
O prefeito interino de Ourinhos, Alexandre Zóio, apresentou nesta segunda-feira (6) um diagnóstico da situação financeira do município e anunciou um pacote de medidas para tentar reequilibrar as contas públicas.
Segundo a administração, a Prefeitura acumula uma dívida de curto prazo de R$ 100,6 milhões. Somados os débitos com o Instituto de Previdência do Município de Ourinhos (IPMO), o passivo informado pela equipe chega a aproximadamente R$ 184 milhões.
Durante a coletiva, a gestão afirmou que o desequilíbrio financeiro está relacionado à manutenção de despesas e contratos sem medidas de contenção ao longo de 2025. Também foi informado que recursos extraordinários, como os provenientes da concessão da SAE em 2024, ajudaram a manter as contas naquele período.
Para enfrentar a situação, Alexandre Zóio anunciou um plano de recuperação financeira que inclui revisão de contratos, redução de despesas, lançamento do REFIS, reforma administrativa, diminuição do número de secretarias e corte de cargos comissionados. A proposta deverá ser encaminhada à Câmara Municipal nos próximos dias.
A administração também apresentou um panorama das áreas de Saúde e Educação e confirmou mudanças no secretariado. Segundo o prefeito interino, as medidas são necessárias para restabelecer o equilíbrio financeiro do município.
PARA NÃO SANGRAR BOLSO DO CONTRIBUINTE: Logo no primeiro dia no exercício do cargo novo prefeito de Ourinhos promove exoneração em massa na administração municipal
O primeiro ato de Alexandre Zóio (PL) como prefeito interino de Ourinhos foi de impacto. Em 1º de julho, logo após assumir o cargo, exonerou 16 secretários, dispensou 216 ocupantes de cargos comissionados, cortou 230 funções de confiança e suspendeu contratos administrativos. A medida foi anunciada como um choque de gestão.
Mas quatro secretários continuam nos cargos: Jeferson Bento (Cultura), Danilo Lima (Esportes), Diógenes Correia Leite (Meio Ambiente) e Sargento Sérgio (Segurança Pública).
Na Cultura, a permanência de Jeferson Bento já era esperada nos bastidores. Quando foi nomeado por Guilherme Gonçalves (Podemos), comentava-se que sua indicação tinha a “bênção” de Zóio. O secretário é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público no caso da FAPI 2025, teve bens bloqueados pela Justiça e enfrenta forte desgaste entre artistas e agentes culturais.
Em março, representantes do setor protestaram na Câmara Municipal contra o desmonte da cultura em Ourinhos, denunciando a paralisação de projetos, dificuldades na execução da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc, além de indicações políticas para cargos técnicos.
Outro que segue no primeiro escalão é Danilo Lima. Ex-assessor de Alexandre Zóio quando o atual prefeito interino era vereador, também ocupou cargos de direção e secretarias nas gestões do ex-prefeito Lucas Pocay (PSD). Sua nomeação para o governo Guilherme Gonçalves gerou críticas até dentro do grupo político do então prefeito. Zóio nem sequer havia sido consultado sobre a indicação.
À frente da Secretaria de Meio Ambiente, permanece Diógenes Correia Leite. Presidente do PL de Ourinhos, foi assessor do deputado federal Capitão Augusto (PL), principal aliado político de Alexandre Zóio. Com longa experiência na administração pública, ocupou diferentes secretarias nas gestões de Toshio Misato e Belkis Gonçalves, tornando-se um dos nomes mais longevos da administração municipal de Ourinhos.
Na Segurança Pública, Sargento Sérgio (MDB) segue no comando da pasta. Vereador licenciado e policial militar aposentado, ocupou cargos nas gestões de Lucas Pocay e, segundo apuração do Jornal Biz, conta com a confiança da maior parte dos integrantes da Guarda Civil Municipal.
O choque de gestão atingiu praticamente todo o primeiro escalão. As quatro permanências, porém, mostram que a caneta de Alexandre Zóio também abriu espaço para exceções. Embora cada caso tenha suas particularidades, todos reúnem características políticas e administrativas que ajudam a explicar por que foram mantidos nos cargos.
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