Após a suspensão da primeira sessão marcada para 19 de agosto, foram necessários ainda mais 4 dias exaustivos no tribunal do júri do fórum de Marília para o veredito final aos acusados do crime que comoveu toda a cidade.

A decisão foi anunciada por volta das 2h da madrugada de sexta-feira, após um julgamento que ocorreu sob sigilo, com portas fechadas, para garantir a proteção das testemunhas.

O júri popular dos seis envolvidos nos assassinatos da gestante Carla da Silva de Moraes, de 25 anos, seu bebê e também do zelador Manoel da Silva Barreto, de 36 anos, era cercado de expectativa por toda a sociedade mariliense.

O crime ocorreu no dia 25 de novembro de 2020, em um bar no jardim esplanada, zona Sul de Marília. Conforme a denúncia, o motivo foi encaminhar uma cobrança por dívida de drogas contra parente do zelador.

No banco dos réus os desempregados, Diego Pereira Pinto, Jonathan Moreira Magalhães, Antônio Marcos Ferreira Lima, Vitor dos Santos Gonçalves, Tayron Aparecido Ferreira de Abreu e Gabriel Augusto de Oliveira.

O crime comoveu toda a cidade, e, até hoje, traz sequelas e lágrimas para todos os familiares. NADA TRARÁ CARLA E PEDRO DE VOLTA, MAS A DECISÃO DO JULGAMENTO poderá pelo menos amenizar a dor da família que clama por justiça.

Além das condenações pelos homicídios, os jurados também reconheceram o crime relacionado à morte do bebê que Carla gestava. Ela estava grávida de oito meses.

Durante a votação dos quesitos, porém, houve absolvições e reconhecimentos específicos. Todos os acusados foram absolvidos das denúncias de duas tentativas de homicídio contra os cônjuges das vítimas, que também estavam no local no dia do crime.

Os jurados ainda absolveram um dos réus da acusação de homicídio da gestante e do crime de aborto. Já outro teve reconhecida a participação no caso. Os demais acusados foram condenados pelos crimes de homicídio qualificado e aborto.

Para relembrar o fato, segundo informações que constam nos documentos oficiais da polícia, a mulher de apenas 25 anos estava com o marido no local. O casal havia chegado a poucos minutos, pois ela, a vítima tinha manifestado um desejo de comer um espetinho.

Quando efetuava o pagamento, dois homens chegaram em uma motocicleta e atiraram contra um outro cliente que estava no bar. Em meio ao tiroteio, uma das balas acabou atingindo o pescoço de Carla Silva de Moraes, que correu quando os tiros começaram.

Ela foi socorrida primeiramente pelo marido, que a levou para o carro do casal estacionado em frente ao estabelecimento e aguardaram a chegada da ambulância.

Carla chegou a ser socorrida e levada para o pronto-socorro do Hospital das Clínicas, mas ela e o bebê não resistiram. O parto da criança estava agendado para o dia 20 de dezembro.

Ainda segundo a polícia, a outra vítima que morreu no local, era Manoel da Silva Barreto, de 36 anos, que estava no bar com a esposa e conversava com Carla e o marido quando o atirador chegou. O homem estava na garupa da moto e foi em direção a Manoel. Um fato triste que marcou o final do ano 2020, que somente agora parte para o julgamento final.

A vítima era nora do conhecidíssimo senhor Antônio de Moraes, o popular Moraes da padaria, uma das mais antigas e conceituadas padarias na zona sul da cidade. A família até hoje é inconformada. Carla, que trabalhava na padaria e residia na Vila Real em uma casa financiada recentemente pelo casal.

Os jurados entraram na madrugada respondendo a cinco quesitos para cada denunciado, ou seja, 30 votações. Aliás, votaram após um longo dia de manifestações com 2h30 de pronunciamento do ministério público e mais 2h30 da defesa. Depois, réplica e tréplica.

As penas individuais não foram divulgadas. Segundo informações apuradas pelo NOSSO JORNAL, a dosimetria deve ser publicada no início da próxima semana, quando a sentença será formalizada pela Justiça. Ainda cabem recursos contra a decisão, entretanto os réus já responderam ao processo em prisão preventiva e devem seguir em cárcere.

DIRETO DO PLANTÃO POLICIAL

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