
Na semana que passou, uma cena chamou a atenção de todos que passavam na rua Mem de Sá. Uma caçamba com portas e janelas em excelente estado de conservação disponibilizados pelas empresas que realizam a tal reforma da UBS Nova Marília.
Moradores das proximidades e até uma loja de materiais de construção usados não perderam tempo. Recolheram para comercializarem ou
Utilizarem na reforma de suas residências. Seriam as portas e janelas os principais problemas da unidade de saúde denunciados pelo JORNAL DO ÔNIBUS DE MARÍLIA, por solicitação dos usuários? RELEMBRE A MATÉRIA PUBLICADA EM 11 DE SETEMBRO ÚLTIMO.
A repercussão foi tão grande que a preocupação com o estrago político no maior reduto eleitoral de Marília fez a administração municipal anunciar a reforma no mês seguinte, inclusive com publicação também reproduzida pelo JORNAL DO ÔNIBUS DE MARÍLIA.
Ocorre que não somos da área da construção civil e, portanto, não tem como ficar fiscalizando o andamento da obra, mesmo porque essa é a função dos vereadores e vereadoras, pelo menos era até a alguns anos atrás.
No entanto, nossa redação foi acionada novamente ao local pelo aposentado da construção civil, senhor L.O.M.T, 62 anos, residente há pouco mais de três quadras do local. Uma lenda no ramo de construções que levantou questionamentos importantes sobre o andamento da reforma;
”Veja bem, eu trabalho com obras residenciais e comerciais há 42 anos. Construí desde o alicerce até o acabamento centenas de casas, prédios, estabelecimentos comerciais e barracões não só em Marília, mas em toda a região. Sou muito tranquilo para distinguir uma reforma e um serviço para inglês ver. Sou um dos primeiros moradores do bairro e vi quando começaram a construir esse posto de saúde desde o primeiro tijolo, a primeira coluna, as vigas e assim por diante”, comentou.



O construtor continuou sua explicação; ”Veja bem, onde se justifica a troca de batentes de primeira e portas como álibi de problemas a serem resolvidos em detrimento dos problemas estruturais? O problema estava nas portas e janelas? , questionou.

Outro ponto destacado pelo construtor aposentado é sobre o prefeito Vinicius anunciando, por exemplo, a troca total do telhado, porém não foi isso que aconteceu, segundo ele. ”Eu passo em frente todo dia e o que vi foi dois funcionários em cima do telhado lavando as telhas com uma máquina de alta pressão. Como assim? O prefeito está sabendo disso? O que vai aparecer na nota?”, novamente questionou.
L.O.M.T, nos fez forneceu uma informação técnica sobre uma possível falha na obra; ”Como você falou que não entende de construção civil eu vou lhe explicar uma coisa; No caso de viga, a rachadura pode comprometer a segurança da edificação. A rachadura pode indicar problemas estruturais graves, como excesso de carga ou falta de aço na viga, e a solução depende da análise do problema. Após o diagnóstico, as opções de reparo incluem injeção de resina para fissuras finas, encamisamento (reforço com concreto e nova armadura) ou reforços com vigas metálicas, dependendo da gravidade. Se faz necessário o acompanhamento de um engenheiro. NÃO BASTA APENAS REBOCAR E PASSAR TINTA POR CIMA”, explicou.
”No caso das colunas de concreto o procedimento é o mesmo, é necessária uma avaliação técnica. A coluna é um elemento estrutural crítico, e qualquer dano pode comprometer a segurança de toda a construção. A causa raiz da trinca pode ser retração do concreto, sobrecarga, variação de temperatura, recalque do solo como eu desconfio ou erros de execução. Tecnicamente falando, é possível determinar se a trinca é superficial (fissura inofensiva, geralmente com menos de 0,5 mm) ou estruturalmente perigosa (trinca ou rachadura, geralmente acima de 0,5 mm a 1 mm, que pode indicar um problema grave. Ai eu lhe pergunto, quem é o engenheiro responsável e qual vereador está fiscalizando?”, complementou com novo questionamento.


A UBS atende os bairros Nova Marília I e II, Maria Angélica e Paulo Correa da Silva de Lara, além das regiões comerciais das avenidas João Ramalho e Durval de Menezes, somando cerca de 20 mil cadastrados.
A última reforma teria ocorrido em 2016 e o investimento anunciado de quase R$ 1 milhão em obras incluíam segundo informe oficial, reparos e substituições nas redes hidráulica e elétrica, piso revestimentos, telhado, forro, esquadrias, divisórias e vidros, além de pintura completa, reforço estrutural e implantação de paisagismo.

O construtor ainda acrescentou; ”Para você ter uma ideia, lá na fundo, nas salas onde se faz o atendimento médico, é visível a irregularidade das paredes que conotam o comprometimento da estrutura. O problema está na base e talvez no solo. Com o dinheiro anunciado daria para desmanchar, fazer um novo aterramento e construir um prédio novo. Esse negócio de fazer volume com obras na entrada, recepção, fazer jardinzinho e passar tinta é apenas um anestésico com o risco de uma tragédia anunciada a qualquer momento, principalmente em um dia de chuva volumosa”, finalizou.
Nossa reportagem apurou que o valor exato da obra é de R$ 906 mil reais, sendo que a empresa responsável é a Terraplan, que por sinal, quarteirizou o serviço. No local tem 4 empresas diferentes na execução dos trabalhos.
A questão aqui não é sensacionalizar, mas trazer para a discussão a verdade dos fatos. ESTAMOS FALANDO DE CERCA DE TRINTA A CINQUENTA PESSOAS POR DIA dentro daquele ambiente, incluindo CRIANÇAS E IDOSOS, fora os cerca de QUINZE SERVIDORES que ficam expostos à própria sorte diante do que foi apresentado nesta matéria.

Na câmara municipal, APENAS DOIS VEREADORES, DR NARDI E AGENTE FEDERAL FÉFIN, cobram providências, apontam falhas e protocolam questionamentos. OS DEMAIS, APENAS ASSISTEM, SE OMITEM E AINDA BATEM PALMAS. ONDE ESTÁ A PREOCUPAÇÃO NÃO SÓ COM A APLICAÇÃO DO DINHEIRO PÚBLICO, MAS COM A SEGURANÇA E A VIDA DAS PESSOAS, QUE POR SINAL SÃO ELEITORES.
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