
O PL (Partido Liberal) oficializou neste sábado (25) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições de 2026. A confirmação ocorreu durante a convenção nacional do partido, realizada em São Paulo, que reuniu milhares de apoiadores.
Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi o principal responsável pelo crescimento da legenda e disse que Flávio foi escolhido pelo pai para liderar o projeto eleitoral do partido.
Com a oficialização, Flávio disputará pela primeira vez o Palácio do Planalto. A escolha ocorreu após a inelegibilidade e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na trama golpista, o que levou o PL a definir o senador como candidato da legenda.
A convenção também contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que participou do evento após ser homenageado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo.
Nascido em Resende (RJ), em 1981, Flávio Bolsonaro é formado em Direito pela Universidade Candido Mendes e possui especialização em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Iniciou a carreira política em 2002, ao ser eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, cargo que ocupou até 2018, quando foi eleito senador com mais de quatro milhões de votos.
A convenção reuniu familiares, aliados e lideranças da direita. O evento teve um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, uma manifestação de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e um discurso do presidente da Argentina, Javier Milei.
Esta é a primeira candidatura presidencial de Flávio, filho mais velho de Jair Bolsonaro. Senador eleito em 2018, foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos e disputou a Prefeitura do Rio em 2016, quando terminou em quarto lugar.

Flávio promete honrar legado do pai
Em um discurso marcado por referências ao ex-presidente, Flávio classificou Jair Bolsonaro como “o maior e mais injustiçado líder político brasileiro” e afirmou que ele é vítima da “maior farsa que esse país já testemunhou”.
Em tom emocionado, prometeu dar continuidade ao projeto político do pai.
“Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.”
Família Bolsonaro marca presença
Entre os familiares presentes estava Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-esposa de Jair Bolsonaro. Indicada como primeira suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, ela foi apresentada no palco durante a abertura do evento.
Eduardo e Carlos Bolsonaro participaram por meio de vídeos gravados. Dos Estados Unidos, Eduardo pediu união em torno da candidatura do irmão.
“Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro.” Ao encerrar a gravação, afirmou:
“Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito.”
Carlos destacou a relação com o irmão e disse confiar nele para dar continuidade ao legado político do pai. Flávio chorou enquanto assistia à mensagem.
Tarcísio diz que Flávio vai honrar legado de Jair Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou neste sábado (25) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) irá honrar o legado de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e terá compromisso com o Brasil. A declaração foi feita durante a Convenção Nacional do PL, que oficializou o nome de Flávio como candidato do partido à Presidência.
– Vamos eleger uma pessoa que vai honrar seu pai, que vai honrar o legado, que vai ter compromisso com o Brasil. A gente vai eleger. O Brasil não está perdido. O Brasil está esperando por nós. O Brasil está esperando por cada um de vocês, que vocês possam fazer a diferença – declarou.
O governador pontuou ainda que “dói” saber que o ex-presidente, Jair Bolsonaro, não pôde estar presente e que o país “está indo na direção errada”, citando questões como endividamento das famílias, criminalidade e corrupção. Tarcísio também disse que quer lutar pela eleição de Flávio para poder ver o ex-presidente o visitando no Palácio do Planalto.
Segundo Tarcísio, Flávio tem visto “todo o sofrimento” de seu pai para poder fazer a diferença na eleição.
– Tem visto o Bolsonaro lutar contra um sistema, o sistema corrupto – declarou.

Conforme o governador paulista, o Brasil precisa de um presidente que “cuide das contas”, da segurança pública e recupere o prestígio internacional que o país já teve.
– E a solução está aqui, o time está aqui, escalado, com Flávio Bolsonaro, André do Prado, Guilherme Derrite e com Ricardo Nunes, que vai continuar ajudando esse povo maravilhoso da cidade de São Paulo – declarou ele, acrescentando que São Paulo é um estado próspero porque nunca foi governado pela esquerda.
Em seguida, o governador paulista também exaltou o trabalho do presidente da Argentina, Javier Milei, que também acompanhou a Convenção Nacional do PL.
– Ele mostrou que há um caminho. Isso foi feito lá, pode ser feito aqui. Mas a gente precisa de pessoas com compromisso – disse Tarcísio, mencionando, por exemplo, o controle da inflação no país vizinho.
Michelle sela reconciliação com Flávio
declara apoio em vídeo

Michelle Bolsonaro participou da convenção por meio de um vídeo, na primeira manifestação pública de apoio à candidatura do enteado desde o rompimento entre os dois, encerrado nesta semana após um pedido público de desculpas do senador.
Sem citar o desentendimento, a ex-primeira-dama afirmou que permaneceu em casa para cuidar de Jair Bolsonaro e disse que a ausência do ex-presidente “fala muito mais alto” por representar milhões de brasileiros que depositaram confiança nele.

