Setor segue em expansão recorde, mas o orçamento mais apertado faz diminuir o poder de compra das famílias para consumir o prato, sobretudo entre as famílias de menor renda. São Paulo como o maior polo produtor e o segundo maior consumidor global do prato

Celebrado nesta sexta-feira (10), o Dia da Pizza convida a olhar para um contraste da economia brasileira: enquanto o país abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, com o menor número de fechamentos da última década, comprar uma pizza pesa cada vez mais no orçamento de parte das famílias.

É o que mostra o Índice Mozarela, desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) para medir o poder de compra das famílias paulistanas.

Em 2021, metade dos distritos da cidade conseguiu comprar pelo menos 131 pizzas por mês com sua renda familiar média. Em 2025, essa mediana caiu para 120.

Embora o levantamento se restrinja à capital paulista, ele ajuda a retratar um dos principais mercados consumidores do país.

Isso porque, além de concentrar o maior número de pizzarias do Brasil, São Paulo é tradicionalmente considerada a capital nacional da pizza, o que faz da cidade um importante termômetro para acompanhar a relação entre preços, renda e consumo.

Peso da pizza no orçamento

Segundo o estudo, a alta no preço das pizzas reflete, entre outros fatores, o aumento do custo dos insumos. O principal deles foi a muçarela, que acumulou alta de quase 40% entre 2021 e 2025 e é um dos ingredientes mais importantes do produto.

Ao mesmo tempo, os rendimentos do trabalho não acompanharam o aumento do custo de vida da população, observa Rodolfo Ribeiro, um dos pesquisadores responsáveis pelo Índice Mozarela.

“Vivemos um período de baixo crescimento econômico, e isso acaba pressionando o orçamento das famílias, sobretudo das que têm menor renda”, explica.

Esse cenário aparece de forma bastante desigual entre os bairros da capital paulista. Em Alto de Pinheiros, a renda média permite comprar 313 pizzas por mês, o maior índice da cidade. Em Anhanguera, esse potencial de compra cai para 73 pizzas mensais.

As diferenças também aparecem nos preços cobrados pelas pizzarias.

Segundo os autores do levantamento, essa diferença está ligada às características de cada mercado local. Nas regiões periféricas, a concorrência acontece principalmente pelo preço.

Como precisam conciliar custos de produção elevados com consumidores de menor poder de compra, os empresários têm pouca margem para utilizar ingredientes mais caros ou investir em diferenciais no produto e no serviço.

“O orçamento das famílias é muito limitado, então o preço baixo é fundamental para a venda. Isso faz com que os preços entre diferentes pizzarias variem muito pouco entre si”, destaca Ribeiro.

Nos bairros de maior renda, o cenário é diferente. O maior poder de compra dos consumidores amplia as possibilidades para os empresários diversificarem o cardápio, os ingredientes e a forma de comercializar seus produtos.

“O empreendedor possui mais ‘grau de liberdade’ para decidir que tipo de produto vai oferecer e como irá ofertá-lo. Isso permite que as empresas testem diferentes estratégias comerciais e nichos de mercado”, completa o pesquisador.

Mais pizzarias, menos fechamentos

A perda de poder de compra das famílias, no entanto, não impediu a expansão do setor. Enquanto o consumo ficou mais pressionado pelo orçamento, o mercado brasileiro de pizzarias continuou crescendo e alcançou, em 2025, seu maior tamanho já registrado.

Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) mostram que o Brasil encerrou o ano com 40.332 pizzarias ativas, alta de 10,29% em relação ao ano anterior. Foi também o período com o menor número de fechamentos da última década: 2.969 empresas encerraram as atividades, uma queda de 43,8% na comparação com 2024.

O ritmo permaneceu acelerado em 2026. Entre janeiro e maio, foram abertas 1.990 novas pizzarias, crescimento de 6,1% sobre o mesmo período do ano passado. Na prática, isso significa que o País passou a ganhar, em média, uma nova pizzaria a cada duas horas.

Segundo Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, os números mostram que o setor continua atraindo novos empreendedores e mantém um ritmo consistente de expansão, mesmo diante de um cenário econômico desafiador.

