento em que participou no Ceará, no fim do ano passado. À época, Michelle criticou a negociação de palanque no Ceará em que o PL estava em busca de apoio de Ciro Gomes (PSDB), que havia criticado Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos nas redes sociais nesta quarta-feira (24) e revelou detalhes de uma conversa telefônica com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. Segundo Michelle, o episódio ocorreu após divergências sobre articulações políticas do PL no Ceará e resultou em um afastamento entre os dois.
“Sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, declarou a ex-primeira-dama. “Uma punhalada. E é nesse momento que entra na história o meu enteado Flávio. Vê o que estavam fazendo no Ceará contra um candidato leal e contra uma mulher fiel. Ambos da direita. Foi ruim. Mas o que aconteceu quando voltei para Brasília foi muito pior. Antes de seguir, eu preciso que você entenda bem o motivo pelo qual eu não poderia ficar calada diante de uma aliança com Ciro Gomes no primeiro turno”.

Veja algumas das frases que Michelle disse no vídeo publicado em seu Instagram:
“Durante o trajeto de volta, aconteceu algo muito ruim. Algo que eu não esperava. Algo que doeu de um jeito que palavras custavam descrever. Uma apunhalada.”
Contexto: Michelle descreve o sentimento de choque ao descobrir as reações de Flávio nas redes sociais logo após ela ter participado de um evento político no Ceará.
“Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tão agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos…”
Contexto: Ela se refere à postura pública do enteado, que defendeu alianças políticas locais que Michelle considerava uma traição aos valores da direita e do próprio Jair Bolsonaro.
“Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado.”
Contexto: Michelle reclama dos ataques que sofreu na internet e aponta que não foram isolados, mas sim uma ação conjunta e planejada entre Flávio e seus irmãos.
O outro lado

O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se pronunciou na noite desta quarta-feira (25) e disse que “nunca maltratou ou humilhou uma mulher” e que se fez, “pede desculpas”. A declaração foi feita após a publicação de dois vídeos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em que ela diz ter sido “maltratada e humilhada” por Flávio.
O senador ainda disse ter convidado a ex-primeira-dama para uma reunião com lideranças femininas de direitas, mas não teve resposta.

“Hoje (quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou. Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo”, escreveu.
Flávio ainda afirmou que o convite à madrasta segue de pé: “O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT.”
Manifestações de apoio
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) recebeu apoio de outras personalidades políticas após publicar vídeos criticando o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por supostamente “desrespeitá-la” em um telefonema.
Os vídeos foram publicados por Michelle nas redes sociais. Na postagem do Instagram, a atual governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP), manifestou concordância com a ex-primeira-dama no embate com o enteado.
“Você brilha! E isso incomoda muita gente! Não é fácil ser mulher na política! Você não está sozinha! Somos todas Michelle”, escreveu Celina, que tem o apoio da ex-primeira-dama para se reeleger no DF.
Outro bolsonarista que apoiou a manifestação de Michelle foi o atual vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo (PL), que ingressou na chapa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em 2024 justamente a pedido de Jair Bolsonaro.
“Apoiar Ciro Gomes é um absurdo, também não concordo. Que Deus dê sabedoria e ilumine quem decide”, afirmou Mello.

Quem também saiu em defesa de Michelle foi Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB. Ele foi o responsável por bancar a candidatura de Pablo Marçal a prefeito de São Paulo em 2024 e enfrenta uma briga jurídica para se manter no comando da sigla.
“Parabéns pela coragem e pela coerência”, escreveu Avalanche.
Em dois vídeos publicados nas redes sociais no final da tarde de quarta-feira, Michelle Bolsonaro expôs seu desconforto com Flávio. Na gravação, a ex-primeira-dama relata ter se sentido “traída” e “apunhalada” pelo senador.
Michelle fez as críticas ao detalhar um telefonema que recebeu de Flávio após criticar a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Segundo ela, o enteado a “maltratou” e disse que ela “ficasse de fora das decisões do partido”.
Consequências politicas
Poucos dias após o PT de Lula ser atingido pelo desgaste político do escândalo envolvendo o Banco Master, com a operação que alcançou o senador e ex-líder do governo, Jacques Wagner, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro resolveu divulgar um vídeo com ataques e críticas ao presidenciável Flávio Bolsonaro.
A coincidência política é, no mínimo, curiosa. Quem esperava unidade para enfrentar a esquerda viu mais um capítulo de fogo amigo.

Cada vez mais fica evidente que existem forças internas trabalhando contra a pré-candidatura de Flávio. Michelle emplacou um golaço, contra. Fortaleceu o Lulopetismo.
Só quem comemorou esse vídeo da Michelle foram os petistas e a dita direita que nunca quis a candidatura de Flávio, independe da aliança do PL com Ciro no Ceará.
DIRETO DA REDAÇÃO


