
Presidente argentino publica foto, gerada por IA, comemorando resultado de crescimento do PIB entre os meses de julho a setembro
Um ano à frente da Casa Rosada, o presidente Javier Milei conseguiu tirar a Argentina do período da recessão no terceiro trimestre do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,9% de julho a setembro em comparação aos três meses anteriores, segundo relatório do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos.
Para comemorar, Milei publicou uma foto gerada por Inteligência Artificial em que aparece vestido do personagem “Super Homem” salvando uma mulher vestida com uma roupa da bandeira argentina.
“Impossível não adorar meus seguidores. Em cima da hora, eles colocam a magia da IA. Viva a liberdade.” No X, Milei afirmou que “A Argentina decola!“, em referência ao crescimento econômico.
Os feitos de Milei
As medidas não tão populares de Milei surtiram efeito na economia.
Segundo o relatório, as exportações cresceram 3,2% no trimestre citado.
Da mesma forma, o consumo privado subiu 4,6% e a formação de capital fixo aumentou em 12%.
Desde que assumiu o governo, Milei reduziu a inflação de 25% para 2,4% ao mês, sendo o primeiro registro abaixo de 3% desde 2021.
Mesmo assim, o controle do índice gerou um alívio para os argentinos, porque os salários deixaram de perder poder de compra.
No início de dezembro, o dólar “blue”, a moeda paralela da Argentina, atingiu ao menor patamar desde maio.

Reconhecimento
A revista britânica The Economist reconheceu as medidas de Milei em edição publicada este ano. Segundo a reportagem, o programa econômico de Milei é sério e “uma das doses mais radicais do remédio do livre mercado desde o Thatcherismo“, em referência à primeira-ministra Margareth Thatcher.
“Sua motosserra cortou os gastos públicos em quase um terço em termos reais, reduziu pela metade o número de ministérios e projetou um superávit orçamentário”, disse a Economist. Como consequência do programa econômico, Milei tem aprovação de 52% dos argentinos, segundo pesquisa do instituto Poliarquía.
Um ano de Milei na Argentina: como o libertário mudou a economia do país até agora

Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina há um ano, em dezembro de 2023. Com somente dois anos de experiência no Congresso, o economista, que se alavancou como comentarista de TV, surgiu como um outsider da política.
A eleição que o levou à Casa Rosada foi pavimentada por um discurso em que ele se autodeclarava “libertário” e “anarcocapitalista”. Militante da direita radical, Milei prometeu uma “terapia de choque” para a economia argentina e uma “motosserra” para cortar gastos públicos.
Nesse período, ele de fato reduziu o déficit argentino e controlou a inflação, mas a um alto custo para a população: a pobreza chegou ao nível mais alto nos últimos 20 anos. Hoje, com um ano de mandato, sua popularidade está mantida na casa dos 50%, índice parecido à sua votação no segundo turno.
Este apoio, de praticamente metade dos argentinos, ocorre apesar de o país atravessar a pior recessão da América Latina, além de sofrer uma queda forte no nível de consumo e um grande aumento da pobreza.
Parte das medidas que o presidente argentino conseguiu colocar em prática neste primeiro ano tem relação com seu passado. Isso porque o partido que ele formou para impulsionar sua candidatura ao Congresso anos antes – A Liberdade Avança – não tinha representatividade nacional. A sigla só foi reconhecida oficialmente em setembro deste ano, depois que Milei já era presidente.
Por outro lado, as maiores empresas da Argentina iniciaram um processo de revalorização impressionante após a eleição de Javier Milei. É o que afirma uma reportagem publicada pelo jornal La Nación e baseada em dados do índice Merval, o principal indicador da Bolsa de Valores de Buenos Aires.
Composto pelas 21 companhias do país com maior volume de operações no mercado de ações, o Merval registrou um aumento de US$ 61,3 bilhões de sua capitalização total nos últimos 12 meses – o equivalente a quase 130%.
Esse crescimento não reflete apenas a chegada ao poder de um político libertário, que repudia o controle estatal e incentiva o livre mercado acima de tudo. A matéria do La Nación lembra que o governo de Milei promoveu bem mais do que uma mudança de mentalidade: reduziu a inflação, saneou parte expressiva das finanças públicas e deu maior liberdade para os empreendedores.
O resultado dessa reforma é uma onda de otimismo que vem impulsionado as empresas e trazendo investidores internacionais, atraídos por um ambiente de negócios favorável e inédito na Argentina.
DIRETO DA REDAÇÃO COM INFORMAÇÕES DA REVISTA Crusoé e BBC