Michelle também defendeu maior participação feminina na política, afirmou que a eleição será decidida pelo trabalho das lideranças locais na conquista dos eleitores indecisos e citou Flávio apenas uma vez durante o discurso.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura.”
Mesmo após deixar a presidência do PL Mulher, Michelle segue em destaque no espaço dedicado ao núcleo feminino montado na convenção. Um totem instalado no local exibe uma imagem dela ao lado de Jair Bolsonaro.
Esposa ganha espaço na campanha

A esposa de Flávio, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, também discursou.
Campanha decidiu ampliar a participação dela nos atos públicos e nas peças de divulgação nas últimas semanas. Integrantes da equipe avaliam que a presença da esposa do candidato reforça sua imagem familiar.
A estratégia ganhou força após a circulação, nos bastidores da campanha, de rumores sobre um suposto vídeo de conteúdo sexual atribuído ao senador. Aliados afirmam que a mudança busca neutralizar os efeitos políticos dessas especulações.

No palco, Fernanda disse que falava como mulher, mãe, cirurgiã-dentista e brasileira. Brincou com a falta de experiência em discursos — “Estou até com uma colinha” —, arrancando risos da plateia, e afirmou que o marido está “muito consciente da missão” que assumiu.
Ela defendeu o combate ao feminicídio, criticou a carga tributária enfrentada por empreendedores e afirmou que “ninguém aguenta mais quatro anos de PT”.
Ao final, dirigiu-se ao marido:
“Meu amor, eu vou sempre estar ao seu lado. Eu e nossas filhas temos muito orgulho da coragem de você seguir nessa missão e do homem de Deus que você se tornou.”
Milei declara apoio a Flávio e diz que senador pode ‘parar Lula’

Convidado de honra da convenção, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso em defesa da liberdade econômica e com ataques ao socialismo.
Ao agradecer o convite de Flávio Bolsonaro, afirmou que o Brasil vive uma disputa entre “a liberdade” e a continuidade de um modelo de “submissão” e disse que o resultado da eleição terá consequências pelas próximas décadas.
O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou de “lixo careca” o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o magistrado rejeitar seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Milei comentou a decisão de Moraes, que negou a visita ao ex-presidente.
“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso, Alberto Fernández”, disse Milei.
O chefe da Casa Rosada prosseguiu: “Isso não passa de uma demonstração clara da injustiça de sua prisão e de seu evidente caráter vingativo. Caro Jair, te abraço à distância, pois o que os burocratas estão impedindo hoje logo se tornará realidade e voltaremos a nos abraçar com o querido Jair Bolsonaro.”
Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar, negou o pedido do presidente argentino em 18 de julho. O ministro ressaltou que a visita foi vetada porque todas as visitas ao ex-presidente haviam sido suspensas por 30 dias.

Milei afirmou que a experiência argentina serve de alerta para outros países e atribuiu a crise econômica de seu país às políticas de governos socialistas. Segundo ele, esse modelo provocou aumento da pobreza, da inflação, do déficit fiscal e das regulações estatais, além de aproximar a Argentina de “ditaduras e terroristas de diversas partes do mundo”.
O presidente argentino também afirmou que o socialismo destrói os incentivos econômicos, impede famílias e empresas de planejarem o futuro e leva jovens a acreditar que “o único projeto de vida é emigrar ou resignar-se à pobreza”.
Ao declarar apoio à candidatura de Flávio, Milei afirmou que o senador é “a pessoa que hoje pode parar Lula” e liderar “uma verdadeira mudança para todos os brasileiros”. Também disse confiar “plenamente” em Flávio, a quem chamou de “filho de um amigo”, em referência a Jair Bolsonaro.
Na parte final da fala, voltou a defender o ex-presidente brasileiro. Disse lamentar não ter conseguido visitá-lo por causa das restrições impostas pela Justiça, comparou a situação com a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu líderes estrangeiros quando esteve preso, e classificou a prisão domiciliar de Bolsonaro como uma injustiça de “caráter vingativo”.
Ao encerrar o discurso, afirmou esperar reencontrá-lo em breve e repetiu seu bordão:
“Viva la libertad, carajo.”
Flávio é oficializado sem anunciar vice
Flávio Bolsonaro não anunciou quem ocupará a vaga de vice. Ele tem dito que gostaria de uma mulher na chapa, mas afirma que a definição depende das negociações para formação de alianças, que também podem ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV.
A federação formada por PP e União Brasil e o partido Republicanos vêm indicando que preferem se manter neutros. Um acordo com o Republicanos poderia levar a economista Daniella Marques à vaga de vice. Filiada à legenda, ela foi presidente da Caixa no governo Bolsonaro e coordena o núcleo econômico da pré-campanha de Flávio.
No PP, um dos nomes cotados é o da deputada federal Simone Marquetto, liderança católica de São Paulo. A senadora Tereza Cristina já descartou formar chapa com Flávio.
O PL é o partido com mais deputados federais e senadores e, se não fechar coligações, pode anunciar uma chapa “puro-sangue”, com Flávio e mais um nome da sigla. A data limite para definir isso é 15 de agosto.
Flávio Bolsonaro foi escolhido candidato pelo pai
Flávio Bolsonaro é empresário e advogado e tem 45 anos. Em dezembro, anunciou que havia sido escolhido pelo pai para disputar a eleição como representante da família e herdeiro político.
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