A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (8), foi aplicada em 500 mil brasileiros entre janeiro e o fim de maio. A maior parte das doses – 417,4 mil, ou 83% do total – foi destinada a profissionais da atenção primária à saúde.

Em assim sendo, por determinação do Ministério da Saúde, cerca de 937 doses foram aplicadas na maioria dos servidores da secretaria municipal de saúde da linha de frente e do setor administrativo.

Em entrevista concedida na manhã desta terça feira, a secretária Paloma Libanio confirmou a informação e acrescentou que alguns apresentaram reações adversas, embora sem nenhum registro grave até o momento.

Os outros 83,6 mil imunizantes fizeram parte de uma estratégia ampliada em quatro regiões: Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

De acordo com o governo federal, foram registradas 3.703 notificações de pessoas que, após a vacinação, apresentaram sintomas compatíveis com dengue – como febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores nas articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas e cansaço extremo. Esse número representa 0,7% do total de vacinados.

Casos graves: 0,008% dos vacinados

Entre as notificações, 42 casos evoluíram para quadros severos, com sinais de alarme como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos – características da versão grave da dengue. Desses, três pacientes precisaram de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e dois não resistiram.

Vacina da dengue do Butantan foi suspensa; o que quem tomou deve fazer?

O Ministério da Saúde paralisou a aplicação da vacina do Instituto Butantan contra a dengue após identificar três casos graves que culminaram em mortes. Para quem já recebeu a dose, a recomendação é observar possíveis sintomas e seguir orientações médicas.

  • Quem tomou a vacina há mais de 21 dias não precisa se preocupar. Essa é a principal orientação para a população já imunizada, segundo a diretora da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), Isabella Ballalai. De acordo com ela, pessoas vacinadas há mais de três semanas não precisam adotar nenhuma medida especial, embora devam procurar atendimento caso apresentem sintomas compatíveis com dengue ou qualquer manifestação grave.
  • O diretor do Butantan explicou que quem tomou a vacina há mais de 21 dias pode ficar “absolutamente descansado”. “Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que a vacina promete. Quem recebeu a vacina há menos de 21 dias, se tiver algum tipo de reação, deve reportar às autoridades de saúde, mas, passados os 21 dias da vacinação, a pessoa só usufrui dos benefícios da proteção”, afirmou Esper Kallás, diretor do Butantan, em entrevista hoje à Globo News.
  • Os vacinados mais recentemente devem acompanhar o surgimento de sintomas. O Ministério da Saúde orienta que quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias observe a evolução do quadro clínico nos próximos dias. A recomendação é procurar assistência médica caso apareçam sinais persistentes de alerta.
  • Quem não apresenta sintomas não precisa procurar atendimento preventivamente. Segundo o infectologista Cristiano Gamba, do Hospital Samaritano Paulista, da Rede Américas, pessoas vacinadas recentemente devem apenas observar o próprio estado de saúde. Na ausência de sintomas, não há recomendação para realizar exames ou acompanhamento específico.
  • Alguns sintomas específicos exigem avaliação médica imediata. Entre os sinais que devem motivar a busca por atendimento estão febre, dor abdominal intensa e contínua, sangramentos, sonolência excessiva, tontura, vômitos, irritabilidade, piora do estado geral e desidratação. Ballalai afirma que também merecem atenção manifestações semelhantes às da dengue sem gravidade, como exantema, caracterizado por manchas ou pequenas lesões na pele.
  • Reações leves costumam ser esperadas após a vacinação. Gamba afirma que dor no local da aplicação, febre baixa, mal-estar e dores no corpo podem ocorrer nos dias seguintes à imunização e geralmente desaparecem espontaneamente. A recomendação é procurar orientação médica apenas se os sintomas persistirem por mais de um ou dois dias ou apresentarem piora.
  • Informar a vacinação pode ajudar na investigação dos casos. A especialista orienta que pacientes que procurem atendimento informem aos profissionais de saúde que receberam a vacina. Também é possível comunicar sintomas à unidade de saúde onde a vacina foi aplicada para que haja acompanhamento pelas autoridades sanitárias.
  • Os eventos graves continuam sendo extremamente raros. Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 42 episódios de reações mais severas entre os cerca de 500 mil vacinados. Três casos foram classificados como graves e levaram à suspensão preventiva da aplicação. A pasta
  • calcula que os casos com sinais de alarme representam 0,008% do total de imunizados.
  • A suspensão foi adotada como medida de precaução. Para Ballalai, a decisão busca proteger a população enquanto as autoridades avaliam se existe algum fator de risco associado aos casos registrados. “É preciso parar, pensar e avaliar melhor”, diz a especialista. Segundo ela, a vacina só deve voltar a ser aplicada se for considerada segura após a conclusão das investigações.

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