A declaração acontece em meio à crise com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devido à sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou, durante entrevista coletiva em evento na AhCham, em São Paulo, nesta segunda-feira (25), que “quem está votando no Flávio (Bolsonaro), muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula”. A declaração acontece em meio à crise com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devido à sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Como eu já disse, fiquei muito decepcionado com tudo que aconteceu, né? Alguém que tem um relacionamento tão próximo com um banqueiro bandido, que é o que eu considero o senhor Vorcaro, o maior bandido do sistema financeiro da história do Brasil e provavelmente um dos maiores do mundo, é muito preocupante. E se em 2022 já foi difícil para a direita com esse escândalo agora, fica muito mais ainda”, pontuou.

O ex-governador disse ainda que não houve crise em 2022 com as proporções da que acomete Flávio e que fica “preocupado” de a situação “entregar para a esquerda mais uma vez essa eleição”. “E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula que manteve o seu posicionamento enquanto ele caiu. Isso se não surgir mais nada daqui por diante”, conclui.

Flávio Bolsonaro teve áudios vazados direcionados ao banqueiro pedindo R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, que conta a trajetória de seu pai durante as eleições de 2018, quando venceu o pleito contra Fernando Haddad (PT). Poucos dias depois, o senador admitiu, em entrevista coletiva, ter se encontrado com Vorcaro depois de ele já ter sido preso para “pôr um fim” na história.

“Não passa pela cabeça”, diz Costa Neto sobre tirar Flávio da disputa

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25) que não passa pela cabeça do partido retirar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da disputa presidencial e que aceitaria apoiar a candidatura dele mesmo se já soubesse da relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Valdemar disse que fez uma reunião com Flávio para entender como ele responderia ao caso, após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que o senador pede dinheiro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a história de seu pai.

Segundo o dirigente, o pré-candidato à Presidência afirmou que procurou Vorcaro porque precisava arrecadar recursos para o filme e não tinha outra opção.

— Teria topado, sim, porque ele não tinha opção. Foi procurar uma alternativa para conseguir fazer o filme do pai e não estava conseguindo arrecadar para isso — disse Valdemar, em entrevista à GloboNews.

Valdemar afirmou que a conduta de Flávio foi natural e normal, inclusive a visita a Vorcaro, porque o empresário já o havia ajudado. Segundo ele, o senador queria encerrar a relação e cobrar o pagamento do valor restante, questionando se Vorcaro teria condições de quitá-lo.

— O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo — ressaltou.

O presidente do PL disse ainda que já esperava desgaste eleitoral, mas avaliou que o impacto foi menor do que o previsto, uma vez que Flávio ainda aparece, segundo ele, um ou dois pontos à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após desempenho acima do esperado.

Rejeição a Lula é de 47% e a Flávio, de 50%

A rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está na casa dos 47% e 50%, respectivamente, segundo pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (25). Os dois lideram a disputa presidencial, segundo o levantamento.

De acordo com a pesquisa, 37% dos eleitores brasileiros afirmam  que só votariam em Lula; 13% dizem que podem votar no atual presidente, mas também consideram outros candidatos; 1% não respondeu à pergunta; e 47% dizem não votar no petista de forma alguma.

No caso de Flávio, 26% dizem que o senador é o único candidato considerado; 20% afirmam poder votar no parlamentar ou em outro nome; 4% dizem não conhecê-lo; 1% não respondeu; 50% não consideram a hipótese de depositar o voto no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em comparação com a pesquisa feita pela Nexus/BTG em abril, a rejeição a Flávio aumentou dois pontos percentuais, enquanto a de Lula caiu um ponto.

A pesquisa ouviu 2.045 eleitores brasileiros por telefone entre 22 e 24 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04193/2026.

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