A mistura de etanol na gasolina pode aumentar nos próximos dias. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a proporção do combustível derivado da cana, hoje em 30%, deve ser elevado para 32% ainda durante o primeiro semestre. Segundo Silveira, a medida ocorre de maneira emergencial para diminuir a dependência externa.

Recentemente, os preços de combustíveis em todo o mundo subiram de maneira vertiginosa graças ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, que acabaram por fechar o Estreito de Ormuz. A via marítima, que é situada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é responsável por mais de 20% do transporte comercial de petróleo no mundo.

A oficialização da gasolina E32 não chega a ser uma surpresa total, já que ela estava há algum tempo no radar do governo, tendo sido somente antecipada pela crise.

A medida faz parte das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2025, que incentiva o uso de energias renováveis, como o etanol, e já previa autorização para aumentar esse percentual para 35%, caso fosse necessário.

Veículos só a gasolina devem sofrer mais, segundo os especialistas

Alegando independência do mercado externo, o governo promete divulgar mais detalhes da mudança em breve. Enquanto isso não acontece, entidades já alertam para riscos aos veículos e motos movidos só a gasolina, em sua grande parte mais velhos ou importados.

Nestes casos, os carros e motos podem sofrer mais com engasgos, baixo consumo e comportamento irregular da injeção. Recentemente, a Abraciclo, associação que reúne as principais fabricantes de motocicletas do Brasil, já havia levantando dúvidas sobre a E30, em vigor desde agosto de 2025.

No médio e longo prazo, segundo a entidade, os modelos podem apresentar problemas na partida e consumo mais elevado, além do desgaste mais acelerado de peças metálicas, borrachas e plásticos.

O aumento da mistura de etanol na gasolina voltou ao centro do debate após o governo avançar com medidas que elevam gradualmente o percentual do biocombustível nos combustíveis vendidos no país. A justificativa oficial gira em torno da redução da dependência do petróleo e da tentativa de conter impactos externos no preço dos combustíveis, já que a maior presença de etanol diminui a exposição às oscilações internacionais.

Na prática, porém, a medida levanta críticas. Especialistas apontam que o etanol possui menor rendimento energético que a gasolina, o que significa que o carro percorre menos quilômetros por litro, exigindo mais abastecimentos ao longo do tempo. Isso pode gerar a sensação de economia no preço por litro, mas com aumento no custo real para o consumidor no uso diário. Além disso, há alertas de que níveis mais altos da mistura podem impactar veículos mais antigos ou menos adaptados, com possíveis efeitos no desempenho e na durabilidade.

Outro ponto que entra na discussão é a percepção de que o aumento da mistura seria uma forma indireta de conter reajustes mais altos da gasolina, diluindo o custo final ao consumidor sem necessariamente reduzir o peso total no bolso. Ao mesmo tempo, o Brasil já utiliza misturas elevadas há décadas, com motores adaptados a percentuais próximos do atual patamar, o que agora começa a ser ampliado progressivamente.

Enquanto o governo defende a medida como estratégica e sustentável, relatos que circulam nas redes sociais mostram um lado curioso da mudança: profissionais do setor automotivo afirmam aumento na demanda por manutenção. Um usuário que se identifica como mecânico chegou a dizer que “nunca teve tanto serviço”, celebrando ironicamente o cenário.

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