
A pergunta sobre por que o Brasil não refina todo o petróleo que produz para abastecer plenamente o próprio mercado envolve fatores técnicos, históricos e econômicos. O país é um dos grandes produtores mundiais de petróleo bruto, especialmente após a expansão da exploração no pré sal. No entanto, ser autossuficiente na extração não significa ser autossuficiente na produção de derivados como óleo diesel e gasolina, que dependem de uma estrutura de refino compatível com o volume e o tipo de óleo extraído.
Um dos principais entraves está na diferença entre produção e capacidade de refino. O Brasil extrai grande volume de petróleo, mas suas refinarias não têm estrutura suficiente para processar todo esse montante. Além disso, parte relevante do óleo nacional é do tipo pesado, mais denso e de refino mais complexo.
Muitas unidades foram projetadas décadas atrás para trabalhar com petróleo mais leve ou não possuem tecnologia de ponta para converter integralmente o óleo pesado em derivados de maior valor agregado. Como resultado, o país exporta parte do petróleo bruto e, ao mesmo tempo, importa diesel e gasolina para suprir a demanda interna.
A Petrobras concentra a maior parte da capacidade de refino no país. Entre as principais unidades estão a Refinaria Duque de Caxias e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, que enfrentam o desafio constante de modernização para processar com maior eficiência o petróleo do pré sal.
Embora haja investimentos em andamento, o setor passou por anos de aportes limitados, o que contribuiu para uma defasagem tecnológica e operacional que ainda impacta a autossuficiência em derivados.

Outro aspecto relevante é o econômico. Em determinados momentos, pode ser mais vantajoso exportar petróleo bruto, sobretudo quando há forte demanda internacional de mercados como China e Estados Unidos, e importar derivados conforme a necessidade.
Essa lógica faz parte do comércio global de energia, mas deixa o Brasil vulnerável a oscilações externas, especialmente em períodos de alta demanda interna ou instabilidade no mercado internacional de combustíveis.
Não há um percentual único e fixo que indique quanto do petróleo produzido é refinado no Brasil, pois isso varia conforme o ano e o nível de utilização das refinarias. Em 2024, por exemplo, a produção girou em torno de 3,4 milhões de barris por dia, enquanto a capacidade de refino ficou próxima de 2,3 milhões de barris diários, o que indica que aproximadamente 67 por cento do volume extraído poderia ser processado internamente.
O restante acaba sendo direcionado à exportação ou compensado com importação de derivados. Assim, embora o país refine petróleo, ainda não o faz em volume e configuração suficientes para garantir independência total em gasolina e diesel, o que mantém o debate sobre investimentos e estratégia energética em evidência.
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