
Após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Alexandre de Moraes reconsiderou a decisão e barrou a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidosde Donald Trump, a Jair Bolsonaro na prisão. Aliado de Trump, Beattie trabalha para o Departamento de Estado norte-americano e é responsável pelos assuntos ligados ao Brasil.
O Ministro das Relações Exteriores afirma que visto foi concedido apenas para fins oficiais e alerta que encontro em prisão seria “ingerência indevida” nos assuntos internos
De acordo com o documento enviado ao STF, o Itamaraty informou que a concessão do visto de entrada no país foi baseada estritamente na justificativa apresentada pelo governo americano. No momento da solicitação feita ao Consulado-Geral, não havia menção a encontros que fugissem dos objetivos institucionais comunicados oficialmente.

Mauro Vieira destacou que o processamento do pedido seguiu os protocolos normais para funcionários de Estado estrangeiros, mas ressaltou a gravidade de uma eventual alteração na agenda. Para o chanceler, o uso de uma viagem oficial para visitar um ex-mandatário detido, especialmente em ano eleitoral, extrapola os limites diplomáticos.
O ministro foi enfático ao afirmar que tal conduta poderia configurar uma “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. A manifestação ocorre em meio à vigilância das autoridades brasileiras sobre movimentações políticas que possam interferir na estabilidade institucional e no processo eleitoral em curso
Ministros de Lula sentem “cheiro de acordão” com Bolsonaro no hospital
Ministros do governo Lula dizem, nos bastidores, sentir “cheiro de acordão” entre o STF e aliados de Yair Bolsonaro com a ida do ex-presidente ao hospital, nesta sexta-feira (13/3), após passar mal no presídio da Papudinha.
A desconfiança de auxiliares de Lula é de que a transferência de Bolsonaro pode fazer parte de um acordo que levaria o ministro do STF Alexandre de Moraes a finalmente transferir o ex-presidente para a prisão domiciliar.

Lula revoga visto do assessor de Trump que pediu para visitar Bolsonaro
O governo brasileiro revogou a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente norte-americano Donald Trump para temas relacionados ao Brasil, que pretendia vir ao país na próxima semana para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha.
No comunicado, o Itamaraty afirma que está usando o princípio adotado internacionalmente, inclusive pelos americanos, de revogação de vistos. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou Lula.

Beattie tinha agendada uma visita ao Brasil com a intenção de visitar Bolsonaro na prisão, mas o pedido para se reunir com o ex-mandatário foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira, 12. Antes, o ministro havia concedido autorização para a visita de Darren Beattie a Bolsonaro.
Na decisão que revogou, o ministro concluiu que “a realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras”.
A reviravolta ocorreu após o Itamaraty informar a Moraes que o visto de Beattie foi concedido exclusivamente para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, evento marcado para 18 de março em São Paulo, e que a visita ao ex-presidente nunca constou dos objetivos comunicados pelo governo norte-americano.
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