A média global de temperatura esperada para 2026 é de cerca de 1,46°C acima do período entre 1850 e 1900. Mesmo ficando ligeiramente abaixo do recorde registrado em 2024, o ano se mantém entre os quatro mais quentes da série histórica, reforçando o alerta sobre o avanço do aquecimento global.

O cenário confirma a tendência de elevação contínua das temperaturas, associada principalmente ao aumento das emissões de gases de efeito estufa. Esse aquecimento tem relação direta com a intensificação de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas e impactos na produção de alimentos e nos recursos hídricos.

Especialistas alertam que variações aparentemente pequenas na média global já são suficientes para provocar consequências significativas para ecossistemas, cidades e populações mais vulneráveis. A situação também aumenta a pressão sobre as metas do Acordo de Paris, reforçando a urgência de ações mais efetivas contra as mudanças climáticas.

A estação, que segue até 20 de março de 2026, deve ser caracterizada por temperaturas acima da média, dias mais longos, noites mais curtas e maior instabilidade atmosférica, segundo previsões meteorológicas.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o período será marcado por variações rápidas no tempo. A expectativa é de manhãs com calor intenso e aumento da sensação térmica, seguidas por pancadas de chuva no fim do dia, muitas vezes acompanhadas de ventos fortes e descargas elétricas, um padrão típico da estação.

Calor se intensifica em diversas regiões

As temperaturas devem ficar acima da média histórica em grande parte do país. Na Região Norte, estados como Amazonas, Acre, Rondônia e áreas do Pará tendem a registrar desvios superiores a 0,5 °C

Já no Sul, além do aumento das chuvas, os termômetros também devem subir, com destaque para o oeste do Rio Grande do Sul, onde a elevação pode chegar a 1 °C acima do padrão climatológico.

Esse cenário exige atenção especial para a saúde, sobretudo de crianças, idosos e trabalhadores expostos ao calor excessivo durante o dia. Os pet’s também merecem cuidado redobrado nesses dias quentes de verão.

Chuvas mais frequentes no Sul e no Norte

O regime de chuvas ao longo do verão não será homogêneo. No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, os volumes devem ficar acima da média histórica, podendo superar em mais de 50 mm o esperado para o trimestre. 

No Norte, a previsão também indica chuvas frequentes na maior parte dos estados, o que contribui para a elevação dos níveis dos rios e aumenta o risco de alagamentos. Apesar disso, áreas do sudeste do Pará e do Tocantins podem apresentar precipitações abaixo da média, reforçando o caráter irregular das chuvas nesta estação.

Tempo mais seco no Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste

Em contraste, o fim de dezembro deve ser marcado por um clima mais seco em boa parte do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Estados como Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe podem registrar volumes de chuva até 100 mm abaixo da média histórica.

No Sudeste, Minas Gerais aparece entre os estados mais afetados pela redução das precipitações. Mesmo com menos chuva, o calor segue predominante, com temperaturas cerca de 1 °C acima da média. No Centro Oeste, apenas o oeste do Mato Grosso deve ter chuvas acima do normal, enquanto Goiás tende a enfrentar períodos mais secos.

Sistemas atmosféricos explicam as mudanças

As condições climáticas do verão estão diretamente relacionadas à atuação de grandes sistemas atmosféricos. A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) favorece episódios prolongados de chuva no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) concentra a umidade no Norte e no norte do Nordeste.

Outro fator determinante para o verão de 2026 é a atuação da Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Esse sistema, localizado entre o Brasil e a África, influencia o clima durante todo o ano e, quando se aproxima do território brasileiro, reduz a formação de grandes áreas de instabilidade.

ASAS deve favorecer calor intenso e veranicos

Segundo meteorologistas, o verão não deve sofrer influência direta de fenômenos como El Niño ou La Niña. No entanto, a presença mais intensa da ASAS tende a provocar uma estação mais quente do que o normal, com maior ocorrência de veranicos, ondas de calor e irregularidade nas tradicionais pancadas de verão.

De acordo com a Climatempo, os meses de janeiro e fevereiro devem registrar temporais em todas as regiões do país, embora de forma irregular. Em março, a tendência é de maior regularidade nas chuvas. Ainda assim, a previsão indica que os volumes totais devem ficar um pouco abaixo da média em grande parte do Brasil.

Com isso, o verão de 2026 reforça a necessidade de atenção às mudanças rápidas do tempo e aos impactos do calor intenso, especialmente em áreas urbanas e regiões mais vulneráveis.

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