Ex-banqueiro teria investido cerca de US$ 150 milhões no país vizinho
O empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a integrar um grupo de investidores com participação em poços de exploração de petróleo na Venezuela. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 5, pelo jornal O Globo, em nota assinada pelo colunista Lauro Jardim.

Segundo relatos feitos por Vorcaro a diferentes interlocutores desde 2024, o modelo de negócios foi estruturado há cerca de dois anos. Os aportes financeiros já realizados somariam aproximadamente US$ 150 milhões, de acordo com as informações publicadas.

Investimentos no exterior vêm à tona em meio a apurações no Brasil
A revelação sobre a atuação de Vorcaro no setor petrolífero venezuelano surge enquanto o ex-banqueiro permanece no centro de investigações no Brasil relacionadas ao caso do Banco Master.

As apurações envolvem negociações com títulos financeiros e suspeitas de irregularidades na emissão e negociação de créditos considerados fraudulentos. Autoridades da Polícia Federal (PF) estimam que as operações sob investigação possam ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

Liquidação do Banco Master pelo Banco Central

As suspeitas culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro. A medida, considerada rara no sistema financeiro, interrompeu as operações da instituição, que apresentava problemas de liquidez e indícios de descumprimento de normas prudenciais.

Nesse tipo de intervenção, o Banco Central suspende todas as atividades bancárias e nomeia um liquidante responsável pela administração e venda dos ativos. Paralelamente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume o reembolso de credores elegíveis, respeitados os limites legais.

Operação Compliance Zero e prisão de Vorcaro

O caso ganhou dimensão política e jurídica com o avanço da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal também em 18 de novembro. A ação resultou na prisão de Daniel Vorcaro em um aeroporto de São Paulo, além da investigação de outras lideranças ligadas ao banco.

Dias depois, Vorcaro foi solto e passou a responder às investigações sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, permanecendo como figura central da apuração.

Disputa jurídica chega ao STF

A controvérsia avançou para o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Dias Toffoli manteve, em despacho extenso, a realização de uma audiência de acareação por videoconferência.

A sessão deverá confrontar versões de personagens centrais do caso, entre eles o próprio Vorcaro; o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do Banco Central. A audiência chegou a ser marcada para o período do recesso do Judiciário.

Questionamentos do Banco Central

O Banco Central apresentou novo pedido ao STF solicitando esclarecimentos sobre a condição do diretor de Fiscalização na acareação — se atuará como testemunha ou investigado. A definição impacta diretamente os direitos processuais do depoente, incluindo a presença de assessores técnicos.

O BC também questionou a urgência da acareação, argumentando que o procedimento poderia ser reavaliado diante do estágio das investigações.

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