
A crescente incidência de ações ilícitas envolvendo equipamentos eletrônicos de controle de velocidade revela um problema que ultrapassa o simples dano ao patrimônio público e assume dimensões econômicas. Esses dispositivos, instalados para monitorar o tráfego e registrar infrações, passaram a ser alvo recorrente devido ao valor elevado de seus componentes e à possibilidade de revenda de materiais no mercado irregular.
O interesse não é aleatório. Um equipamento de controle de velocidade pode custar a partir de cem mil reais, e determinados modelos superam cento e cinquenta mil reais. Esses sistemas incorporam câmeras de alta resolução, processadores digitais e estruturas metálicas que utilizam materiais como cobre, prata, chumbo, estanho, platina, níquel, ouro e paládio. A presença desses metais, somada ao valor tecnológico do conjunto, amplia o potencial de comercialização, alimentando redes de circulação irregular de componentes.
Diante desse cenário, administrações municipais passaram a adotar medidas preventivas. Uma das estratégias envolve a substituição de fios de cobre por cabos de alumínio na rede elétrica que alimenta os dispositivos. Embora o alumínio apresente menor eficiência na condução de eletricidade, seu valor de mercado inferior reduz o interesse para subtrações. A medida representa uma tentativa de diminuir prejuízos.

Na cidade de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego passou a instalar dispositivos de proteção nos postes onde os aparelhos estão fixados. Entre as soluções adotadas está o chamado chapéu, estrutura metálica com lâminas voltadas para baixo, posicionada abaixo do equipamento para dificultar o acesso. A implementação começou em pontos com maior recorrência de ocorrências, como trechos da Marginal Tietê, com previsão de ampliação gradual.
Segundo a empresa municipal responsável pela gestão do trânsito, a apuração de cada caso é conduzida pela autoridade encarregada da investigação, enquanto os reparos são realizados pelas empresas contratadas, que devem restabelecer o funcionamento dos equipamentos no menor prazo possível, garantindo a continuidade da fiscalização eletrônica.
A expansão dessas ocorrências impõe impactos financeiros à administração pública, tanto pelo custo de reposição quanto pela necessidade de reforço estrutural. Paralelamente, a interrupção ou comprometimento da fiscalização pode afetar a segurança viária, uma vez que os dispositivos de controle de velocidade desempenham papel relevante na redução de infrações e acidentes. Nesse contexto, o enfrentamento do problema exige medidas técnicas de proteção, aplicação rigorosa da legislação e estratégias permanentes de prevenção voltadas à preservação do patrimônio coletivo.
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