A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, comunicou na manhã desta quinta-feira (9/4) que antecipará sua saída da Corte eleitoral.

O mandato de Cármen na presidência do TSE se encerraria em 3 de julho, mas a ministra decidiu deixar o cargo antes para ampliar o período de preparação para as eleições de outubro.

Segundo ela, o próximo presidente da Corte, o ministro Nunes Marques, teria cerca de 100 dias para organizar o processo eleitoral caso a saída ocorresse apenas no último dia do mandato.

“Decidi que, ao invés de deixar para o último dia de mandato, em 3 de julho, a sucessão da presidência deste Tribunal Superior Eleitoral se inicie antes, com os procedimentos para eleição dos novos dirigentes da Casa e o processo de transição, para garantir equilíbrio e tranquilidade na passagem das funções”, disse.

Com isso, Cármen Lúcia marcou para o dia 14 de abril a eleição da nova presidência da Corte. A posse do novo presidente e do vice, o ministro André Mendonça, está prevista para maio.

Motivo da antecipação

O principal objetivo é evitar qualquer “atropelo” administrativo durante a organização das Eleições Gerais de 2026. Com a mudança antecipada, a nova gestão poderá nomear equipes e assessores com mais tempo de antecedência, garantindo maior estabilidade e planejamento.

Originalmente, o mandato de Cármen Lúcia na presidência do TSE terminaria em 3 de junho. Ela justificou a decisão pelo “interesse público” e pela eficiência administrativa. A ministra ressaltou que não se apega a cargos e que acumula funções tanto no TSE quanto no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tenho enorme trabalho a realizar no STF e na acumulação de dois cargos, especialmente na função da presidência”, afirmou. Ela também destacou que trocas de comando muito próximas ao pleito podem comprometer a segurança e a transparência do processo eleitoral, defendendo que a preparação ocorra de forma “regular” e sem “afobação”.

Apesar de deixar a presidência do TSE mais cedo, Cármen Lúcia permanece como ministra do tribunal até agosto, mas indicou que poderá deixar a Corte após concluir a transição.

Nunes Marques viajou em avião particular ligado à advogada que atua para o Banco Master

Dados obtidos pelo jornal Estado de São Paulo mostram que o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, viajou no fim do ano passado em um voo pago por uma advogada que atua para o Banco Master.

Segundo a reportagem, o ministro Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence à empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.

O ministro foi para a festa de aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o banco Master em ações sobre créditos do setor de produção de açúcar e álcool.

Registros de entrada no terminal executivo do aeroporto de Brasília mostram que Nunes Marques chegou acompanhado da mulher, Vanessa Ferreira, às dez da manhã do dia 14 de novembro do ano passado.

Mesmo horário em que Camilla e o marido, o desembargador Newton Ramos, chegaram. Trinta e cinco minutos depois, um avião operado pela Prime Aviation táxi aéreo e serviços partiu para Maceió.

Nunes Marques é o relator no Supremo Tribunal Federal de um pedido de senadores de oposição para obrigar que o Senado instale uma CPI para investigar o banco Master.

Em nota, o ministro Nunes Marques disse que ele e a esposa viajaram para festa de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Camilla convidou a ele, o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem.

Também em nota, a advogada Camilla Ramos afirmou que o voo foi particular, privado e contratado por ela em virtude da comemoração de seu aniversário.

O desembargador Newton Ramos não se manifestou. A Prime You informou que Vorcaro foi sócio da empresa entre setembro de 2021 e setembro de 2025, e que Vorcaro não é mais acionista da empresa.

Desembargador que viajou com Nunes Marques deu liminar favorável a filho do ministro, diz jornal

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Newton Ramos teria concedido uma liminar favorável ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, o advogado Kevin de Carvalho Marques, um mês após viajar com o ministro para Maceió em Alagoas, em novembro de 2025. As informações são de reportagem do jornal Estadão.

À reportagem do Estadão, o desembargador afirmou que o caso [da liminar favorável ao filho do ministro do STF] “não se enquadra nas hipóteses legais de impedimento”. O filho de Nunes Marques não quis se manifestar ao jornal.

Segundo a reportagem, Kevin foi advogado em um processo do TRF-1 movido por uma refinaria, com o objetivo de contestar uma fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que terminou na interdição da refinaria. 

Em dezembro de 2025, os advogados teriam solicitado uma decisão liminar provisória para suspender o julgamento do processo. Apesar de não ser o relator do processo, o desembargador teria atuado como relator substituto e proferiu a decisão liminar acolhendo o pedido. 

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