
A empresa do irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias
Toffoli, está registrada em um endereço de fachada. O Metrópoles esteve no local e encontrou uma residência de padrão simples, localizada em um bairro residencial da cidade de Marília.
O imóvel apresenta sinais visíveis de desgaste, como paredes rachadas. O VÍDEO ESTÁ VIRALIZANDO NAS REDES SOCIAIS
A Maridt Participações já integrou o quadro de proprietários do resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro (PR). Até março de 2025, a companhia possuía o equivalente a 17% das cotas das empresas responsáveis pela gestão do empreendimento: Tayayá Administração e Participações e DGEP Empreendimentos e Participações. À época da venda, a fatia correspondia a cerca de R$ 3,5 milhões.

No mesmo endereço de Marília também consta o domicílio de José Eugênio
Dias Toffoli, irmão do ministro. Eugênio é engenheiro de formação e um dos sócios da Maridt. Ele também tem em seu nome uma empresa de engenharia que está registrada no mesmo endereço
O Metrópoles procurou José Eugênio mas não conseguiu retorno até a publicação desta reportagem.
Resort foi vendido para advogado ligado à JBS
Dados de registros públicos indicam que, após a saída dos irmãos de Toffoli e de um primo da sociedade ao longo de 2025, o resort passou a ser controlado integralmente pelo advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu as quotas anteriormente pertencentes à família e ao fundo de investimentos Arleen.
Conforme revelado pela coluna Andreza Matais, Barbosa é ligado ao grupo J/F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A empresa nega estar conectada ao negócio do empreendimento.
Toffoli é tido por funcionários como dono de resort, afirma site

Embora não figure oficialmente como proprietário, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é tratado por funcionários do Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), como dono do empreendimento. O local, construído por familiares do magistrado, tornou-se conhecido na cidade como “resort do Toffoli” e hoje está no centro de questionamentos após a revelação de que abriga um cassino.
Registros obtidos em bases oficiais mostram que, entre 2021 e 2025, as empresas ligadas ao resort também contaram com ações do Arleen Fundo de Investimentos, administrado pela gestora Reag, que aparece em investigações relacionadas à teia financeira do Banco Master, alvo de apurações sobre supostas irregularidades em operações com fundos estruturados.
Repórteres do site Metrópoles, que foram ao local sem se identificar, relataram que Toffoli frequenta o resort com regularidade, e que utiliza estruturas exclusivas, como uma residência em área reservada do complexo e uma embarcação atracada no píer. Apesar disso, o nome do ministro não aparece nos registros oficiais do empreendimento.
O resort oferece máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas. Entre as modalidades disponíveis está o blackjack, jogo proibido no Brasil quando praticado com apostas em dinheiro. Todos os jogos observados funcionam com pagamento real. O espaço destinado à jogatina conta com iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, em um ambiente semelhante ao de cassinos no exterior.
O cassino dispõe de 14 máquinas de videoloteria. Embora essas máquinas sejam regulamentadas pelo governo do Paraná, funcionam de forma semelhante a caça-níqueis. Além disso, a reportagem relata ter sido convidada, fora do horário oficial de funcionamento, a participar de jogos como blackjack valendo dinheiro, prática considerada ilegal pela legislação brasileira.

O acesso ao espaço não possui controle rigoroso. Em duas ocasiões, a reportagem flagrou crianças utilizando as máquinas de apostas, próximas a adultos que consumiam bebidas alcoólicas.
Jogos de azar presenciais são proibidos no Brasil, mas, em 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os estados podem explorar as chamadas videoloterias. O julgamento foi relatado pelo ministro Gilmar Mendes, e Dias Toffoli acompanhou o voto que flexibilizou a interpretação da lei. Ainda assim, jogos de cartas com apostas em dinheiro seguem proibidos.
Antes da venda do resort, parte das ações do hotel foi adquirida por um fundo que tinha como investidor o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Toffoli é relator no STF de investigações que envolvem a instituição financeira e também já atuou em processos ligados à J&F.
Ministros do STF já se hospedaram no Tayayá, segundo funcionários, entre eles Cármen Lúcia. O resort fica às margens da represa de Xavantes, próximo à divisa entre Paraná e São Paulo. As diárias chegam a cerca de R$ 2 mil nas acomodações mais simples. A estrutura inclui piscinas, quadras esportivas e atividades recreativas.
De acordo com o Metrópoles, mesmo após o resort ter sido vendido por dois irmãos e um primo de Toffoli a um advogado ligado ao grupo J&F, o local foi fechado para uma festa privada organizada pelo ministro. O evento mobilizou a equipe do hotel e contou com a presença de artistas e do ex-jogador Ronaldo Nazário, o Fenômeno.
Procurado, o advogado Paulo Humberto, atual proprietário, afirmou que os jogos oferecidos são autorizados pela loteria estadual e que as mesas de cartas servem apenas para lazer entre hóspedes, sem incentivo à jogatina. Questionado pelo site, o ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos.
Toffoli passou 168 dias no Tayayá e gastou R$ 548 mil em segurança

JÁ SEGUNDO O SITE AGORA BRASIL, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou ao menos 168 dias no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, desde dezembro de 2022. O período equivale a aproximadamente 14% de todo o tempo transcorrido desde então. Apenas com as diárias dos agentes responsáveis por sua segurança nessas viagens, os gastos chegaram a R$ 548,9 mil em recursos públicos.
O levantamento é baseado em dados de pagamentos realizados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), sediado em São Paulo, que costuma enviar equipes para escoltar o ministro durante suas estadias no resort. Embora o empreendimento esteja localizado no Paraná, é o TRT paulista que responde pela logística da segurança de Toffoli no local.

As notas de pagamento disponíveis no site do TRT-2 indicam de forma explícita a finalidade das viagens. Em uma delas, a descrição informa: “Prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do Supremo Tribunal Federal, na cidade de Ribeirão Claro”. Procurado pelo site Metrópoles, que divulgou a informações, a Corte trabalhista não se pronunciou.
De acordo com o veículo, entre quatro ou cinco agentes são destacados para acompanhar o ministro durante as estadias. Em períodos mais longos, superiores a cinco dias, as equipes são revezadas. No fim de 2025, segundo relatos, Toffoli chegou a usar o resort para a realização de uma festa privada, que contou com a presença de um grupo de samba e do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenômeno.
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