
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (2) mostra a divisão de opiniões entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a crise entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Entre os bolsonaristas que acompanharam o desentendimento, 43,2% apoiam a posição do filho do ex-presidente, enquanto 17,3% concordam com a ex-primeira-dama. Outros 33,6% afirmam concordar, em parte, com ambos, e 5,9% não souberam responder.
Panorama geral
No cenário mais amplo, entre todos os entrevistados, independentemente de posicionamento político, o cenário se inverte: 38,3% concordam com Michelle, contra 20,6% que apoiam Flávio. Outros 21,4% concordam parcialmente com os dois, e 19,6% não souberam responder.

O que motivou a crise
O atrito entre Michelle e Flávio teve início em dezembro do ano passado, quando o PL articulava uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) para apoiar uma eventual candidatura ao governo do Ceará. Michelle se manifestou contra o acordo, afirmando que não abriria mão de seus valores, e foi criticada pelos filhos de Bolsonaro, incluindo Flávio.
Segundo o levantamento, 53,8% dos eleitores de Jair Bolsonaro são favoráveis à aliança com Ciro Gomes — posição defendida por Flávio. Já 36,7% apoiam Michelle, que é contrária ao acordo.
O desdobramento
A crise ganhou dimensão nacional após Michelle publicar um vídeo no qual relatou ter sido desrespeitada por Flávio em uma discussão sobre decisões políticas do PL. Segundo ela, o senador disse que ela deveria ficar de fora das definições do partido.
Em resposta, Flávio pediu desculpas publicamente e afirmou que não teve a intenção de ofendê-la. “Em nenhum momento eu ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se, em algum momento, fiz isso, mais uma vez peço desculpas”, disse o senador em vídeo publicado nas redes sociais.
Metodologia
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 pessoas em todo o país entre os dias 26 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026.
Valdemar confirma recuo de Michelle ao Senado e banca candidatura de Flávio Bolsonaro

A crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provocou um novo desdobramento dentro do PL. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (2), em entrevista a Rádio Gaúcha, que a ex-primeira-dama sinalizou que já não pretende disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
Segundo Valdemar, a decisão foi comunicada durante uma conversa entre os dois, realizada após o conflito público entre Michelle e o pré-candidato do partido à Presidência da República.
“Ela me disse que queria sair da presidência do partido e que talvez não fosse candidata a senadora”, afirmou.

O dirigente disse que tentou convencê-la a permanecer no projeto político, mas afirmou respeitar sua decisão. Também elogiou o trabalho desenvolvido por Michelle à frente do PL Mulher, diretório do qual a ex-primeira-dama deixou o comando na quarta-feira (1).
“Ela fez um trabalho que eu não sei se outra mulher teria condições de fazer. Tem muito carisma e trabalhou muito pelas mulheres do Brasil”, lamentou o presidente do PL.
O anúncio ocorre dias depois de Michelle divulgar um vídeo nas redes sociais em que afirmou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio durante uma conversa sobre articulações eleitorais do partido. Segundo a ex-primeira-dama, o desgaste começou no fim de 2025, após divergências sobre o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará.
Na entrevista, Valdemar procurou reduzir o impacto político da crise e afirmou que Michelle não deve participar da campanha presidencial de Flávio, embora tenha evitado tratar o afastamento como definitivo.
“Parece, eu sinto que ela não quer participar“, disse.
Apesar da ruptura pública, o presidente do PL descartou qualquer possibilidade de substituição do senador na disputa pelo Palácio do Planalto.
“O Flávio é candidatíssimo. Não passa pela cabeça da gente ele ser substituído de jeito nenhum”, afirmou. Segundo ele, pesquisas internas apontam crescimento da candidatura do senador nos últimos dias.
Críticas a Michelle
Valdemar também criticou a decisão da ex-primeira-dama de compartilhar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre o caso Banco Master. Na publicação, Garotinho sugeria que novas revelações envolvendo Flávio Bolsonaro viriam a público.
Para o dirigente, Michelle errou ao divulgar o conteúdo.
“Ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade. Não tem nada de verdade nesse vídeo”, afirmou.
Valdemar disse ter convicção de que não surgirão novos fatos capazes de comprometer a candidatura de Flávio e afirmou conversar diariamente com o senador.

Questionado sobre a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o dirigente reconheceu que o senador considera ter cometido um erro ao voltar a procurar o banqueiro após o avanço das investigações, mas argumentou que o encontro ocorreu para encerrar pendências financeiras relacionadas ao financiamento de um filme.
Segundo Valdemar, quando o empréstimo foi contratado, o Banco Master ainda não era alvo das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O presidente do PL também negou qualquer participação do ex-presidente Jair Bolsonaro na estratégia adotada por Michelle durante a crise.
“Tenho certeza que o Bolsonaro não participou disso. Jamais faria isso com o Flávio. O Flávio é o candidato escolhido por ele”, afirmou.
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