“Esse comportamento reforça a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que seguem investindo mesmo em um cenário econômico desafiador”, explica.

O crescimento também deixou de se concentrar apenas nos grandes centros urbanos.

Embora o Sudeste ainda reúna 51% das pizzarias brasileiras e São Paulo permaneça como principal polo do setor, cerca de três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026 abriram as portas fora do estado paulista.

  • 📊 Norte e Nordeste lideram esse crescimento proporcional, indicando que a expansão do setor avança para além dos mercados tradicionalmente mais consolidados.

Na avaliação de Cardamoni, a tendência é que esse movimento continue nos próximos anos, mas acompanhado de um nível cada vez maior de profissionalização entre os empresários.

“Não se trata apenas de abrir novas unidades, mas de consolidar operações, tendo a diferenciação, a gestão eficiente e o profundo conhecimento do mercado local como fatores decisivos.”

Para a Apubra, a combinação entre a queda no número de fechamentos e o avanço das inaugurações indica um mercado mais maduro, em que a expansão vem acompanhada de maior capacidade de gestão e consolidação das operações.

SP consome 870 mil unidades por dia

A data foi instituída oficialmente no estado em 1985, pela Secretaria de Turismo de São Paulo, após o encerramento de um concurso cultural que elegeu as melhores receitas de muçarela e margherita.

Hoje, o Brasil consolida-se como o segundo maior consumidor de pizza do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. São cerca de 3,8 milhões de discos consumidos por dia em território nacional, dos quais 870 mil são devorados apenas na capital paulista, o que representa uma média de 27 pizzas por habitante ao ano na maior metrópole da América Latina.

Hoje, o Brasil consolida-se como o segundo maior consumidor de pizza do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. São cerca de 3,8 milhões de discos consumidos por dia em território nacional, dos quais 870 mil são devorados apenas na capital paulista, o que representa uma média de 27 pizzas por habitante ao ano na maior metrópole da América Latina.

O mercado de pizzarias opera em forte expansão. Segundo dados consolidados, o país registrou a abertura de 4.109 novos estabelecimentos, o que representa uma alta de 6,26% no setor de foodservice.

O estado de São Paulo concentra a maior fatia desse mercado, abrigando 32,04% do total de 40.332 pizzarias operantes no Brasil. A cidade de São Paulo ocupa o posto de segunda capital mundial da pizza, perdendo em volume de consumo global apenas para Nova Iorque.

A Melhor Pizza da América Latina

A imigração italiana, que fincou raízes no bairro do Brás a partir de 1910 trazendo as receitas originais, converteu o estado em uma referência de turismo gastronômico. A capital paulista dominou o prestigiado ranking internacional “50 Top Pizza Latin America”, que avalia a excelência de pizzarias artesanais:

  • 1º Lugar (A Melhor da AL): Leggera Pizza Napoletana (unidades em Perdizes e Jardins);
  • 3º Lugar: QT Pizza Bar;
  • 7º Lugar: A Pizza da Mooca.

Além do destaque no ranking, a tradicional rede italiana L’Antica Pizzeria Da Michele, famosa mundialmente pelo filme Comer, Rezar, Amar, estrelado por Julia Roberts, inaugurou em Pinheiros a sua primeira filial da América Latina.

Os Sabores Preferidos no Delivery

Apesar da forte concorrência de hambúrgueres e da culinária oriental, a pizza mantém-se no topo absoluto dos pedidos de entrega em domicílio devido à facilidade logística e ao custo-benefício para grupos. De acordo com o Sindbares/Abrasel, apenas cinco sabores concentram 80% de todas as vendas no Brasil:

  1. Calabresa
  2. Portuguesa
  3. Margherita
  4. Frango com Catupiry
  5. Muçarela

No cenário macroeconômico, o mercado global de pizzas movimenta atualmente uma cifra estimada entre US$ 215 bilhões e US$ 235 bilhões, com projeções de atingir o patamar de US$ 340 bilhões nas próximas temporadas.

DIRETO DA REDAÇÃO

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