Não é a primeira vez que ocorre este grito da alma. Aumento no número de pessoas em situação de rua expõe falhas no acolhimento e acende novas discussões 

O fato ocorrido nesta quarta-feira, trouxe formas diferentes de se noticiar um fato. Um preferiu levar pelo lado político, até indagando em quem ele teria votado.

O curioso é que esse mesmo jornalista de ideologia esquerdista, na última eleição municipal, fez questão de prestar um trabalho para um candidato que se apresentou como de direita. Faturou sua graninha e ainda defendeu o conservadorismo.

Isto sem dizer que atualmente apoia administração municipal, mediante as verbas de publicidade, após ter quebrado a cara com a administração anterior. Sem qualquer identidade política e o pior sem um pingo de senso humanitário.

Demais portais e páginas se reportaram ao fato como uma notícia comum e que chamava a atenção. Sem querer criticar a visão de cada um, até concordo com a conclusão, porém o que teria levado esse ser humano a tomar essa atitude?

Um morador de rua não tem celular, não assiste televisão e tampouco ouve emissoras de rádio. Portanto, dizer que uma pessoa dessa está fazendo um ato político é no mínimo ignorância e insensatez. ESSA PESSOA PRECISA DE AJUDA, ELA ESTÁ GRITANDO POR SOCORRO…..

Eles estão nas calçadas, sob marquises e em abrigos nas praças e prédios abandonados. Já não é raro ver colchões, cobertores e barracas improvisadas, especialmente na região central. Invisíveis para muitos, o número de pessoas em situação de rua cresceu ASSUSTADORAMENTE.

Diante disso, mais uma vez, o cenário acende novas discussões sobre o tema. Projetos de lei, abaixo-assinados e articulações entre Executivo, Legislativo e entidades locais buscam respostas para a situação que, diariamente, atinge a segurança e a dignidade de quem vive nas ruas do centro da cidade.

A maioria dos moradores de rua está em situação de drogadição e alcoolismo, e o sistema atual não acolhe essas pessoas. Então, é preciso oferecer uma primeira oportunidade de acolhimento, que inclua, inclusive, a possibilidade de tratamento e de encaminhamentos.

De fato, existe uma ação que proíbe a retirada compulsória dos moradores em situação de rua. Não se pode forçá-los a sair, caso não queiram. No entanto, o que se pode construir, de forma coletiva, é a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, com oferta de acolhimento. Mesmo que a retirada compulsória seja proibida, opções dignas precisam ser oferecidas. Não é admissível, nem humano, que essas pessoas permaneçam nas ruas sem qualquer assistência.

Estão na rua porque querem?

Em resposta a alegações de que muitas dessas pessoas “não querem sair da rua”, sugerimos cautela na interpretação:

É muito fácil julgar. A casa de passagem tem regras, como a proibição de entrada alcoolizado, que afastam muitas vezes quem já enfrenta o vício. Não estou dizendo que não deve haver regras, mas sim que é preciso escutá-los, entender por que preferem dormir na rua a ter um teto e uma cama. Essa pergunta precisa ser feita com empatia.

O caminho para quem vive nas ruas

Para nós, a solução passa por um esforço conjunto entre poder público, universidades, sociedade civil e entidades de classe. É preciso garantir políticas públicas contínuas, e estruturadas – que não apenas acolham, mas reintegrem essas pessoas à sociedade com dignidade.

A situação de rua é complexa, e não tem solução mágica. Mas podemos enfrentá-la com políticas sérias, baseadas em dados reais, respeito e empatia. Não se trata apenas de oferecer um teto, mas de oferecer dignidade e oportunidade. MENOS REDES SOCIAIS E MAIS AÇÃO.

O que deveria nos chocar mais não é o fato da cidade estar ‘enfeiada’. É ver um ser humano SEM ROUPA no semáforo, deitado no chão, no frio, com um cachorro do lado, sem proteção nenhuma. Marília precisa reunir pessoas comprometidas com o tema para implementar de fato as políticas públicas que já existem no papel.

A vida e saúde mental das Pessoas em Situação de Rua

A desigualdade social é um dos problemas que permeia, quase inteiramente e de forma muito parecida, a maioria das sociedades ao redor do mundo.

Observamos como um reflexo dessa circunstância a exclusão de grande parte das pessoas que, infelizmente, se encontram dentro daqueles grupos mais afetados por ela.

Um desses grupos, se não o mais afetado por tudo aquilo de negativo que a desigualdade tem a oferecer, diz respeito as pessoas em situação de rua. Estigmatizados, essa parcela da sociedade sofre em decorrência do descaso e da falta de acesso a seus direitos.

Como consequência dessa realidade, a saúde mental dessas pessoas também sai prejudicada. Não se encontram os auxílios necessários para que vivam, minimamente, bem, ou mesmo para saírem dessa triste situação.

Pensemos um pouco sobre a situação e a saúde mental das pessoas em situação de rua.

A vulnerabilidade psicossocial de quem vive nas ruas

Frequentemente permeados pelo descaso e pela pobreza em suas vidas, se encontram as pessoas em situação de rua, que como se pode imaginar, passam a viver nela não por opção, mas sim por falta dela.

Assim como ocorre com a exclusão social, morar na rua não acontece do dia pra noite. Um processo de fatores distintos contribui pra que se culmine nessa situação, dado que cada morador tem sua história, seu modo de ser e seus problemas, mesmo antes da rua.

A fragilidade das relações familiares, o uso abusivo de substâncias, o desemprego, a miséria, a ausência de vínculos sociais e comunitários significativos, a dificuldade no acesso a direitos fundamentais, são exemplos comuns disso.

A junção desses elementos tem um grande impacto na vulnerabilidade psicológica dessas pessoas; a falta de apoio inerente a vida delas tende a ser um fator de agravamento dessas circunstâncias; o sentimento de não pertencimento leva o próprio ser a se excluir; e as consequências dessa realidade não ajudam a superar a condição.

Quanto maior a falta de recursos, maior também a insegurança psicológica e, em decorrência disso, a probabilidade e o risco de se desenvolverem transtornos mentais como a depressão ou transtornos graves de ansiedade, por exemplo. A situação de quem está nas ruas é extremamente delicada, até mesmo para os profissionais dispostos a ajudar lidarem.

Vive-se sob o estigma e o isolamento social, sem perspectiva de um futuro melhor. Na rua, estão sempre submetidos a toda espécie de abandono e deterioração pessoal, como a violência, o frio, a fome, o cansaço, a ausência de esperança, o constante risco de contração de doenças, a solidão, a insegurança, entre tantos outros.

Nesse contexto, muitos recorrem às alternativas de “solução” mais fáceis, mais próximas, como o álcool ou as drogas, que apesar de suscitarem algum alívio temporário dentro do que sentem e pensam os moradores, a longo prazo, podem ter impactos intensamente negativos na saúde mental dos seus usuários.

A situação psicológica se agrava conforme não se encontram serviços, suporte ou algo que nutra a esperança de sair da rua. Daí surge a importância das políticas e dos serviços públicos de apoio a essa parcela da população tantas vezes esquecida pelo Estado e pela própria sociedade.

A cena de hoje deixa bem claro, que não foi a opção política que o fez tirar a roupa e sim a falta de políticas adequadas. O sistema que oprime o Brasil há mais de duas décadas, aumentando a pobreza e estimulando o consumo de drogas. Inflando a falência da família e levando milhares de pessoas a depressão e ao ponto de uma explosão, como aconteceu no dia de hoje em Marília. APENAS UMA REFLEXÃO.

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